O ciclo menstrual é um diálogo entre hipotálamo, hipófise e ovário, regido pelo ritmo dos pulsos de GnRH, e todo hormônio prescrito entra nessa conversa. Anticoncepcional, progesterona cíclica, bloqueio com progestagênio, agonista de GnRH e terapia hormonal agem em pontos diferentes de um eixo que já funciona sozinho, com ritmo e retroalimentação próprios.
Sem essa fisiologia na cabeça, o colega não sabe em que dia colher um exame nem percebe quando o ovário parou de responder. O exemplo mais comum é a progesterona do "dia 21", que só acerta no ciclo de 28 dias: o alvo é a fase mesolútea, cerca de 7 dias após a ovulação [22]. Este artigo é o mapa que eu uso para ensinar isso.
Como o eixo hipotálamo-hipófise-ovário comanda o ciclo?
O eixo responde ao ritmo, não à quantidade. No núcleo arqueado do hipotálamo, neurônios que expressam kisspeptina, neurocinina B e dinorfina (os neurônios KNDy) geram os pulsos de GnRH que chegam à hipófise pelo sistema porta, e a kisspeptina é também uma das vias pelas quais o estradiol modula esse gerador de pulsos [1]. Cada pulso de GnRH produz um pulso de LH e, acoplado a ele, de FSH [2].
A frequência desses pulsos muda ao longo do ciclo. Com coletas a cada 10 minutos em 51 ciclos ovulatórios, Filicori mostrou o intervalo entre pulsos de LH caindo de 94 minutos no início da fase folicular para 71 minutos no fim dela, e subindo de 103 para 216 minutos ao longo da fase lútea [2], numa desaceleração que acompanha o tempo de exposição à progesterona [13]. Pulsos rápidos favorecem o LH; pulsos lentos favorecem o FSH. É assim que um único hormônio hipotalâmico comanda duas gonadotrofinas.
A prova de que o ritmo é a mensagem veio de macacas com lesão hipotalâmica. GnRH em pulsos de hora em hora restaurou a secreção de gonadotrofinas; a mesma substância em infusão contínua não restaurou e, nas que já respondiam, provocou dessensibilização da hipófise [3]. É o que o agonista de GnRH faz na clínica. Como explico na primeira aula da pós-graduação, com estímulo contínuo o receptor de GnRH entra em down regulation, e a hipófise para de secretar LH e FSH até o ritmo pulsátil voltar.
Do ovário voltam os sinais que regulam o eixo. O estradiol e a progesterona fazem retroalimentação negativa no hipotálamo e na hipófise; as inibinas, produzidas pelos folículos e pelo corpo lúteo, freiam seletivamente o FSH. A inibina B tem pico no início da fase folicular e cai depois; a inibina A sobe na ovulação e atinge o máximo no meio da fase lútea [4]. A exceção à regra do feedback negativo é o estradiol alto e sustentado do fim da fase folicular, que inverte o sinal e dispara o pico de LH.

Figura 1. O ciclo menstrual fisiológico em três andares. No alto, o ovário: crescimento folicular, ovulação e corpo lúteo. No meio, a hipófise: o FSH sobe no início do ciclo, cai na seleção do dominante e acompanha o pico de LH no meio do ciclo. Embaixo, o ovário como glândula: o estradiol sobe com o folículo dominante, cai depois da ovulação e volta a subir com a progesterona do corpo lúteo.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [5]. Ilustração do livro (Figura 3.1 da 7ª edição, no prelo).
O que acontece na fase folicular?
Recrutamento: a onda começa antes da menstruação
Quando o corpo lúteo do ciclo anterior regride, estradiol, progesterona e inibina A caem, e o FSH sobe. Essa elevação intercíclica do FSH, no fim da fase lútea e no começo da menstruação, resgata uma coorte de folículos antrais pequenos que já vinham crescendo sem depender de gonadotrofina [6, 7]. O folículo que vai ovular neste mês começou a crescer muito antes do primeiro dia do ciclo; o ciclo só decide quem chega ao fim.
O modelo de coorte única deu lugar ao de ondas: duas ou três por ciclo, e em algumas mulheres um dominante surge numa onda anovulatória antes da ovulatória [6]. Na Tabela 1, veja quando cada onda nasce: várias, na fase lútea. Isso explica por que um progestagênio pode bloquear a ovulação sem impedir que folículos cresçam.
Tabela 1. Ondas de crescimento folicular entre duas ovulações, no ultrassom transvaginal seriado. Cada onda recruta de 4 a 14 folículos de 4 a 5 mm ou mais e é precedida por uma elevação do FSH; em quase um quarto dos ciclos, 1 ou 2 dominantes crescem e regridem antes do folículo que ovula.
| Duas ondas | Três ondas | |
|---|---|---|
| Mulheres com o padrão | 68% | 32% |
| Intervalo médio entre ovulações | 27 dias | 29 dias (significativamente mais longo) |
| 1ª onda | Anovulatória; surge na ovulação (início da fase lútea) | Anovulatória; surge na ovulação (início da fase lútea) |
| 2ª onda | Ovulatória; surge no início da fase folicular | Anovulatória; surge no meio ou no fim da fase lútea |
| 3ª onda | Não existe | Ovulatória; surge no início ou no meio da fase folicular |
| Corpo lúteo | Mesmo tamanho, duração e progesterona | Mesmo tamanho, duração e progesterona |
Adaptado de Baerwald et al., 2012 [6].
Seleção e dominância: quem sobra quando o FSH cai
No meio da fase folicular, o estradiol e a inibina B produzidos pela coorte reduzem o FSH. Os folículos menos sensíveis entram em atresia. Sobrevive o que tem mais receptores de FSH e mais aromatase, e que adquire receptores de LH nas células da granulosa, o que o torna capaz de seguir crescendo com menos FSH [8]. A dominância é uma questão de sensibilidade: o folículo dominante é o que continua respondendo quando o estímulo diminui.
O hormônio antimülleriano (AMH) participa desse filtro. Produzido pela granulosa dos folículos pré-antrais e antrais pequenos, ele reduz a sensibilidade ao FSH e a expressão de aromatase, e cai à medida que o folículo é selecionado e passa a produzir estradiol [7]. Por isso o AMH reflete o tamanho do grupo de folículos em crescimento, e não a fase do ciclo.
A teoria das duas células e duas gonadotrofinas
O estradiol do folículo é feito a quatro mãos. O LH age na teca, que produz androgênio; o FSH age na granulosa, que o aromatiza. A teca converte colesterol em androstenediona e testosterona, que se difundem para a granulosa, onde a aromatase induzida pelo FSH as transforma em estrona e estradiol [5, 8]. A divisão de trabalho é obrigatória: só a teca expressa a CYP17, indispensável para fazer androgênio, e só a granulosa expressa o receptor de FSH [8].

Figura 2. Duas células e duas gonadotrofinas. O LH, pelo AMPc, leva a célula da teca a transformar colesterol em androstenediona e testosterona. Esses androgênios passam para a célula da granulosa, onde o FSH, também pelo AMPc, ativa a aromatização em estrona e estradiol. A teca não tem aromatase; a granulosa não faz androgênio.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [5]. Ilustração do livro (Figura 1.4 da 7ª edição, no prelo), adaptada de Taylor et al., 2020.
Na vida reprodutiva, cerca de 95% do estradiol circulante vem do ovário; o restante vem sobretudo da aromatização no tecido adiposo [5]. Sem androgênio da teca, não há substrato para o estradiol, e os androgênios agem nos próprios folículos, que expressam receptor de androgênio em todas as fases de crescimento [7]; é parte do papel fisiológico da testosterona na mulher. No outro extremo, quando o LH predomina e o ovário tem excesso de folículos pequenos, como na SOP, a teca produz androgênio demais e o AMH alto atrapalha a seleção do dominante [7].
Como o pico de LH dispara a ovulação?
O folículo dominante leva o estradiol de 20 a 80 pg/mL no início da fase folicular para 300 a 400 pg/mL no pico pré-ovulatório, nos valores de referência que uso no livro [5]. Quando esse estradiol se mantém alto por tempo suficiente, a retroalimentação vira positiva. No estudo de Hoff, com coletas a cada 2 horas em cinco mulheres, o pico de LH começava de forma abrupta, coincidia com o estradiol máximo, vinha 12 horas depois do início de uma subida rápida da progesterona e durava em média 48 horas [11]. A pequena elevação de progesterona antes da ovulação faz parte do gatilho, e não é defeito do ciclo.
O pico de LH retoma a meiose do oócito, inicia a luteinização da granulosa e desencadeia a ruptura do folículo. A ovulação, porém, não é imediata. No estudo multicêntrico da OMS, que examinou o ovário por laparotomia, a ovulação ocorreu entre 24 e 56 horas após a primeira elevação significativa do LH e entre 8 e 40 horas após o pico, com medianas de 32 e 16,5 horas [12].
Intervalo entre a primeira elevação do LH e a ovulação nas análises individuais do estudo da OMS [12].
É por isso que, na prática, eu considero o dia seguinte ao teste urinário de LH positivo como o dia da ovulação. O teste mostra que o pico começou; a ovulação vem depois. Em 283 ciclos com ovulação documentada por ultrassom seriado, ela veio em média menos de um dia após o pico urinário de LH, mas o LH errou a data para antes em cerca de 10% dos ciclos e para depois em 23% [33]. O teste de LH estima a ovulação; o ultrassom a documenta.
O que o corpo lúteo faz na fase lútea?
Depois da ovulação, o folículo rompido vira corpo lúteo. É a única glândula que se forma do zero todos os meses: em menos de um dia, a estrutura rota se transforma num órgão de cerca de 4 cm, intensamente vascularizado, que passa a ser a glândula esteroidogênica mais ativa do corpo da mulher [5]. As células luteínicas acumulam colesterol, daí a cor amarelada.
O corpo lúteo sintetiza em média 25 mg de progesterona por dia, contra 0,1 a 0,5 mg de estradiol [5]. Como o estradiol se mede em picogramas e a progesterona em nanogramas, mil vezes maiores, o gráfico clássico do ciclo engana o olho: postos na mesma unidade, o estradiol quase desaparece ao lado da progesterona.

Figura 3. Estradiol e progesterona ao longo do ciclo. Em A, cada hormônio na sua unidade (pg/mL e ng/mL), o desenho dos livros de fisiologia. Em B, a variação de cada um em relação à menstruação, na mesma escala: a progesterona lútea sobe mais de dez vezes, e o estradiol vira uma ondulação.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [5]. Ilustração do livro (Figura 2.2 da 7ª edição, no prelo), adaptada de Prior, 2020.
O corpo lúteo também produz estradiol, e não por acaso. O estradiol induz a expressão do receptor de progesterona, e por isso volta a subir na fase lútea, para 100 a 200 pg/mL na fase mesolútea [5]. A progesterona, por sua vez, reduz o receptor de estrogênio e ativa a 17β-HSD tipo 2, que inativa o estradiol em estrona. Esse jogo de receptores é a base de toda a terapia hormonal que ensino: sem estrogênio, a progesterona não tem onde agir; com progesterona, o estímulo estrogênico sobre o endométrio diminui [5].
A progesterona é secretada em pulsos
A progesterona da fase lútea sai em pulsos, acompanhando os pulsos de LH. Filicori dosou LH a cada 10 minutos por 24 horas em 15 voluntárias na fase lútea e, em seis, também a progesterona. No início da fase lútea a secreção era estável; nas fases média e tardia, a progesterona oscilou de 2,3 a 40,1 ng/mL, muitas vezes em questão de minutos [13]. Para os próprios autores, dosagens únicas nessas fases não refletem a função do corpo lúteo [13].
Quanto dura o corpo lúteo
O corpo lúteo depende do estímulo do LH, e o hCG age no mesmo receptor. Se há gravidez, o hCG do embrião resgata o corpo lúteo, que sustenta a gestação por 6 a 8 semanas, até a placenta assumir; se não há, ele regride em 12 a 14 dias e vem a menstruação [14]. Enquanto ele vive, a progesterona desacelera os pulsos de LH [2] e ajuda a impedir um novo dominante antes da hora.
A janela de implantação
Sob progesterona, o endométrio para de proliferar, as glândulas passam a secretar e o estroma se diferencia [15]. Em 189 gestações acompanhadas com dosagens urinárias diárias, o hCG apareceu entre 6 e 12 dias após a ovulação, e 84% das gestações que passaram de seis semanas implantaram no 8º, 9º ou 10º dia; o risco de perda precoce subiu com a implantação tardia, chegando a 82% quando ela ocorreu depois do 11º dia [16].
Como o endométrio muda em cada fase, e por que menstrua?
O endométrio é o espelho do ovário. Na fase proliferativa, o estradiol faz crescer glândulas, estroma e vasos da camada funcional e induz o receptor de progesterona. Na fase secretora, a progesterona transforma esse tecido: as glândulas secretam, as artérias espiraladas se desenvolvem e o estroma inicia a decidualização [15]. Na mulher, a decidualização começa a cada ciclo, com ou sem embrião, e é ela que torna o endométrio dependente da progesterona [15, 17].
Sem gravidez, o corpo lúteo regride, e a queda da progesterona dispara a menstruação. A retirada de progesterona ativa uma cascata inflamatória local, com prostaglandinas, citocinas, constrição das artérias espiraladas, hipóxia focal e metaloproteinases que degradam a matriz; a camada funcional se desprende e o endométrio se repara a partir da camada basal em poucos dias [15, 17]. Menstruação é um evento de retirada hormonal, e o mesmo raciocínio explica o sangramento na pausa da pílula e depois do teste com progestagênio.

Figura 4. O endométrio na passagem de um ciclo para o outro. No alto, os hormônios: na fase secretora (à esquerda), progesterona (P, azul) e estradiol (E2, verde) altos; a seta marca a queda da progesterona que abre a menstruação; na fase proliferativa (à direita), só o estradiol sobe. Embaixo, o endométrio: a camada funcional espessa se desprende na menstruação e se refaz a partir da basal (linha vermelha). Os círculos mostram os leucócitos (macrófagos, neutrófilos, células NK uterinas, eosinófilos e linfócitos T), cujo tamanho indica a quantidade: o pico de células inflamatórias coincide com a retirada da progesterona.
Fonte: Maybin JA, Critchley HO. Hum Reprod Update. 2015;21(6):748-761 [17], Figura 2. Artigo de acesso aberto sob licença CC BY 4.0; legenda traduzida.
O que é menstruação normal tem definição. A FIGO revisou em 2018 os parâmetros de frequência, regularidade, duração e volume, e abandonou termos como menorragia e oligomenorreia [18].
Tabela 2. Parâmetros do sangramento menstrual normal na vida reprodutiva.
| Parâmetro | Normal | Fora do normal |
|---|---|---|
| Frequência | 24 a 38 dias | Frequente (menos de 24 dias), infrequente (mais de 38 dias) ou ausente (amenorreia) |
| Regularidade (do ciclo mais curto ao mais longo) | Variação de até 7 a 9 dias, conforme a idade: até 9 dias dos 18 aos 25 anos, até 7 dos 26 aos 41 e até 9 dos 42 aos 45 | Irregular: variação de 8 a 10 dias ou mais |
| Duração do fluxo | Até 8 dias | Prolongado: mais de 8 dias |
| Volume | Que não interfere na qualidade de vida | Sangramento menstrual intenso: volume que interfere na vida física, social, emocional ou material da mulher |
| Sangramento intermenstrual | Ausente | Presente, aleatório ou cíclico |
Adaptado de Munro et al., 2018 [18].
O que é variação normal do ciclo?
A fase lútea é a parte estável do ciclo; a folicular é a que varia. Em 612.613 ciclos ovulatórios registrados num aplicativo, a duração média foi de 29,3 dias, com fase folicular de 16,9 dias (IC 95% de 10 a 30) e fase lútea de 12,4 dias (IC 95% de 7 a 17); entre os 25 e os 45 anos, o ciclo encurtou 0,18 dia por ano, quase todo pela fase folicular [19]. O estudo é da empresa do aplicativo, mas o padrão repete o dos estudos prospectivos.

Figura 5. Duração média das fases do ciclo por idade, em 612.613 ciclos ovulatórios. Em A, a fase folicular (em dias, eixo vertical) cai de cerca de 18 dias aos 25 anos para menos de 15 aos 45. Em B, a fase lútea fica entre 12 e 12,6 dias em todas as idades. Atenção às escalas: o eixo de B cobre só 2,5 dias. Os números sobre cada ponto são usuárias e ciclos.
Fonte: Bull JR et al. NPJ Digit Med. 2019;2:83 [19], Figuras 2 e 3, lado a lado. Artigo de acesso aberto sob licença CC BY 4.0; legenda traduzida.
No Apple Women's Health Study (165.668 ciclos), o ciclo encurtou com a idade até os 50 anos, variou cerca de 45% mais abaixo dos 20 e entre os 45 e os 49 do que entre os 35 e os 39, e foi 1,5 dia mais longo com IMC de 40 ou mais [36]. Idade e peso entram na leitura do ciclo.
No estudo de Fehring, com 1.060 ciclos de 141 mulheres de ciclos regulares e ovulação marcada pelo LH urinário, a duração média foi de 28,9 dias, 95% dos ciclos ficaram entre 22 e 36 dias, e 42,5% das mulheres tiveram variação maior que 7 dias entre os próprios ciclos; a fase folicular respondeu pela maior parte dessa variação [20].
Das mulheres com ciclos regulares tiveram toda a janela fértil entre o 10º e o 17º dia. A ovulação raramente cai no "dia 14" de todas [20].
Fase lútea curta
Em 327 fases lúteas, Lenton e colaboradores encontraram média normal de 14,1 dias (desvio padrão de 1,4) e fase lútea curta em 5,2% dos ciclos [21]. No BioCycle, com 259 mulheres de ciclos regulares, 8,9% dos ciclos ovulatórios tiveram fase lútea menor que 10 dias e 8,4% tiveram progesterona mesolútea de 5 ng/mL ou menos; só 4,3% preencheram os dois critérios [32]. A ASRM, na opinião de comitê de 2026, define a deficiência de fase lútea como diagnóstico clínico, com fase lútea de 10 dias ou menos; reconhece que ela aparece também em mulheres férteis com ciclos normais e que não se provou causa independente de infertilidade nem de perda gestacional de repetição [22].
Ciclos anovulatórios
Menstruar não prova que houve ovulação. Nos primeiros anos após a menarca, ciclos longos e irregulares são esperados, e a ACOG considera normal, na adolescência, o intervalo de 21 a 45 dias [23]. No seguimento de Apter e Vihko, metade dos ciclos só passou a ser ovulatória de 1 a 4,5 anos após a menarca, mais tarde quanto mais tardia a menarca [34]. A diretriz internacional de SOP de 2023 aceita irregularidade no primeiro ano; de 1 a 3 anos após a menarca, irregular é o ciclo com menos de 21 ou mais de 45 dias; depois, menos de 21 ou mais de 35 dias [35]. Na vida adulta, a anovulação esporádica também acontece. No HUNT3, estudo populacional norueguês, 37% das mulheres com ciclos de duração normal ficaram abaixo do limiar de ovulação numa progesterona de fase lútea estimada [24].
A FIGO trata a ovulação como um espectro, da falha ocasional em quem menstrua com regularidade à anovulação com amenorreia (Figura 6) [37].

Figura 6. Os distúrbios da ovulação como um espectro. À esquerda, em vermelho, a ovulação a cada 24 a 38 dias, com frequência e regularidade normais; à direita, em azul, a anovulação com amenorreia. No meio, da esquerda para a direita: falha ocasional de ovulação (ciclo ocasionalmente longo ou curto, fluxo ocasionalmente escasso ou intenso), ciclo longo ou curto frequente, fluxo escasso ou intenso frequente e, no extremo, ovulação só ocasional com algum ciclo de duração normal. O ponto a olhar: o distúrbio ovulatório aparece no padrão menstrual muito antes da amenorreia.
Reproduzido de Munro MG et al. Int J Gynaecol Obstet. 2022;159(1):1-20 [37], Figura 6. Licença CC BY 4.0; legenda traduzida.
Na perimenopausa, a variação vira regra. Hale e colaboradores descreveram os eventos LOOP, em que um novo folículo é recrutado ainda na fase lútea e produz uma segunda subida de estradiol, com progesterona lútea mais baixa e ciclos curtos ou longos [25]. O STRAW+10 usa justamente a diferença persistente de 7 dias ou mais entre ciclos consecutivos para marcar a transição inicial [26]. O que esses ciclos fazem com o humor está no artigo sobre TDPM e perimenopausa. Com dosagens diárias, o SWAN mostrou que o ciclo sem atividade lútea sangra quando o estrogênio que subiu volta a cair (Tabela 3) [39].
Tabela 3. Ciclos sem atividade lútea na transição menopausal, no estudo de dosagens hormonais diárias do SWAN, e o sangramento esperado em cada um.
| Padrão hormonal | Pico de LH | Pregnanediol urinário (metabólito da progesterona) | Sangramento |
|---|---|---|---|
| Estrogênio sobe | Presente | Variável, mas baixo | Menstrua quando o estrogênio cai |
| Estrogênio sobe | Ausente | Variável, mas baixo | Menstrua quando o estrogênio cai |
| Estrogênio não sobe | Não se aplica | Ausente | Não menstrua |
Adaptado de Allshouse et al., 2018 [39].
Corpo lúteo fraco: o problema começou antes
Um corpo lúteo inadequado costuma ser marcador de um problema antes ou durante a ovulação. Para Duncan, quando o corpo lúteo produz pouca progesterona, em geral há um problema no crescimento ou na liberação do oócito, e é para aí que o tratamento deve olhar [14]. A ASRM associa a deficiência lútea a condições como amenorreia hipotalâmica, transtorno alimentar, exercício excessivo, perda de peso, estresse, hiperprolactinemia, doença tireoidiana, SOP, endometriose, obesidade e envelhecimento ovariano [22]. Na anovulação franca, a classificação da FIGO de 2022 organiza as causas pelo mesmo eixo deste artigo: hipotálamo, hipófise, ovário e, em categoria própria, SOP (o acrônimo HyPO-P) [37]. Em cada andar, o segundo nível aponta o mecanismo (Figura 7).

Figura 7. A classificação FIGO dos distúrbios ovulatórios (HyPO-P). À esquerda, o andar do eixo onde está a causa: tipo I, hipotálamo; tipo II, hipófise; tipo III, ovário; tipo IV, SOP, diagnosticada pelos critérios da rede internacional de SOP. À direita, o mecanismo dentro dos tipos I a III, pelo mnemônico GAIN-FIT-PIE: genético, autoimune, iatrogênico, neoplásico; funcional, infeccioso ou inflamatório, traumático e vascular; fisiológico, idiopático e endócrino. A anovulação hipotalâmica por estresse, exercício ou perda de peso, por exemplo, é tipo I funcional.
Reproduzido de Munro MG et al. Int J Gynaecol Obstet. 2022;159(1):1-20 [37], Figura 5. Licença CC BY 4.0; legenda traduzida.
Na minha prática, isso define a ordem. Primeiro eu procuro e trato a causa, olhando o ovário como um todo; só se nada aparece, ou se a fase lútea segue curta com a causa corrigida, faço um teste terapêutico com progesterona de fase lútea. Aqui a ASRM é mais restritiva: sem causa identificada, considera o tratamento empírico e em geral não recomendado, e afirma não haver evidência de benefício da progesterona na deficiência lútea [22].
Quando dosar o quê? Por que a progesterona do "dia 21" depende do ciclo?
Exame hormonal de quem menstrua é a foto de um filme. Sem o dia do ciclo, a foto não diz nada.
O estradiol vai de 30 a 350 pg/mL dentro do mesmo ciclo normal (Figura 8) [5]. O valor só tem sentido ao lado do dia do ciclo e da pergunta clínica.

Figura 8. Valores séricos de estradiol esperados ao longo de um ciclo de 28 dias: 20 a 80 pg/mL do 1º ao 5º dia, 100 a 200 na fase mesofolicular, 300 a 400 no pico pré-ovulatório, 60 a 80 na fase lútea inicial e 100 a 200 na mesolútea. O mesmo número pode ser normal num dia e anormal em outro.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [5]. Ilustração do livro (Figura 1.7 da 7ª edição, no prelo).
Para avaliar o eixo e a reserva, peço FSH e estradiol do 3º ao 5º dia, quando se esperam FSH abaixo de 10 mUI/mL e estradiol entre 20 e 80 pg/mL [5]. A ASRM pede o FSH basal sempre com o estradiol, porque um estradiol alto nessa fase pode suprimir o FSH e mascarar uma reserva diminuída [10]. Para investigar excesso de estradiol, a coleta tem de pegar o pico pré-ovulatório, o que exige rastrear a ovulação [5]. E deixo um recado de aula: estradiol acima de 400 pg/mL, mesmo no pico, é produção acima do esperado. É leitura minha, apoiada no teto da faixa do livro (20 a 400 pg/mL), não corte validado [5].
A progesterona e o mito do dia 21
O "dia 21" nasceu de um ciclo de 28 dias com ovulação no 14º. O alvo não é o dia 21; é a fase mesolútea, cerca de 7 dias após a ovulação: a ASRM situa o pico da progesterona entre 6 e 8 dias depois dela [5, 22]. Como a fase lútea varia pouco e a folicular varia muito [19, 20], a forma prática de achar esse dia sem rastrear a ovulação é contar para trás: cerca de 7 dias antes da menstruação esperada. Num ciclo de 35 dias, isso cai perto do 28º dia; num de 24, perto do 17º. Mesmo em ciclos regulares, a ovulação pode ser imprevisível [27]. A Figura 9 mostra o porquê: entre ciclos curtos e longos, a fase folicular mais que dobra e a lútea quase não se move [19].

Figura 9. Duração média (± desvio padrão) do ciclo, do sangramento, da fase folicular e da fase lútea, por faixa de duração do ciclo, em 612.613 ciclos ovulatórios. Compare as duas últimas colunas: a fase folicular vai de 12,4 dias nos ciclos de 21 a 24 dias para 26,8 nos de 36 a 50, enquanto a fase lútea fica entre 11 e 12,9 dias. Só nos ciclos de 15 a 20 dias a lútea encurta de verdade (8 dias).
Reproduzido de Bull JR et al. NPJ Digit Med. 2019;2:83 [19], Tabela 1. Licença CC BY 4.0.
Progesterona acima de 3 ng/mL confirma que houve ovulação [5, 22]. O que ela não faz é medir a qualidade do corpo lúteo. Há um consenso informal de que 10 ng/mL ou mais no meio da fase lútea indica função preservada, mas, em ciclos ovulatórios, valores abaixo de 10 ng/mL aparecem em 31,3% das vezes [22], dado que vem do BioCycle [32]. A soma de três dosagens entre o 5º e o 9º dia da fase lútea (corte de 30 ng/mL) não foi validada [22]. Nenhum valor isolado de progesterona define deficiência lútea.
Tabela 4. O que dosar, quando colher e o que esperar na mulher que menstrua.
| Pergunta clínica | O que dosar | Quando colher | O que esperar |
|---|---|---|---|
| Como está o eixo e a reserva? | FSH, LH e estradiol | Do 3º ao 5º dia | FSH abaixo de 10 mUI/mL; estradiol de 20 a 80 pg/mL |
| Qual é a reserva ovariana? | AMH | Qualquer dia | Ler contra o esperado para a idade |
| Houve ovulação? | Progesterona | 7 dias após a ovulação (cerca de 7 dias antes da menstruação esperada) | Acima de 3 ng/mL indica ovulação |
| O corpo lúteo funciona bem? | Duração da fase lútea e progesterona | Ovulação documentada; progesterona no 7º dia após | Fase lútea de 11 dias ou mais; progesterona de 10 ng/mL ou mais tranquiliza, valor menor não diagnostica |
| Há excesso de estradiol? | Estradiol | Pico pré-ovulatório, com ovulação rastreada | Pico de 300 a 400 pg/mL; acima de 400, produção acima do esperado (opinião HORMOFEM) |
Adaptado de Jacobsen, 2025 [5]; ASRM, 2020 [10]; ASRM, 2026 [22].
É opinião minha, registrada no livro, e não critério de diretriz [5].
Como a contracepção e a terapia hormonal interferem no eixo?
A pergunta é sempre em que ponto do eixo o hormônio prescrito age.
Contraceptivo combinado
O combinado age no centro: reduz o GnRH e suprime FSH e LH, e sem gonadotrofina não há recrutamento, dominância nem ovulação [28]. Quem faz o bloqueio ovulatório é o progestagênio. O estrogênio estabiliza o endométrio, reduz o escape e soma supressão do FSH; por isso existem métodos só de progestagênio, e não só de estrogênio [5]. O estrogênio por via oral aumenta ainda a SHBG e reduz a testosterona livre [5], o que ajuda na mulher com acne e SOP e pode atrapalhar a que se queixa de libido.
A pausa tem fisiologia própria. Nos dias sem hormônio, folículos voltam a crescer, e um atraso no reinício da cartela aumenta o risco de ovulação de escape [29]. Na minha prática, prefiro o uso contínuo ou estendido: a pausa mensal foi criada para imitar a menstruação, não por benefício à saúde. Na revisão Cochrane de 12 ensaios, o uso estendido teve eficácia e segurança semelhantes às do cíclico, com menos cefaleia, inchaço e dor menstrual [38]. E a consequência diagnóstica é direta: em usuária de combinado, o FSH não serve para diagnosticar menopausa [5, 30].
Progestagênio isolado
Em dose anovulatória, o progestagênio age sobretudo sobre o pico de LH. O desogestrel 75 mcg, por exemplo, inibiu a ovulação de forma significativamente mais consistente que o levonorgestrel 30 mcg em ensaio randomizado [31]. Na aula de progesterona, ensino duas consequências. O bloqueio com dienogeste ou desogestrel não provoca menopausa: o estradiol fica em nível de fase folicular e só perde o pico. E, na mulher bloqueada que entra na falência ovariana, o FSH sobe mesmo com o progestagênio, e fogacho, piora do sono e do humor avisam que falta estradiol. Sob bloqueio, a clínica mostra a menopausa antes do calendário.
SIU de levonorgestrel e agonista de GnRH
O SIU de levonorgestrel tem efeito fundamentalmente local, com concentração no endométrio muito maior que no plasma [5]. Controla o endométrio, mas não silencia o eixo nem substitui um bloqueio. O agonista de GnRH, no extremo oposto, é a aplicação clínica do experimento com GnRH contínuo: dessensibiliza a hipófise e silencia o ovário [3].
Terapia hormonal
A terapia hormonal da menopausa usa estradiol em dose de reposição, e essa dose raramente suprime a ovulação ou altera o muco cervical: terapia hormonal não é contracepção [5]. Na perimenopausa, ele se soma a um ovário que ainda ovula; por isso, no algoritmo que ensino, a transição inicial com ciclos presentes pede progesterona cíclica ou bloqueio, e o estradiol fica para a fase tardia [5].
Quando a conduta muda?
- Ciclos fora de 24 a 38 dias, variação acima do esperado para a idade ou amenorreia [18]. Antes de chamar de variação normal, exclua gravidez e procure a causa em cada andar do eixo: hipotálamo, hipófise, ovário ou SOP [37].
- Fluxo por mais de 8 dias, sangramento intermenstrual ou volume que atrapalha a vida. É sangramento uterino anormal e pede investigação pela PALM-COEIN [18].
- Fase lútea de 10 dias ou menos em quem tenta engravidar ou tem perda de repetição. Documente a ovulação, conte os dias e trate a causa antes de repor progesterona [22].
- Mulher acima dos 40 com ciclos encurtando ou variando 7 dias ou mais. Pense em transição menopausal; o padrão menstrual posiciona melhor do que um FSH isolado [26].
- Sintomas de hipoestrogenismo sob bloqueio com progestagênio. É hora de pensar em falência ovariana e de rever a necessidade de estradiol.
Em resumo
O ciclo é um diálogo entre hipotálamo, hipófise e ovário, regido pelo ritmo do GnRH. O folículo dominante faz estradiol com teca e granulosa e dispara o pico de LH; o corpo lúteo vive 12 a 14 dias, e sua morte faz a mulher menstruar. Como a fase lútea varia pouco, a progesterona se dosa 7 dias após a ovulação, não no dia 21, e nunca se lê sozinha. Quem domina essa fisiologia deixa de prescrever por protocolo e passa a prescrever por raciocínio.
O que muda no consultório
- 1Pergunte a duração dos ciclos e a data da última menstruação antes de interpretar qualquer exame hormonal.
- 2Peça FSH, LH e estradiol do 3º ao 5º dia; a progesterona, 7 dias após a ovulação, ou cerca de 7 dias antes da menstruação esperada.
- 3Leia progesterona acima de 3 ng/mL como ovulação e não diagnostique deficiência lútea por um valor isolado baixo.
- 4Na suspeita de deficiência lútea, documente a ovulação (ultrassom seriado ou LH urinário) e conte os dias até a menstruação.
- 5Antes de repor progesterona por fase lútea curta, procure a causa: tireoide, prolactina, SOP, restrição energética, perimenopausa.
- 6Em usuária de contraceptivo combinado, não use FSH para diagnosticar menopausa.
- 7Lembre que terapia hormonal da menopausa não é contracepção: raramente suprime a ovulação.
Perguntas frequentes
Quanto dura uma fase lútea normal?
Em geral de 12 a 14 dias. Num grande banco de ciclos registrados em aplicativo, a média foi de 12,4 dias; num estudo clássico com dosagem de LH, de 14,1 dias. A ASRM considera deficiência de fase lútea, pelo critério clínico, a fase de 10 dias ou menos.
Em que dia do ciclo devo pedir a progesterona?
Cerca de 7 dias após a ovulação, na fase mesolútea: a ASRM situa o pico entre 6 e 8 dias depois dela. Sem rastrear a ovulação, conte para trás: cerca de 7 dias antes da menstruação esperada. O dia 21 só acerta no ciclo de 28 dias com ovulação no 14º.
Progesterona baixa na fase lútea significa deficiência lútea?
Não necessariamente. A progesterona é secretada em pulsos e pode oscilar de 2,3 a 40,1 ng/mL em minutos; em ciclos ovulatórios, valores abaixo de 10 ng/mL aparecem em cerca de um terço das dosagens. Acima de 3 ng/mL confirma ovulação, mas o diagnóstico de deficiência é clínico, pela duração da fase lútea.
Quanto tempo depois do teste de LH positivo acontece a ovulação?
No estudo da OMS, a ovulação ocorreu entre 24 e 56 horas após a primeira elevação do LH e entre 8 e 40 horas após o pico. Na prática, considera-se o dia seguinte ao teste positivo como o dia da ovulação.
Menstruar todo mês prova que a mulher ovula?
Não. Ciclos anovulatórios são comuns na adolescência (metade dos ciclos só passa a ser ovulatória de 1 a 4,5 anos após a menarca) e na perimenopausa, e acontecem também em mulheres com ciclos de duração normal. A confirmação vem da progesterona acima de 3 ng/mL na fase lútea ou do rastreamento da ovulação.
O que é a teoria das duas células e duas gonadotrofinas?
É o modelo de produção do estradiol pelo folículo. O LH estimula a teca a produzir androstenediona e testosterona; esses androgênios passam para a granulosa, onde o FSH ativa a aromatase que os converte em estrona e estradiol. A teca não tem aromatase e a granulosa não faz androgênio.
O anticoncepcional desliga o ovário?
O combinado suprime FSH e LH no centro e impede recrutamento e ovulação. O progestagênio isolado bloqueia sobretudo o pico de LH, e o estradiol fica em nível de fase folicular, sem o pico. Nenhum dos dois provoca menopausa, mas o combinado torna o FSH inútil para diagnosticá-la.
A terapia hormonal da menopausa serve como anticoncepcional?
Não. O estradiol em dose de reposição raramente suprime a ovulação ou altera o muco cervical. Na perimenopausa com ciclos presentes, a mulher que precisa de contracepção precisa de um método.
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Como citar este artigo
Jacobsen L. Ciclo menstrual: a fisiologia hormonal que todo prescritor precisa dominar. Blog Científico HORMOFEM [Internet]. 2026 nov 8. Disponível em: https://hormofem.com.br/blog/ciclo-menstrual-fisiologia-hormonal/

Dr. Leonardo Jacobsen
Ginecologia e Obstetrícia · CRM/SC 20930 · RQE 17351
Ginecologista, professor e pesquisador em endocrinologia feminina. Fundador da Escola HORMOFEM e autor do livro Terapia Hormonal Feminina.
Conteúdo educativo destinado a profissionais de saúde. Não substitui a avaliação individual nem estabelece conduta para um caso específico.
