Hirsutismo é o sinal que melhor prediz excesso de androgênio; acne e queda de cabelo, isoladas, predizem pouco [4]. Quem tem escore de Ferriman-Gallwey anormal dosa testosterona por método confiável, SHBG, DHEA-S e 17-OH-progesterona, e virilização ou progressão rápida pedem imagem, porque numa minoria pequena a causa é um tumor que não pode esperar.
Acne, queda de cabelo e hirsutismo são as três faces cutâneas do excesso de androgênio, mas não têm o mesmo peso diagnóstico. Este artigo organiza o raciocínio que ensino na Escola HORMOFEM: reconhecer, decidir quem investigar, pedir os exames certos, separar a SOP do que não é SOP e tratar lembrando que quem manda é o folículo, não o laudo.
O que é hiperandrogenismo clínico e como reconhecê-lo?
O excesso de androgênio se define pela clínica ou pela bioquímica e aparece em até 10% das mulheres em idade reprodutiva [1]. As manifestações leves a moderadas são o hirsutismo e a acne; as graves formam a virilização: clitoromegalia, voz mais grave, calvície de padrão masculino e até eritrocitose [1]. Virilização não é quadro de SOP, e a presença dela muda a investigação de patamar.
Hirsutismo e a escala de Ferriman-Gallwey modificada
Hirsutismo é pelo terminal, grosso e pigmentado, em distribuição masculina, e acomete de 5% a 10% das mulheres em idade reprodutiva [2]. A escala de Ferriman-Gallwey modificada dá nota de 0 a 4 a nove áreas: lábio superior, mento, tórax, abdome superior, abdome inferior, braços, coxas, dorso superior e região lombar [3]. Zero é ausência de pelo terminal; 4 é pelo denso de padrão masculino.

Figura 1. Do folículo à escala. À esquerda, o androgênio circulante (A, seta vermelha) entra no folículo, que também produz e metaboliza androgênios; ligado ao receptor androgênico (AR), ele age no núcleo, e a sensibilidade desse receptor, regulada por genética e epigenética, transforma o pelo velus em terminal. À direita, a escala de Ferriman-Gallwey modificada: nove áreas pontuadas de 0 a 4 (os desenhos mostram os graus 1 a 4), que medem essa resposta periférica.
Fonte: Spritzer PM, Marchesan LB, Santos BR, Fighera TM. Hirsutism, Normal Androgens and Diagnosis of PCOS. Diagnostics (Basel). 2022;12(8):1922 (Figura 1), licença Creative Commons Atribuição 4.0 (CC BY 4.0) [26]. Legenda traduzida.
O ponto de corte que ensino na aula de SOP é o clássico: acima de 8 nas não asiáticas e acima de 4 nas asiáticas, na linha da Endocrine Society [3]. A diretriz internacional de SOP de 2023 baixou o limite para 4 a 6 conforme a etnia, o que amplia o diagnóstico, e lembra que a autodepilação é comum e esconde o quadro [4]. Por isso, mais do que pontuar área por área, eu pergunto o que a paciente remove, onde e com que frequência. Escala aplicada depois de depilação a laser subestima o problema.
Uma exceção poupa exames: pelo localizado, sem escore anormal, em mulher com ciclos regulares não precisa de dosagem hormonal, porque a chance de achar uma doença que mude a conduta é baixa [3].
Acne e alopecia: sinais fracos quando isolados
A diretriz de 2023 considera a acne e a alopecia de padrão feminino, quando aparecem sem hirsutismo, preditores fracos de hiperandrogenismo bioquímico; o hirsutismo, ao contrário, prediz sozinho a hiperandrogenemia e a SOP em adultas [4]. Não existe escala visual universal para acne [4].
Para a alopecia, a recomendação é usar uma escala visual [4]. A rarefação do vértice com linha frontal preservada se gradua em 3 pontos pela escala de Ludwig ou em 5 pela de Sinclair; o padrão em "árvore de Natal", de Olsen, acentua a perda frontal; e algumas mulheres desenvolvem, depois da menopausa, a entrada bitemporal do homem [5].

Figura 2. Dois quadros que chegam com a mesma queixa de "cabelo ralo". A. Alopecia de padrão feminino, tipo Ludwig: rarefação central, linha frontal preservada (Ludwig 2, Sinclair 4). B. Eflúvio telógeno crônico: recesso bitemporal, boa densidade no restante do couro cabeludo e ausência de miniaturização.
Adaptado de Herskovitz I, Tosti A. Female pattern hair loss. Int J Endocrinol Metab. 2013;11(4):e9860 (Figuras 1 e 2), licença Creative Commons Atribuição 3.0 (CC BY 3.0) [5]. Recorte e letras A e B acrescentados.
Por que a testosterona do exame nem sempre explica a pele?
Porque o androgênio que age no folículo é, em boa parte, convertido dentro dele. A testosterona circula ligada à SHBG e à albumina, e só 1% a 4% fica livre [1]. No folículo, a 5-alfa-redutase converte testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), mais potente, e a sensibilidade de cada folículo depende da expressão do receptor androgênico e dessa enzima [6]. Na alopecia de padrão feminino, a manifestação pode não acompanhar o nível circulante [5]; no hirsutismo, o grupo de endocrinologia ginecológica de Porto Alegre lembra que o androgênio medido pelos métodos de rotina se correlaciona mal com a gravidade (Figura 1) [26].
É o que repito na aula de testosterona: a paciente pode ter testosterona sérica baixa e excesso no tecido, porque a conversão local e a via dos androgênios 11-oxigenados não aparecem no laudo. A 11-cetotestosterona se liga ao receptor androgênico com a mesma afinidade da testosterona, é ativada a partir de precursores adrenais no tecido periférico, sobretudo no adiposo, e não cai com a idade [1].

Figura 3. Esteroidogênese. Na faixa azul, a 5-alfa-redutase transforma testosterona em DHT na pele e no folículo piloso, etapa que o exame de sangue não mede. Na coluna central, a 21-hidroxilase leva a 17-OH-progesterona ao cortisol; quando ela falha, como na hiperplasia adrenal congênita, o precursor se acumula e desvia para DHEA e androstenediona.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [7]. Ilustração do capítulo de estrogênios, com base no Livro Didático de Endocrinologia de Williams e na Medicina Cecil de Goldman.
O problema da alopecia androgenética não é o nível de testosterona no sangue. É o folículo que converte demais.
Quando investigar a causa hormonal?
A Endocrine Society sugere dosar androgênios em toda mulher com escore de hirsutismo anormal [3]. Se a testosterona total vier normal e o hirsutismo for moderado ou grave, ou leve com irregularidade menstrual ou progressão, a recomendação é repetir pela manhã, total e livre, por método confiável [3]. Em mulher com hiperandrogenemia, o rastreio de hiperplasia adrenal congênita não clássica com 17-OH-progesterona entra de rotina; com história familiar ou etnia de alto risco, entra mesmo com testosterona normal [3].
Acne e queda de cabelo pedem investigação quando vêm com ciclos irregulares, infertilidade, galactorreia, piora rápida ou resposta ruim ao tratamento dermatológico bem feito [3, 6]. Para a acne da mulher adulta, a força-tarefa da Androgen Excess and PCOS Society foi além e recomendou dosar testosterona total, livre e DHEA-S em todas, por método de qualidade [9]. É posição mais abrangente que a da diretriz de SOP; o bom senso decide o meio-termo.
O que pedir e como coletar?
A diretriz da Society for Endocrinology, de 2025, pede testosterona, SHBG, androstenediona, DHEA-S, 17-OH-progesterona, estradiol, LH, FSH e um índice de testosterona livre em toda mulher com suspeita clínica, com coleta pela manhã, em jejum e na fase folicular precoce [1]. Eu acrescento prolactina e TSH, porque hiperprolactinemia e disfunção tireoidiana entram no diagnóstico diferencial da oligomenorreia com hiperandrogenismo [3].
O método importa. As diretrizes recomendam medir a testosterona total por espectrometria de massa em tandem (LC-MS/MS), porque os imunoensaios diretos perdem precisão nas concentrações femininas [1, 4]. No Brasil, a maior parte dos laboratórios usa imunoensaio; quando o resultado não combina com a clínica, a orientação é repetir pela espectrometria [1]. O índice de androgênio livre superestima a fração livre quando a SHBG está abaixo de 30 nmol/L [1].
Tabela 1. Exames da investigação do hiperandrogenismo e como ler cada um.
| Exame | Para que serve | Como ler |
|---|---|---|
| Testosterona total, de preferência por LC-MS/MS | Principal marcador de produção ovariana | Acima de 5 nmol/L (cerca de 144 ng/dL): imagem de ovário e adrenal |
| SHBG e testosterona livre calculada | Hiperandrogenemia com testosterona total normal | Índice de androgênio livre perde precisão com SHBG abaixo de 30 nmol/L |
| DHEA-S | Marcador de origem adrenal | Elevação discreta cabe na SOP; muito alto aponta para a adrenal |
| Androstenediona | Vem metade do ovário, metade da adrenal | Não localiza a origem sozinha |
| 17-OH-progesterona, manhã, fase folicular precoce | Rastreio de hiperplasia adrenal congênita não clássica | Acima de 170 a 200 ng/dL (5,15 a 6 nmol/L) sugere; 1.000 a 1.500 ng/dL (30 a 45 nmol/L), basal ou após ACTH, confirma |
| Prolactina e TSH | Diferenciais da oligomenorreia com hiperandrogenismo | Alterados mudam o diagnóstico |
| LH, FSH e estradiol | Contexto do eixo | LH alto e relação LH/FSH elevada são comuns na SOP; não fecham diagnóstico |
Adaptado de Elhassan et al., 2025 [1] e Martin et al., 2018 [3].
A 17-OH-progesterona tem hora e dia
Na hiperplasia adrenal congênita, a falha parcial da 21-hidroxilase acumula 17-OH-progesterona, desviada para os androgênios (Figura 3). Um valor de 170 a 200 ng/dL tem cerca de 95% de sensibilidade e 90% de especificidade para a forma não clássica, e o diagnóstico definitivo exige 1.000 a 1.500 ng/dL, basal ou após estímulo com ACTH [3]. Na régua britânica, um valor acima de 5 a 7 nmol/L na fase folicular precoce leva ao teste de estímulo com ACTH, e acima de 30 nmol/L confirma [1].
Quando o hiperandrogenismo sugere tumor?
A maioria das mulheres com excesso de androgênio tem SOP, mas há sinais que apontam para neoplasia ovariana ou adrenal, e a diretriz britânica os coloca como gatilho de investigação urgente [1]:
- Virilização: clitoromegalia, voz grave, calvície de padrão masculino, aumento de massa muscular.
- Progressão rápida, em meses, ou início agudo.
- Início após a menopausa, ou na vida adulta sem história desde a puberdade.
- Testosterona acima de 5 nmol/L (cerca de 144 ng/dL).
- DHEA-S muito elevado, ou sinais de síndrome de Cushing.
A combinação dos exames ajuda a localizar. Testosterona alta com DHEA-S normal aponta para o ovário; DHEA-S muito alto, com ou sem testosterona alta, aponta para a adrenal, e a 17-OH-progesterona muito elevada também pode vir de carcinoma adrenocortical [1]. Para o ovário, o primeiro exame é o ultrassom transvaginal com Doppler; como os tumores de células de Leydig costumam medir menos de 3 cm e ser isoecoicos, a ressonância magnética é o passo seguinte se o ultrassom vier normal e a suspeita for alta [1]. Diante de alteração bioquímica grave, a recomendação é imagem de ovário e de adrenal, qualquer que seja o padrão [1].
Na pós-menopausa, o diferencial principal é entre hipertecose ovariana, lenta e ligada à resistência à insulina, e tumor ovariano secretor de androgênio, que aparece em 1 a 3 de cada 1.000 mulheres avaliadas por hirsutismo [10]; numa série de 950 mulheres com hiperandrogenismo, os tumores foram 0,2% [11]. Raros, mas a suspeita pede centro com experiência [1].
Quais são as causas de acne, hirsutismo e queda de cabelo hormonais?
Tabela 2. Diagnóstico diferencial do hiperandrogenismo na mulher.
| Causa | Início | Evolução | Testosterona | DHEA-S | Pista principal |
|---|---|---|---|---|---|
| SOP | Puberdade | Lenta | Normal ou levemente alta, raramente acima de 5 nmol/L | Normal ou discretamente alto | Ciclo irregular, AMH alto, resistência à insulina |
| Hiperplasia adrenal congênita não clássica | Infância tardia, adolescência | Lenta | Moderadamente alta | Normal ou discretamente alto | 17-OH-progesterona folicular alta |
| Hirsutismo idiopático | Variável | Lenta | Normal | Normal | Ciclos regulares e androgênios normais |
| Medicamentos e esteroides | Após o início do uso | Semanas a meses | Variável, pode ser normal | Variável | Testosterona, gestrinona, progestinas androgênicas, anabolizantes, DHEA |
| Hipertecose ovariana | Pós-menopausa | Lenta | Alta, pode passar de 5 nmol/L | Normal | Resistência à insulina, ovários aumentados dos dois lados |
| Tumor ovariano | Qualquer idade | Rápida | Muito alta | Normal | Virilização, assimetria ovariana |
| Tumor adrenal | Vida adulta | Rápida | Alta | Muito alto | Cushing associado |
Adaptado de Elhassan et al., 2025 [1] e Yoldemir, 2022 [10].
SOP: a causa mais comum
Na série italiana de 950 mulheres com hiperandrogenismo clínico, a SOP respondeu por 72,1% dos casos; o hiperandrogenismo idiopático, por 15,8%; o hirsutismo idiopático, por 7,6%; e a hiperplasia adrenal congênita não clássica, por 4,3% [11]. O hiperandrogenismo da SOP começa de forma insidiosa desde a puberdade, progride devagar e raramente leva a testosterona acima de 5 nmol/L [1]. Como a SOP é diagnóstico de exclusão, todo o raciocínio deste artigo serve para confirmar que ela é mesmo a explicação [4].
O escore também muda com a população. Nas séries brasileiras de SOP reunidas pelo grupo de Porto Alegre, a média de Ferriman-Gallwey ficou entre 8 e 19, enquanto nas de Taiwan não passou de 4; os autores ressalvam que quase todas vêm de serviços de referência [26].

Figura 4. Escore médio de Ferriman-Gallwey modificado (mFG) em mulheres com SOP, por país, em quatro painéis: Américas, Oriente Médio, Europa e Ásia. Olhe as nove barras do Brasil no painel das Américas e compare com as de Taiwan no painel da Ásia. O número sobrescrito é o tamanho da amostra; as barras pretas são estudos sem seleção, as cinzas vêm de serviços de referência.
Fonte: Spritzer PM, Marchesan LB, Santos BR, Fighera TM. Hirsutism, Normal Androgens and Diagnosis of PCOS. Diagnostics (Basel). 2022;12(8):1922 (Figura 2), licença Creative Commons Atribuição 4.0 (CC BY 4.0) [26]. Legenda traduzida.
Hiperplasia adrenal congênita não clássica: o diferencial que não pode passar
Em metanálise, a prevalência da forma não clássica entre mulheres com sinais de excesso de androgênio foi de 4,2% (IC 95% 3,2% a 5,4%) [12]. O quadro imita a SOP: hirsutismo, acne às vezes resistente, alopecia, irregularidade menstrual e até ovário policístico. Na aula, insisto que toda paciente que parece SOP dosa 17-OH-progesterona, porque é ela que separa os dois diagnósticos.
O diagnóstico abre o glicocorticoide como opção seletiva para o hirsutismo, ao lado do combinado, e muda o aconselhamento reprodutivo e genético [1]. Com 17-OH-progesterona alterada ou duvidosa, eu encaminho ao endocrinologista para o teste de estímulo e a decisão sobre corticoide em dose baixa; enquanto isso, o tratamento da pele segue o mesmo raciocínio do hirsutismo [3].
Medicamentos, anabolizantes e terapia com testosterona
Testosterona em dose fisiológica aumenta acne e pelos, sem aumento demonstrado de alopecia, clitoromegalia ou alteração de voz; em níveis suprafisiológicos, o quadro muda. Esses dados e as doses estão em testosterona em mulheres: o que os estudos mostram. Na paciente que já tem alopecia androgenética, tenho cautela redobrada: como o problema está na sensibilidade do folículo, uma dose pequena pode acelerar a queda.
Os anabolizantes merecem pergunta direta, porque a paciente raramente conta; num estudo qualitativo com usuárias, a voz grave foi o efeito mais difícil de aceitar [13]. Entre as progestinas, as derivadas da 19-nortestosterona carregam atividade androgênica, e a gestrinona tem relação anabólica e androgênica desfavorável: acne, hirsutismo, alopecia e alteração vocal são proporcionalmente mais marcados que o efeito anabólico [7, 8].
Quando o efeito androgênico vem de algo que eu prescrevi, a resposta é ajustar a dose ou trocar o hormônio, e não acrescentar finasterida ou dutasterida para compensar.
Como tratar hirsutismo, acne e alopecia de causa hormonal?
Primeiro passo: peso e metabolismo
Na mulher com hirsutismo e obesidade, inclusive na SOP, a Endocrine Society recomenda mudança de estilo de vida [3]. A metformina não reduziu o escore de Ferriman-Gallwey em relação ao placebo na revisão Cochrane [2], e por isso não deve ser prescrita só para o hirsutismo [3]. Na SOP com resistência à insulina, a diretriz de 2023 a prefere ao inositol para hirsutismo e adiposidade central [4]. Eu a uso pelo metabolismo; o efeito sobre o pelo é indireto.
Anticoncepcional combinado: primeira linha
O combinado reduz o LH e a produção ovariana de androgênio e aumenta a SHBG, o que derruba a testosterona livre. A Endocrine Society o sugere como terapia inicial para a maioria das mulheres com hirsutismo que não buscam gestação, sem preferir formulação, e, na obesa ou acima de 39 anos, com a menor dose eficaz de etinilestradiol, em geral 20 mcg [3]. A diretriz de SOP não encontrou vantagem do etinilestradiol de 30 mcg ou mais sobre doses menores e deixou a combinação com acetato de ciproterona e 35 mcg de etinilestradiol como segunda linha, pelo risco tromboembólico [4].
Tabela 3. Anticoncepcionais orais combinados no tratamento do hirsutismo: androgenicidade de cada progestina e risco de tromboembolismo venoso (TEV). Olhe as duas colunas de risco antes de escolher, sobretudo na obesa e acima de 39 anos.
| Progestina e dose | Geração | Androgenicidade relativa | Risco relativo de TEV | Casos extras de TEV por 10.000 mulheres por ano | Etinilestradiol (mcg) |
|---|---|---|---|---|---|
| Noretisterona 0,5 a 1,0 mg | 1ª | Média | 2,6 | 7 | 20 ou 35 |
| Levonorgestrel 0,15 mg | 2ª | Alta | 2,4 | 6 | 20 ou 30 |
| Norgestimato 0,25 mg | 2ª a 3ª | Baixa | 2,5 | 6 | 35 |
| Gestodeno 0,075 mg | 3ª | Baixa | 3,6 | 11 | 20 ou 30 |
| Desogestrel 0,15 mg | 3ª | Baixa | 4,3 | 14 | 20 ou 30 |
| Drospirenona 3 mg | 4ª | Antiandrogênica | 4,1 | 13 | 20 ou 30 |
| Acetato de ciproterona 2 mg | Sem geração | Antiandrogênica | 4,3 | 14 | 35 |
Adaptado de Martin et al., 2018 (Tabela 2) [3], com dados de Vinogradova et al. e Stegeman et al. Risco relativo em comparação com não usar anticoncepcional oral; casos extras de TEV por 10.000 usuárias por ano.
Para a acne, a revisão Cochrane reuniu 31 ensaios com 12.579 mulheres: todos os combinados testados contra placebo reduziram lesões inflamatórias e não inflamatórias, com poucas diferenças consistentes entre eles [14]. Na minha prática, a escolha é etinilestradiol 20 mcg com drospirenona, pelo efeito antiandrogênico e antimineralocorticoide da progestina e pelo menor impacto metabólico da dose baixa de estrogênio. E dou 6 meses antes de mudar, como a diretriz pede para qualquer tratamento de hirsutismo [3].

Figura 5. Atividades biológicas da progesterona e das progestinas. Para a pele, olhe as colunas "Androgênico" e "Antiandrogênico": acetato de ciproterona, drospirenona, clormadinona e dienogeste têm ação antiandrogênica; levonorgestrel, noretisterona, desogestrel e gestodeno têm ação androgênica.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [7]. Tabela do capítulo de progesterona, conferida com Schindler et al., 2008.
O mesmo raciocínio vale para o resto do arsenal hormonal. Na mulher propensa a acne e queda de cabelo, evito o levonorgestrel, inclusive no sistema intrauterino, porque é progestina androgênica e pode piorar a pele; o implante de etonogestrel tem efeito androgênico discreto. Quando o combinado é contraindicado, a drospirenona isolada de 4 mg é a minha alternativa: numa série retrospectiva de 25 mulheres com SOP hiperandrogênica, seis meses reduziram o escore de acne de 2,4 para 1,8 e o de Ferriman-Gallwey de 12,3 para 6,3, sem piora metabólica [15]. É estudo pequeno e sem controle, e eu aviso sobre o escape inicial.
Espironolactona, sempre com contracepção
Se o hirsutismo incomoda depois de 6 meses de combinado, a Endocrine Society sugere acrescentar um antiandrogênico [3]. Antiandrogênico sem contracepção, como monoterapia inicial, não: ele pode causar desenvolvimento incompleto da genitália externa no feto masculino [3, 4]. Na mulher sem vida sexual, esterilizada ou com contraceptivo reversível de longa ação, ele pode entrar já como tratamento inicial [3].
Entre os antiandrogênicos, a espironolactona é a que mais uso. Na revisão Cochrane, 100 mg ao dia reduziram o escore de Ferriman-Gallwey em 7,69 pontos em relação ao placebo, com evidência de baixa qualidade, e teve eficácia semelhante à da finasterida e à da flutamida [2]. A Endocrine Society lista 100 a 200 mg ao dia, divididos em duas tomadas [3]; a diretriz de SOP diz que 25 a 100 mg têm menos efeitos adversos [4]. Eu começo direto em 100 mg, uma vez ao dia, porque 50 mg quase não faz efeito; acima disso, divido em duas tomadas. Na alopecia de padrão feminino, 100 mg parece ser a dose mínima eficaz [6].
Para a acne, o ensaio SAFA randomizou 410 mulheres adultas para espironolactona (50 mg até a sexta semana, depois 100 mg) ou placebo. Na 12ª semana, o sucesso pela avaliação do investigador foi de 19% contra 6%; na 24ª, 82% relataram melhora, contra 63% no placebo [16]. Cefaleia foi mais comum com a espironolactona (20% contra 12%), sem evento adverso grave [16].
Sucesso na acne em 12 semanas com espironolactona, contra 6% no placebo, no ensaio SAFA [16].
Finasterida: uso off-label, para os casos graves
A finasterida inibe sobretudo a 5-alfa-redutase do tipo 2; não tem indicação aprovada em mulheres [6]. No hirsutismo, a dose usual é de 2,5 a 5 mg ao dia [3], mas os resultados da revisão Cochrane foram inconsistentes [2]. Na alopecia de padrão feminino, um ensaio com 137 pós-menopáusicas não mostrou benefício de 1 mg, enquanto séries não randomizadas com 2,5 ou 5 mg descreveram melhora em mais de 60% das mulheres [6]. Uma revisão sistemática de 14 estudos concluiu que 5 mg podem ser eficazes, sobretudo associados a minoxidil [18].
Por isso, reservo a finasterida para os casos graves, depois da espironolactona. Há dois cuidados: a teratogenicidade, a mesma dos antiandrogênicos [6], e o humor: a 5-alfa-redutase também converte progesterona em alopregnanolona, o neuroesteroide que modula o receptor GABA-A, mecanismo discutido no artigo sobre TDPM e perimenopausa. Inibir a enzima pode mexer no humor, e a evidência em mulheres é escassa; na paciente com história de depressão ou TDPM, pesa contra.
A flutamida e a bicalutamida ficam de fora pelo risco de hepatotoxicidade grave [3, 4]. O acetato de ciproterona isolado, em doses de 10 mg ou mais, não é aconselhado pelo risco de meningioma [4].
Minoxidil: tópico ou oral em dose baixa
O minoxidil tópico é o tratamento clássico da alopecia de padrão feminino: duas vezes ao dia, por pelo menos 12 meses antes de julgar, com queda transitória no início [5, 6]. O minoxidil oral em dose baixa, até 5 mg ao dia, é uso off-label que se espalhou [6]. Num ensaio randomizado brasileiro, feito em Botucatu, 1 mg ao dia por via oral teve eficácia semelhante à da solução tópica a 5% [19], e uma revisão de 17 estudos com 634 pacientes o descreveu como alternativa eficaz e bem tolerada para quem não se adapta ao tópico [20].
A segurança vem sobretudo de dados observacionais. Numa coorte multicêntrica de 1.404 pacientes, 67,2% mulheres, o efeito mais comum foi hipertricose (15,1%); tontura, retenção de líquido e taquicardia apareceram em 1,7%, 1,3% e 0,9%, e só 1,7% suspenderam por efeito adverso [21]. Numa metanálise, a dose baixa não alterou a pressão arterial de forma significativa e subiu a frequência cardíaca em cerca de 3 batimentos por minuto [29]. Em mulheres, a sugestão é começar com 1,25 mg ou menos e subir devagar; o derrame pericárdico, raro com as doses anti-hipertensivas, tem incidência desconhecida na dose baixa [6].
Hipertricose com minoxidil oral em dose baixa, o efeito adverso mais comum em 1.404 pacientes [21].
Tabela 4. Avaliação e tratamento da alopecia de padrão feminino, do padrão de queda às medidas adjuvantes. Olhe a bifurcação entre ter ou não hiperandrogenismo: ela decide se o antiandrogênico entra.
| Etapa | O que fazer |
|---|---|
| Padrão de queda | Padrão masculino (Hamilton): se houver virilização, investigar tumor. Acentuação frontal (Olsen) ou rarefação central (Ludwig): seguir para a avaliação |
| Avaliação | História clínica; exames gerais para fatores que contribuem para a queda; biópsia do couro cabeludo, se indicada |
| Com hiperandrogenismo | Investigar a hiperandrogenemia. Tratamento clínico: antiandrogênico (espironolactona, bicalutamida), inibidor da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida) e minoxidil, que se combinam |
| Sem hiperandrogenismo | Tratamento clínico: minoxidil, oral em dose baixa ou tópico, que pode ser associado a inibidor da 5-alfa-redutase |
| Procedimentos, nos dois grupos | Transplante capilar, laser fracionado, plasma rico em plaquetas, microagulhamento e mesoterapia |
| Adjuvantes, nos dois grupos | Luz de baixa intensidade, xampu com cetoconazol e técnicas de camuflagem (fibras, perucas e apliques) |
Adaptado de Olsen, 2025 (Figura 4) [6]. A bicalutamida aparece no algoritmo original; pelo risco de hepatotoxicidade, este texto não a recomenda.
Laser, eletrólise e cuidado da pele
O medicamento reduz o pelo novo, mas não remove o terminal que já existe. A Endocrine Society sugere fotodepilação para pelos castanhos ou pretos, eletrólise para os brancos ou loiros, laser de onda longa na pele mais escura e, na hiperandrogenemia conhecida, manter o medicamento para reduzir o recrescimento [3]. A diretriz de SOP recomenda laser para o hirsutismo facial e avisa que mulheres com SOP podem precisar de mais sessões [4]. Digo na aula, com franqueza, que essa parte não é a minha seara: indico laser, feito por quem domina a técnica.
Na acne, a diretriz da Academia Americana de Dermatologia de 2024 dá recomendação forte a peróxido de benzoíla, retinoides e antibióticos tópicos e doxiciclina oral, reserva a isotretinoína para acne grave ou refratária e dá recomendação condicional ao combinado e à espironolactona [22]. O dermatologista é parceiro, não concorrente.
Acne na mulher adulta: quando pensar em hormônio?
A acne não termina na adolescência, e a mulher adulta é mais afetada que o homem em todas as faixas. Num levantamento com 1.013 adultos, a acne foi relatada por 50,9% das mulheres de 20 a 29 anos, 35,2% das de 30 a 39, 26,3% das de 40 a 49 e 15,3% das que tinham 50 anos ou mais [23].
Na acne adulta com hiperandrogenismo comprovado, a força-tarefa da Androgen Excess and PCOS Society recomenda somar o combinado ao tratamento dermatológico e acrescentar espironolactona na acne moderada ou grave sem resposta [9]. O ensaio SAFA a posiciona como alternativa ao antibiótico oral [16], o que importa num tratamento que dura anos.
Tabela 5. Tratamento da acne em adolescentes e adultas jovens, por gravidade. Olhe a linha "Alternativa": o anticoncepcional combinado e a espironolactona entram somados ao tratamento tópico, a partir da acne moderada.
| Leve | Moderada | Grave | |
|---|---|---|---|
| Primeira linha | Peróxido de benzoíla (PB) ou retinoide tópico; ou combinação tópica: PB com antibiótico, retinoide com PB, ou retinoide com PB e antibiótico | Combinação tópica (PB com antibiótico; retinoide com PB; retinoide com PB e antibiótico); ou antibiótico oral com retinoide tópico e PB, com ou sem antibiótico tópico | Antibiótico oral com combinação tópica (PB com antibiótico; retinoide com PB; retinoide com PB e antibiótico); ou isotretinoína oral |
| Alternativa | Acrescentar retinoide tópico ou PB, se ainda não usa; trocar de retinoide; ou dapsona tópica | Trocar a combinação tópica ou o antibiótico oral; acrescentar anticoncepcional oral combinado ou espironolactona oral; ou isotretinoína oral | Trocar o antibiótico oral; acrescentar anticoncepcional oral combinado ou espironolactona oral; ou isotretinoína oral |
Adaptado de American College of Obstetricians and Gynecologists, 2019 (Tabela 1) [32], que adaptou a diretriz da Academia Americana de Dermatologia de 2016. O combinado também é primeira linha aceitável para quem deseja o método; na acne moderada a grave ou refratária, o trabalho conjunto com o dermatologista ajuda; a isotretinoína exige dupla contracepção pelo risco teratogênico.
Na transição menopausal, a SHBG cai e a testosterona biodisponível sobe em termos relativos, o que ajuda a explicar os pelos faciais terminais que aparecem nessa fase [7]. Mas acne ou hirsutismo de início novo depois da menopausa, sobretudo se progressivos, pedem a investigação dos sinais de alarme [1, 10].
Queda de cabelo na menopausa e eflúvio telógeno
A alopecia de padrão feminino é a causa mais comum de queda de cabelo na mulher, e a prevalência cresce com a idade: 3% a 12% nas mulheres de ascendência europeia de 20 a 39 anos, 14% a 28% na faixa dos 50 e 56% acima dos 70 [6]. Na menopausa, ela costuma aparecer como afinamento difuso, sobretudo central e frontal, e pode coexistir com o eflúvio telógeno [7].
O eflúvio telógeno agudo é a queda difusa que começa meses depois de um estressor importante, de uma doença ou de um medicamento [7]. O crônico é outra entidade: acomete sobretudo mulheres de meia-idade, com queixa de queda intensa e recesso bitemporal, mas com boa densidade e sem miniaturização, flutua por anos e não evolui para calvície (Figura 2B) [5]. O teste de tração positivo em todas as áreas do couro cabeludo sugere eflúvio associado [5].
Essa é a avaliação que as revisões recomendam [5, 6]. Suplementar vitaminas e minerais sem deficiência comprovada não tem ensaio que mostre benefício no cabelo [31]. E pergunte pela biotina, onipresente nos suplementos capilares: num estudo pequeno, com 6 adultos, 10 mg ao dia por uma semana falsearam 9 de 23 imunoensaios baseados em biotina e estreptavidina, num painel com TSH, hormônios tireoidianos e prolactina [30]. Pergunte antes de pedir o exame e, se ela usa, suspenda antes da coleta.
Para o ferro, uso o critério da aula de reposição: ferritina abaixo de 30 ng/mL é deficiência, com ou sem anemia [24]. A relação entre ferro e queda de cabelo é controversa, e não há evidência suficiente de que repor ferro na deficiência sem anemia faça o cabelo crescer [25]. Eu reponho mesmo assim, porque a deficiência de ferro se trata por si, e investigo a causa, que na mulher em idade reprodutiva costuma ser o fluxo menstrual: o raciocínio está em sangramento intenso na perimenopausa.
A terapia hormonal da menopausa pode favorecer o cabelo, mas os resultados não são consistentes [7]. Quando a mulher com alopecia ou acne precisa de terapia hormonal, as progestinas antiandrogênicas são a opção preferida [7]. A drospirenona de 4 mg é, nesse ponto, o oposto da gestrinona: serve à paciente com alopecia androgenética e perfil lipídico ruim. E a testosterona, se indicada por desejo sexual baixo, entra com a cautela descrita acima.
Quando a conduta muda?
- Sinal de alarme. Imagem de ovário e adrenal e encaminhamento urgente [1].
- 17-OH-progesterona alterada ou duvidosa. Repetir na fase folicular e encaminhar ao endocrinologista para o teste de estímulo e o aconselhamento genético [1].
- Desejo de gestação. Antiandrogênicos e inibidores da 5-alfa-redutase exigem contracepção e saem antes da tentativa [4, 6].
- Alopecia com sinais de cicatriz. Recuo da linha frontal com perda de sobrancelhas e eritema perifolicular na pós-menopáusica sugere alopecia frontal fibrosante, e a biópsia com o dermatologista vem antes de qualquer tratamento hormonal [6].
- Sofrimento emocional. O impacto psicológico do hirsutismo e da queda de cabelo é reconhecido pela diretriz, e a queixa vale independentemente da gravidade aparente [4].
Em resumo
Hirsutismo é o sinal cutâneo que melhor prediz excesso de androgênio; acne e alopecia, isoladas, dizem pouco sobre o sangue, porque o folículo converte e responde à sua maneira. A investigação pede testosterona por método confiável, SHBG, DHEA-S, 17-OH-progesterona na fase folicular, prolactina e TSH, e os sinais de alarme mudam o caso de patamar. O tratamento começa pelo metabolismo e pelo combinado com progestina antiandrogênica, soma espironolactona com contracepção quando falta resposta e divide a pele com o dermatologista. E, quando o androgênio vem da receita, a primeira conduta é rever a receita.
O que muda no consultório
- 1No hirsutismo, pergunte o que a paciente remove antes de pontuar a escala de Ferriman-Gallwey.
- 2Peça testosterona total, SHBG, DHEA-S, androstenediona, 17-OH-progesterona, prolactina e TSH, em jejum, do 3º ao 5º dia do ciclo.
- 3Diante de virilização, progressão rápida ou testosterona acima de 5 nmol/L, peça imagem de ovário e adrenal e encaminhe com urgência.
- 4Comece pelo combinado com drospirenona e 20 mcg de etinilestradiol e espere 6 meses.
- 5Sem resposta, some espironolactona 100 mg/dia com contracepção eficaz; finasterida só nos casos graves.
- 6Na mulher com acne ou alopecia, evite progestinas androgênicas, inclusive o levonorgestrel do sistema intrauterino.
- 7Na queda difusa, peça hemograma, ferritina, vitamina D e TSH, com a biotina suspensa antes da coleta; ferritina abaixo de 30 ng/mL se trata.
Perguntas frequentes
Toda mulher com acne precisa dosar hormônios?
Não necessariamente. Acne isolada, com ciclos regulares e sem hirsutismo, prediz mal o hiperandrogenismo bioquímico. A investigação ganha força quando a acne vem com ciclo irregular, hirsutismo, queda de cabelo, piora rápida ou resistência ao tratamento dermatológico; para a acne adulta, a Androgen Excess and PCOS Society sugere dosar androgênios em todas.
Testosterona normal exclui causa hormonal na queda de cabelo?
Não. A alopecia androgenética depende da sensibilidade do folículo, da 5-alfa-redutase e do receptor androgênico, e a manifestação pode não acompanhar o nível circulante. Imunoensaios também erram nas concentrações femininas; quando o resultado não combina com a clínica, vale repetir por espectrometria de massa.
Qual anticoncepcional é melhor para acne e hirsutismo?
As diretrizes não apontam um superior, e todos os combinados testados contra placebo melhoraram a acne. Na prática, prefiro etinilestradiol 20 mcg com drospirenona, pelo efeito antiandrogênico da progestina. Ciproterona com 35 mcg de etinilestradiol fica como segunda linha, pelo risco tromboembólico.
Espironolactona precisa de anticoncepção? Qual dose?
Precisa. Antiandrogênicos podem causar desenvolvimento incompleto da genitália do feto masculino. A dose eficaz para hirsutismo e alopecia começa em 100 mg ao dia; 50 mg quase não faz efeito. Em mulher jovem e saudável, dosar potássio de rotina não é necessário, e a metanálise disponível não mostrou aumento de câncer de mama.
Finasterida pode ser usada em mulher?
Pode, fora da bula, em 2,5 a 5 mg ao dia, com contracepção eficaz. A evidência no hirsutismo é inconsistente e, na alopecia, vem de séries não randomizadas. Por mexer na produção de alopregnanolona, exige cautela em quem tem história de depressão ou TDPM; reservo para casos graves.
Minoxidil oral é seguro?
Em dose baixa, até 5 mg ao dia, os dados observacionais são tranquilizadores: o efeito mais comum é hipertricose, e os efeitos sistêmicos, como tontura, retenção de líquido e taquicardia, ficam abaixo de 2%. Numa metanálise, a dose baixa não alterou a pressão arterial de forma significativa. Em mulheres, sugere-se começar com 1,25 mg ou menos. É uso off-label.
Quando o hirsutismo sugere tumor?
Quando há virilização, progressão em meses, início depois da menopausa ou na vida adulta sem história prévia, testosterona acima de 5 nmol/L ou DHEA-S muito alto. Nesses casos, imagem de ovário e adrenal e encaminhamento urgente.
Ferritina baixa causa queda de cabelo?
A relação é controversa, e não há prova de que repor ferro sem anemia faça o cabelo crescer. Ferritina abaixo de 30 ng/mL, porém, é deficiência de ferro mesmo com hemoglobina normal e merece tratamento e investigação da causa, que na mulher jovem costuma ser o fluxo menstrual.
Testosterona ou implante hormonal podem causar queda de cabelo?
Em dose fisiológica, os ensaios mostram aumento de acne e pelos, sem aumento de alopecia. Em dose suprafisiológica, alopecia e voz grave passam a aparecer, e na mulher que já tem alopecia androgenética mesmo doses pequenas podem acelerar a queda.
Por que a acne volta quando a paciente para o anticoncepcional?
Porque o combinado tratava o sintoma: reduzia o LH e a produção ovariana de androgênio e aumentava a SHBG. Ao parar, a condição de base, muitas vezes SOP, reaparece. Por isso o tratamento do metabolismo e da causa precisa caminhar junto com o anticoncepcional, e não depois dele.
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Como citar este artigo
Jacobsen L. Acne, queda de cabelo e hirsutismo: quando a causa é hormonal e o que investigar. Blog Científico HORMOFEM [Internet]. 2026 nov 8. Disponível em: https://hormofem.com.br/blog/acne-queda-de-cabelo-hirsutismo-causa-hormonal/

Dr. Leonardo Jacobsen
Ginecologia e Obstetrícia · CRM/SC 20930 · RQE 17351
Ginecologista, professor e pesquisador em endocrinologia feminina. Fundador da Escola HORMOFEM e autor do livro Terapia Hormonal Feminina.
Conteúdo educativo destinado a profissionais de saúde. Não substitui a avaliação individual nem estabelece conduta para um caso específico.
