Exame hormonal feminino só tem valor quando responde a uma pergunta clínica. O mesmo FSH, estradiol ou progesterona pode ser normal num dia do ciclo e anormal em outro, vir em ng/dL quando se espera pg/mL ou estar suprimido por um contraceptivo. Por isso, diante de "meus hormônios estão bons?", a resposta honesta começa por outra pergunta: bons para responder o quê?
O exame hormonal feminino não é um retrato da mulher. É uma fotografia de um eixo que pulsa, que muda a cada dia do ciclo e que responde a contraceptivo, a terapia hormonal, a peso, a estresse e até ao método do laboratório. Pedido sem pergunta clínica e lido sem contexto, ele produz diagnóstico errado com aparência de precisão. Pedido na hora certa, pelo método certo, ele decide condutas. Este artigo organiza o que pedir, quando colher, como ler e, principalmente, quando o exame não ajuda.
Exame hormonal feminino responde a qual pergunta?
Todo exame hormonal precisa nascer de uma pergunta clínica. Ela está ovulando? A reserva ovariana é compatível com a idade? Há excesso de androgênio, e de onde ele vem? Existe insuficiência ovariana prematura? A terapia hormonal está sendo absorvida? Cada pergunta define o exame, o dia da coleta e o método.
Na primeira consulta, eu peço um perfil hormonal amplo como linha de base, junto com o metabólico, a tireoide, as vitaminas e os exames de rastreio. Faço isso para conhecer a paciente, não para diagnosticar por número. As diretrizes não exigem esse painel para quem está bem; a decisão, para mim e para elas, continua sendo clínica.
Exame hormonal é uma foto de um filme. Quem conta a história é o ciclo, e a clínica é soberana.
O livro HORMOFEM resume esse cuidado num conceito-chave: o ciclo menstrual é complexo e dinâmico, os valores flutuam dentro do próprio ciclo e entre um ciclo e outro, e a maioria das hipóteses diagnósticas e das indicações terapêuticas se apoia mais na clínica do que no exame [1]. Não estamos tratando números impressos no papel.
Em que dia do ciclo colher cada exame?
O dia da coleta não é burocracia. Ele muda o valor de referência e, às vezes, inverte a interpretação.
Início da fase folicular: FSH, LH e estradiol
Para avaliar o eixo e a reserva ovariana, eu peço FSH, LH e estradiol do 3º ao 5º dia do ciclo, contando o primeiro dia de sangramento como dia 1. Nessa janela se esperam FSH abaixo de 10 mUI/mL e estradiol entre 20 e 80 pg/mL [1]. É a fase de menor estradiol e de menor interferência do folículo dominante.

Figura 1. Valores séricos de estradiol esperados ao longo de um ciclo de 28 dias: 20 a 80 pg/mL do 1º ao 5º dia, 100 a 200 na fase mesofolicular, 300 a 400 no pico pré-ovulatório, 60 a 80 na lútea inicial e 100 a 200 na mesolútea. Um mesmo número pode ser normal num dia e anormal em outro.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [1]. Ilustração do livro, com a atualização da 7ª edição (no prelo).
Meio da fase lútea: progesterona, e por que o "dia 21" engana
A progesterona confirma ovulação quando é colhida no pico da função do corpo lúteo, 6 a 8 dias depois da ovulação [2]. O famoso "dia 21" só acerta esse alvo num ciclo de 28 dias com ovulação no 14º. Se a mulher ovula no 10º dia, o momento certo é o 17º ou 18º; se ovula no 17º, é o 24º ou 25º. A regra prática que funciona para qualquer ciclo regular é colher cerca de 7 dias antes da menstruação esperada: num ciclo de 35 dias, isso cai perto do 28º dia; num de 24, perto do 17º. Num banco de mais de 612 mil ciclos ovulatórios, só 13% tinham 28 dias; a fase folicular foi de 10,4 dias nos ciclos de 15 a 20 dias e de 26,8 dias nos de 36 a 50, enquanto a lútea ficou em média em 12,4 dias [26]. Quem varia é a fase folicular, e por isso a conta se faz para trás, a partir da menstruação.
Um valor acima de 3 ng/mL é presuntivo de ovulação [2]. O resto exige cautela. A secreção do corpo lúteo acompanha os pulsos de LH, e a progesterona pode variar até oito vezes em 90 minutos; em ciclos ovulatórios, valores abaixo de 10 ng/mL aparecem em 31,3% das dosagens [2]. Por isso nenhuma concentração isolada define função lútea normal, e o diagnóstico de deficiência de fase lútea continua sendo clínico, pela duração da fase lútea de 10 dias ou menos [2].
Qualquer dia: AMH, prolactina, TSH, SHBG e DHEA-S
O AMH é produzido pelos folículos pré-antrais de forma praticamente constante, e colhê-lo num dia fixo não traz vantagem sobre a coleta aleatória [3]. Prolactina, TSH, SHBG e DHEA-S também dispensam data no ciclo. Na mulher em amenorreia ou com ciclos muito irregulares, o FSH para investigar insuficiência ovariana prematura também não precisa ser datado [4].
Androgênios e 17-OH-progesterona: manhã e fase folicular
A testosterona tem ritmo circadiano, é mais alta de manhã e varia cerca de 25% em torno da média; na mulher que ovula, faz um pico no meio do ciclo [5]. Por isso as referências são padronizadas para coleta de manhã, entre o 4º e o 10º dia do ciclo [5]. A 17-OH-progesterona segue a mesma lógica: de manhã, na fase folicular, ou em qualquer dia na mulher sem ciclos [5], porque a progesterona lútea eleva o valor e cria falso positivo.
Na prática, não faz sentido mandar a paciente ao laboratório três vezes no mesmo mês. Eu colho androgênios e 17-OH-progesterona de manhã, junto com FSH, LH e estradiol, no início do ciclo, e deixo a progesterona para quando a pergunta for ovulação.
Imunoensaio ou espectrometria de massa: faz diferença?
Faz, e muita, nos valores baixos. A maioria dos laboratórios dosa esteroides por imunoensaio, que tem viés variável entre plataformas e reatividade cruzada com metabólitos conjugados e não conjugados; por isso, resultados de laboratórios diferentes não devem ser comparados [6]. A Endocrine Society reconhece que imunoensaios e espectrometria de massa servem bem para a faixa da reprodução e da infertilidade, mas que as concentrações muito baixas de estradiol, como as da pós-menopausa, não são medidas com exatidão nem precisão pela rotina [7].
Com a testosterona feminina o problema é maior. O consenso global classifica os ensaios diretos de testosterona total e livre como muito pouco confiáveis na faixa feminina (grau A), enquanto a cromatografia líquida ou gasosa acoplada à espectrometria de massa em tandem mede com exatidão e reprodutibilidade [8]. Os ensaios diretos de testosterona livre também não são confiáveis; o caminho é calcular a fração livre a partir da testosterona total e da SHBG ou usar diálise de equilíbrio [5, 9]. A diretriz internacional de SOP de 2023 foi na mesma direção: LC-MS/MS no lugar do imunoensaio direto para a testosterona total e, quando necessário, para androstenediona e DHEA-S, com a fração livre por cálculo, diálise de equilíbrio ou precipitação [27].
O exemplo mais didático vem da progesterona. Depois de uma cápsula oral de 100 mg, o radioimunoensaio registrou pico médio de 19,4 ng/mL, enquanto a espectrometria de massa, no mesmo estudo, mostrou pico de 1,5 a 2,2 ng/mL, de volta à linha de base em 4 a 6 horas [1, 10]. A diferença são os metabólitos da progesterona oral, que o imunoensaio lê como se fossem progesterona. Os autores concluíram que o radioimunoensaio direto não serve depois de progesterona oral, porque dá valores cerca de oito vezes mais altos [10].

Figura 2. Progesterona sérica após dose única de progesterona micronizada oral (100 mg) e de gel vaginal (90 mg), medida por radioimunoensaio (RIA, linhas tracejadas) e por espectrometria de massa (LC-MS, linhas contínuas). Na via oral, o RIA superestima o pico várias vezes; na vaginal, com menos metabolismo de primeira passagem, os dois métodos quase coincidem.
Adaptado de: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [1], com dados de Levine e Watson, 2000 [10].
A armadilha da unidade
A mesma confusão acontece com a 17-OH-progesterona (ng/mL ou ng/dL) e com a testosterona (ng/dL ou nmol/L; 1 nmol/L corresponde a cerca de 29 ng/dL).
O que pedir e como ler cada exame?
Tabela 1. Exames hormonais femininos: quando pedir, quando colher e a armadilha mais comum.
| Exame | Quando pedir | Quando colher | Armadilha |
|---|---|---|---|
| FSH | Reserva ovariana; suspeita de insuficiência ovariana prematura; menopausa antes dos 45 anos; usuária de progestagênio isolado acima de 50 anos | 3º ao 5º dia; em amenorreia, qualquer dia | Na perimenopausa flutua de um ciclo para outro; suprimido por contraceptivo combinado e por terapia hormonal |
| LH | Junto com o FSH, para ler o eixo | 3º ao 5º dia | Pouco valor isolado; pico ovulatório confunde se colhido fora da janela |
| Estradiol | Reserva (com o FSH); amenorreia; dúvida de absorção na terapia transdérmica | 3º ao 5º dia; na terapia, horário padronizado | Unidade (pg/mL x ng/dL); imunoensaio impreciso em valores baixos; sem valor com estradiol oral ou combinado |
| Progesterona | Confirmar ovulação; suspeita de deficiência lútea | 6 a 8 dias após a ovulação (7 dias antes da menstruação esperada) | "Dia 21" fixo; secreção pulsátil; imunoensaio superestima com progesterona oral |
| Prolactina | Amenorreia, oligomenorreia, galactorreia, infertilidade | Qualquer dia, sem estresse de punção | Medicamentos, hipotireoidismo, macroprolactina, efeito gancho |
| TSH | Irregularidade menstrual, infertilidade, insuficiência ovariana, SOP | Qualquer dia | Tratar distúrbio menstrual sem afastar tireoide |
| AMH | Reserva ovariana; planejamento reprodutivo; dúvida diagnóstica de insuficiência ovariana | Qualquer dia | Lido como teste de fertilidade; reduzido por contraceptivo; elevado na SOP |
| Testosterona total | Hiperandrogenismo; antes e durante terapia androgênica | Manhã, 4º ao 10º dia | Imunoensaio direto não confiável na faixa feminina; não diagnostica desejo sexual baixo |
| SHBG | Junto com a testosterona, para calcular a fração livre | Qualquer dia | Sobe com estrogênio oral e combinado; cai com obesidade e resistência à insulina |
| DHEA-S | Hiperandrogenismo, suspeita de origem adrenal | Qualquer dia | Valor muito alto ou virilização rápida pedem investigação de tumor |
| Androstenediona | Hiperandrogenismo com testosterona normal | Manhã, fase folicular | Origem mista, ovariana e adrenal; não localiza a fonte sozinha |
| 17-OH-progesterona | Diferencial de SOP com hiperplasia adrenal congênita não clássica | Manhã, fase folicular | Coleta na fase lútea dá falso positivo; unidade |
Adaptado de Jacobsen, 2025 [1]; ASRM, 2026 [2]; Martin et al., 2018 [5]; ESHRE, 2024 [4]; Teede et al., 2018 e 2023 [11, 27]; Tal e Seifer, 2017 [3].
FSH e LH
O FSH basal elevado tem alta especificidade e baixa sensibilidade para baixa reserva ovariana: quando vem alto, a reserva é baixa; quando vem normal, não exclui nada [3]. Ele precisa ser lido com o estradiol do mesmo dia. Um FSH de 7 com estradiol de 38 no 3º dia é tranquilizador; o mesmo FSH com estradiol de 108 não é, porque o estradiol alto de um folículo recrutado cedo suprime o FSH e mascara a reserva baixa [3]. FSH e LH baixos ou normais com estradiol baixo, em mulher sem ciclos, apontam para causa central, e não ovariana. O LH também separa as duas causas mais comuns de oligo e amenorreia: vem baixo na amenorreia hipotalâmica funcional e alto na SOP [31].

Figura 3. O que separa a amenorreia hipotalâmica funcional (FHA, à esquerda) da síndrome dos ovários policísticos (PCOS, à direita) na mulher com oligo ou amenorreia secundária. Olhe as linhas do LH e dos androgênios: baixos na hipotalâmica, altos na SOP. Na hipotalâmica, o IMC costuma ficar abaixo de 24 kg/m², o endométrio é fino e a densidade óssea cai; na SOP, o IMC é qualquer um, a insulina sobe e o endométrio é espesso. Embaixo, os dois exames que mais ajudam: SHBG normal na hipotalâmica e baixa na SOP; AMH discretamente alto na primeira e muito alto na segunda. A faixa cinza lista marcadores ainda em estudo.
Reproduzido de Phylactou M, Clarke SA, et al., Clin Endocrinol, 2021 [31], Figura 2, sob licença CC BY-NC (rótulos originais em inglês).
Na suspeita de insuficiência ovariana prematura, a diretriz de 2024 aceita um único FSH acima de 25 UI/L em mulher com amenorreia ou ciclos irregulares há pelo menos 4 meses, repetido em 4 a 6 semanas só se houver dúvida; estradiol abaixo de 50 pg/mL com FSH elevado indica hipoestrogenismo [4].

Figura 4. Fluxograma da diretriz ESHRE de 2024 para insuficiência ovariana prematura (POI, na sigla em inglês). Olhe o quadro do alto: o diagnóstico exige ciclo alterado há pelo menos 4 meses e FSH acima de 25 UI/L, e a ooforectomia bilateral antes dos 40 anos entra direto. Afastada a causa iatrogênica (quimioterapia, radioterapia, cirurgia ovariana), a investigação segue para cariótipo e pré-mutação do FMR1 (X frágil), com aconselhamento e consentimento, e depois para autoimunidade (anticorpo anti-21-hidroxilase e TSH); sem achado, a insuficiência é idiopática.
Fonte: Panay N, et al. Evidence-based guideline: premature ovarian insufficiency. Hum Reprod Open. 2024;2024(4):hoae065 [4], Figura 2. Acesso aberto, licença CC BY 4.0; legenda traduzida.
Estradiol
No início da fase folicular, o estradiol esperado fica entre 20 e 80 pg/mL [1]. Valor alto nessa janela é sinal de folículo recrutado antes da hora, típico da reserva baixa e dos ciclos LOOP da perimenopausa, em que um novo folículo cresce ainda dentro da fase lútea anterior [12]. Já atendi paciente com 351 pg/mL no 5º dia: ela estava ovulando, e a próxima menstruação veio com pouco mais de 20 dias.
Progesterona
Serve para uma pergunta: houve ovulação? Acima de 3 ng/mL na fase mesolútea, sim; um valor isolado baixo não fecha deficiência lútea [1, 2].
Prolactina e TSH
Uma única prolactina acima do limite superior confirma hiperprolactinemia, desde que a coleta não tenha sido feita sob estresse excessivo de punção; testes dinâmicos não são recomendados [13]. Antes de pensar em prolactinoma, afaste medicamentos que bloqueiam a dopamina, hipotireoidismo, insuficiência renal e gravidez. Na paciente assintomática, investigue macroprolactina; num adenoma grande com prolactina só discretamente elevada, peça diluição da amostra por causa do efeito gancho [13]. TSH e prolactina entram na exclusão de outras causas sempre que se investiga SOP [11], e o TSH faz parte da avaliação inicial da insuficiência ovariana prematura [4].
AMH
É o marcador mais precoce e sensível de reserva ovariana, e não é teste de fertilidade: prevê resposta à estimulação, não gravidez [3]. Na minha prática, uso como régua de cabeça os limites inferiores esperados para a idade: cerca de 2,5 ng/mL aos 30 anos, 1,5 aos 35 e 1 aos 40 [3]. A SOP eleva o AMH, e a supressão ovariana o reduz [3]. Em usuárias de contraceptivo oral, o AMH foi 19% menor e a contagem de folículos antrais 18% menor do que em não usuárias, depois de ajuste para idade [14].
O dado que mais desmonta o uso do AMH como teste de fertilidade é prospectivo. Em 750 mulheres de 30 a 44 anos, sem história de infertilidade e tentando engravidar havia até 3 meses, as que tinham AMH abaixo de 0,7 ng/mL engravidaram tanto quanto as de AMH normal: 65% contra 62% em 6 ciclos e 84% contra 75% em 12 [28]. A ASRM resume: os marcadores de reserva predizem quantos óvulos a estimulação vai render, mas são maus preditores do potencial reprodutivo independentemente da idade [29].
Antimülleriano não é fator de infertilidade. Ele prediz resposta ovariana e reserva, não a chance de gravidez.
No Brasil, um estudo do Hospital das Clínicas da USP estabeleceu valores de referência em 133 mulheres saudáveis: o AMH caiu com a idade e variou muito de uma mulher para outra; nessa amostra pequena, o contraceptivo não alterou o resultado [30], ao contrário do estudo dinamarquês com 887 mulheres. Na SOP, a diretriz de 2023 passou a aceitar o AMH no lugar do ultrassom para definir morfologia policística em adultas, nunca como teste isolado nem em adolescentes, e com pontos de corte do próprio ensaio [27].
A alternativa barata é a contagem de folículos antrais: ultrassom transvaginal no início do ciclo, somando os folículos de 2 a 10 mm dos dois ovários [3]. Na minha prática, espero cerca de 12 folículos aos 30 anos, 10 aos 35, 8 aos 40 e 6 aos 45, e considero reserva diminuída uma contagem abaixo de 7, um AMH abaixo de 1 ng/mL ou um FSH acima de 10 do 3º ao 5º dia. O ponto fraco é o operador: obesidade e vários ultrassonografistas comprometem a precisão [3].
Testosterona total e SHBG
A testosterona total, de preferência por espectrometria de massa, é o exame central do hiperandrogenismo; quando ela é normal e a clínica sugere excesso, calcule a testosterona livre com a SHBG [5]. A faixa que eu uso na mulher é de 20 a 80 ng/dL de testosterona total, a que ensino como fisiológica na aula de testosterona da pós-graduação, sempre lida contra o método e a faixa do laboratório. Com espectrometria de massa, em mulheres de 20 a 80 anos, a faixa de referência foi de 0,35 a 1,97 nmol/L, o que equivale a cerca de 10 a 57 ng/dL [15]. Para terapia androgênica, a dosagem tem outra função, que é evitar exposição suprafisiológica, e nunca diagnosticar desejo sexual baixo [8]. Uma revisão clínica de 2026 põe o teto em número: durante o tratamento, a testosterona deve ficar na faixa feminina normal, que depende do laboratório, em geral sem passar de 90 a 100 ng/dL (cerca de 3,1 a 3,5 nmol/L), para reduzir o risco de efeitos androgênicos [33]. Detalhei isso no artigo sobre testosterona em mulheres.
A SHBG é marcador de estado metabólico. Sobe com estrogênio oral, contraceptivo combinado, gravidez e hipertireoidismo; cai com obesidade, resistência à insulina, hipotireoidismo e uso de androgênios [9]. O alvo nunca é a SHBG em si, e sim a causa que a alterou.
DHEA-S, androstenediona e 17-OH-progesterona
O DHEA-S é o marcador da produção adrenal de androgênios [5]. A androstenediona, precursora imediata da testosterona, vem do ovário e da adrenal; ela aumenta a chance de detectar hiperandrogenemia quando a testosterona é normal, mas serve mais para excluir outras causas do que para localizar a fonte [5, 11]. Testosterona na faixa masculina ou DHEA-S acima de 700 µg/dL sugerem tumor [5].
A 17-OH-progesterona separa SOP de hiperplasia adrenal congênita não clássica por deficiência de 21-hidroxilase. Colhida de manhã, na fase folicular, um valor acima de 170 a 200 ng/dL tem cerca de 95% de sensibilidade e 90% de especificidade; o diagnóstico definitivo exige 1.000 a 1.500 ng/dL, basal ou após estímulo com cosintropina [5]. Valor limítrofe, eu repito antes de qualquer conduta; confirmado, encaminho o teste de estímulo ao endocrinologista. Cuidado com a unidade: 1 ng/mL equivale a 100 ng/dL, então 2 ng/mL e 200 ng/dL são o mesmo resultado.
Quando o exame hormonal não ajuda?
FSH para diagnosticar perimenopausa
Esse é o erro mais frequente. A perimenopausa se diagnostica pelo ciclo, não pelo sangue: diferença persistente de 7 dias ou mais entre ciclos consecutivos marca a transição inicial, e 60 dias ou mais de amenorreia, a tardia [16]. No SWAN, o FSH começou a subir 6,1 anos antes da última menstruação e acelerou cerca de 2 anos antes, enquanto o estradiol médio só começou a cair 2 anos antes [17].
Antes da última menstruação, o FSH já começa a subir; o estradiol médio só cai nos 2 anos finais (SWAN) [17].
Dose o FSH de uma perimenopáusica no 3º dia de vários ciclos e você verá 18, depois 20, depois 6, depois 12. Não é erro de laboratório; é a flutuação da inibina e da resposta folicular. Uma paciente de 44 anos com FSH de 18 pode menstruar até os 50. E a média esconde mulheres muito diferentes: o SWAN identificou quatro trajetórias de estradiol, e em cerca de 45% delas o estradiol subiu antes de cair [1, 18]. Se a paciente tem sintoma vasomotor, FSH alto e ainda menstrua todo mês, ela não precisa de estradiol por causa do número, como discuto ao diferenciar TDPM e perimenopausa.

Figura 5. As quatro trajetórias do estradiol em torno da última menstruação no SWAN: aumento e declínio acentuado (31,5%), estável (28,6%), declínio lento (26,9%) e aumento e declínio lento (13,1%). Em cerca de 45% das mulheres o estradiol sobe antes de cair, e nenhuma dosagem isolada diz em que ponto da curva a paciente está.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [1]. Ilustração do livro, adaptada de Tepper et al., 2012 [18].
O FSH só entra no meu raciocínio quando o ciclo deixa de ser régua: na histerectomizada, na usuária de SIU de levonorgestrel e na mulher com menos de 45 anos e amenorreia, em quem preciso afastar insuficiência ovariana e outras causas. Na usuária de contraceptivo combinado, ele não serve: o etinilestradiol mantém FSH, LH e estradiol suprimidos mesmo na semana de pausa [19]. Na usuária de progestagênio isolado acima de 50 anos em amenorreia, um FSH acima de 30 UI/L permite suspender a contracepção depois de mais um ano; abaixo disso, mantém-se o método e repete-se em um ano [19].
AMH para prever menopausa
O AMH prevê melhor do que o FSH, mas não o bastante para uso de rotina. No SWAN, com AMH abaixo de 10 pg/mL (0,01 ng/mL), a chance de a última menstruação ocorrer nos 12 meses seguintes foi de 51% antes dos 48 anos e de 79% a partir dos 51; com AMH acima de 100 pg/mL, a chance de não ocorrer foi de 97% e 90% [20]. É informação útil para aconselhar, não para indicar tratamento. A diretriz de insuficiência ovariana aceita o AMH para confirmar o diagnóstico quando o FSH é inconclusivo, mas não para prever quem vai ter a doença [4].
Painel hormonal lido como diagnóstico
Pedir um perfil amplo é diferente de diagnosticar por ele. Não existe valor padrão da relação estradiol/progesterona que indique normalidade ou predominância estrogênica [1], e nenhum ponto de corte de androgênio separa mulheres com e sem disfunção sexual [8]. Predominância estrogênica, desejo baixo, "hormônios desregulados": são diagnósticos clínicos. O laudo entra para excluir o que muda conduta, como hiperprolactinemia, tireoidopatia, insuficiência ovariana e hiperandrogenismo de causa tumoral.
Saliva e urina
Dosagem hormonal na saliva ou na urina para ajustar dose não é confiável e não é recomendada [21]. A Endocrine Society aponta a variabilidade entre ensaios e dentro do mesmo ensaio, o fluxo salivar que muda com hidratação e alimentação e a farmacocinética imprevisível dos manipulados [22]. Para testosterona, a diretriz de hirsutismo também recomenda não usar saliva nem urina [5].
Dosagem para guiar a terapia hormonal da menopausa
As diretrizes concordam em três pontos: não há nível de estradiol recomendado, a resposta se avalia pelos sintomas e o exame não deve ser rotina [1, 6]. A dosagem é inútil na usuária de estradiol oral, porque a estrona domina a circulação e o estradiol sérico não reflete a exposição [6, 22], e na usuária de contraceptivo combinado [6]. Na perimenopausa, não há como separar o estradiol endógeno do exógeno [6].
Isso não quer dizer que o exame nunca ajude. Com estradiol transdérmico, a variação entre mulheres na mesma dose é grande: numa coorte de 1.508 mulheres, 24,84% das que usavam a maior dose licenciada tinham estradiol abaixo de 200 pmol/L, cerca de 55 pg/mL [23]. A revisão de 2026 reconhece o papel da dosagem em sintomas que persistem após iniciar ou subir a dose, no uso da terapia só para osso, na mulher com menos de 45 anos e na dúvida entre falta e excesso; o nível ideal depende do tecido, do desfecho e do método [24]. Se ela aplica o gel no braço, a coleta deve ser do outro lado, ou com aplicação na coxa na véspera, porque a contaminação da punção produz valores absurdos [24].
Das mulheres na maior dose licenciada de estradiol transdérmico tinham estradiol abaixo de cerca de 55 pg/mL [23].
A Tabela 2 mostra o estradiol médio que cada dose entrega nos estudos de registro. A média engana: o desvio-padrão chega a 60% dela nas doses altas [24].
Tabela 2. Estradiol sérico médio no estado de equilíbrio, por formulação e dose de estradiol transdérmico, em mulheres saudáveis na pós-menopausa (imunoensaio direto).
| Formulação | Dose de estradiol | Estradiol médio (pg/mL) |
|---|---|---|
| Adesivo, troca 2 vezes por semana | 25 µg/dia | 26 |
| 37,5 µg/dia | 34 | |
| 50 µg/dia | 47 a 57 | |
| 75 µg/dia | 72 a 74 | |
| 100 µg/dia | 89 a 104 | |
| Gel 0,06% (0,75 mg por dose do dosador) | 0,75 mg/dia (1 dose) | 28 |
| 1,5 mg/dia (2 doses) | 68 | |
| 3 mg/dia (4 doses) | 103 | |
| Gel 0,1% em sachê | 0,25 mg/dia | 10 |
| 0,5 mg/dia | 21 | |
| 1 mg/dia | 31 | |
| Spray transdérmico | 1,53 mg/dia (1 jato) | 20 |
| 3,06 mg/dia (2 jatos) | 31 | |
| 4,59 mg/dia (3 jatos) | 31 |
Adaptado de Glynne e Simon, 2026 [24]. Nos adesivos, a faixa reúne dois produtos. Médias acima de 55 pg/mL só aparecem a partir de 50 µg/dia de adesivo ou de 2 doses de gel 0,06%.
No Método HORMOFEM, a clínica decide. Na paciente que melhora, mantenho e reavalio. Na assintomática, que não me dá resposta clínica para ler, e na que responde parcialmente ou falha, eu doso e uso como alvo estradiol de 60 a 150 pg/mL, como está na atualização da 7ª edição do livro [1]. É opinião de especialista, fundamentada na hipótese do limiar de estrogênio e nos estudos de farmacocinética, e não recomendação de diretriz.

Figura 6. Método HORMOFEM de reavaliação da terapia hormonal da menopausa: a avaliação clínica vem primeiro; o estradiol sérico entra na resposta parcial, na falha terapêutica e na paciente assintomática, com alvo de 60 a 150 pg/mL. Opinião de especialista, não diretriz.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [1], com a atualização da 7ª edição (no prelo).
Com a progesterona da terapia hormonal, o raciocínio é outro. A dose se escolhe pelos estudos de proteção endometrial e pela dose de estradiol, não pelo exame. A dosagem pela manhã pode mostrar absorção, mas um valor baixo não muda conduta, porque a progesterona oral tem pico e vale e não existe valor-alvo definido [1]. Para a pergunta endometrial, o exame certo é outro, como discuto no artigo sobre o teste de progesterona.
Contraceptivo e terapia hormonal: o que eles mudam nos resultados?
Tabela 3. Efeito do contraceptivo e da terapia hormonal sobre os exames hormonais.
| Situação | O que muda no laboratório | Como ler |
|---|---|---|
| Contraceptivo combinado com etinilestradiol | FSH, LH e estradiol suprimidos, inclusive na pausa; SHBG sobe cerca de 99 nmol/L; testosterona livre cai 61%; AMH cerca de 19% menor | Não usar FSH para definir menopausa; avaliar androgênios só após 3 meses sem o método; ler AMH sabendo que vem subestimado |
| Progestagênio isolado e SIU de levonorgestrel | O SIU mantém o ciclo ovariano; FSH interpretável | Acima de 50 anos em amenorreia, FSH acima de 30 UI/L orienta a suspensão |
| Estradiol oral na terapia hormonal | Estrona e sulfato de estrona muito altos; SHBG sobe | Estradiol sérico não reflete a exposição; testosterona livre cai |
| Estradiol transdérmico | Estradiol interpretável; FSH moderadamente suprimido | Dosar só em situação selecionada; cuidado com contaminação do gel |
| Progesterona micronizada oral | Imunoensaio lê metabólitos como progesterona | Valor alto não garante, valor baixo pela manhã não condena |
| Testosterona em tratamento | Nível depende de absorção individual | Dosar para evitar nível suprafisiológico, não para tratar até um alvo |
Adaptado de FSRH, 2023 [19]; Zimmerman et al., 2014 [25]; Birch Petersen et al., 2015 [14]; Teede et al., 2018 [11]; Stuenkel et al., 2015 [22]; Levine e Watson, 2000 [10]; Davis et al., 2019 [8].
O contraceptivo combinado é o maior fator de confusão do consultório. Ele reduz a produção ovariana e adrenal de androgênios e eleva a SHBG; numa metanálise de 42 estudos, a testosterona total caiu 0,49 nmol/L, a livre caiu 61% e a SHBG subiu 99 nmol/L, e a testosterona livre caiu o dobro da total por causa da SHBG [25]. Por isso a diretriz de SOP afirma que não é possível avaliar hiperandrogenismo bioquímico com segurança em quem usa contracepção hormonal; quando a dosagem é importante, recomenda suspender o método por três meses ou mais, com contracepção não hormonal nesse período, e a versão de 2023 manteve a recomendação [11, 27].
Quais são os erros de interpretação mais comuns?
- Diagnosticar perimenopausa ou menopausa pelo FSH na mulher que ainda menstrua, ou em quem usa combinado [16, 19].
- Chamar de deficiência lútea uma progesterona colhida no dia errado, ou um valor isolado abaixo de 10 ng/mL num ciclo ovulatório [2].
- Ler estradiol em ng/dL como se fosse pg/mL e concluir que um implante não liberou hormônio.
- Tratar testosterona de imunoensaio direto como número exato na faixa feminina [8].
- Dar a infertilidade como explicada pelo AMH baixo, ou tranquilizar a paciente pelo AMH normal [3].
- Dosar estradiol em quem usa estradiol oral e subir a dose pelo número [22].
- Mudar a dose da terapia hormonal por oscilação dentro da faixa terapêutica, quando o método e o horário da coleta já mudam o resultado [24].
- Esquecer a anamnese farmacológica diante de prolactina alta [13].
Quando o exame muda a conduta?
Alguns resultados tiram o caso do consultório de rotina e pedem ação rápida:
- Testosterona na faixa masculina, DHEA-S acima de 700 µg/dL ou virilização de evolução rápida: investigar tumor ovariano ou adrenal, com imagem [5].
- FSH acima de 25 UI/L em mulher com menos de 40 anos e ciclos alterados há 4 meses: insuficiência ovariana prematura, com investigação de causa e reposição hormonal [4].
- Prolactina elevada com cefaleia ou alteração visual, ou sem causa farmacológica: ressonância de sela [13].
- 17-OH-progesterona acima do ponto de corte: encaminhar para teste de estímulo e aconselhamento genético [5].
- Amenorreia em idade reprodutiva: beta-hCG antes de qualquer outro exame [5].
Afastada a gravidez, a ASRM lê o painel da amenorreia secundária por padrões, e muitas vezes poucos exames bastam (Tabela 4) [32].
Tabela 4. Amenorreia secundária (sem menstruação há mais de 3 meses com ciclos antes regulares, ou há mais de 6 meses com ciclos antes irregulares) e beta-hCG negativo: padrão do painel, hipótese e próximo passo.
| Padrão laboratorial e de ultrassom | Hipótese | Próximo passo |
|---|---|---|
| FSH e LH altos, estradiol baixo, AMH e contagem de folículos antrais baixos, endométrio abaixo de 5 mm | Insuficiência ovariana prematura | Investigar a insuficiência ovariana |
| FSH, LH e estradiol normais, contagem de folículos normal, endométrio abaixo de 5 mm, sem sangramento após progestagênio, história de manipulação uterina | Sinéquias uterinas | Histerossonografia ou histeroscopia |
| FSH baixo ou normal, LH e estradiol baixos, contagem de folículos normal, endométrio abaixo de 5 mm | Hipogonadismo hipogonadotrófico (considerar uso de hormônio exógeno) | Ressonância de crânio |
| FSH normal, estradiol baixo, prolactina alta, TSH normal | Hiperprolactinemia | Repetir a prolactina; se seguir alta, ressonância de hipófise (sobretudo com prolactina acima de 100 ng/mL, cefaleia ou alteração visual) e pesquisa de macroprolactina |
| FSH e estradiol normais, TSH alterado, prolactina normal | Doença tireoidiana | Avaliar e tratar a tireoide |
| FSH e estradiol normais, LH normal ou no limite superior, AMH e contagem de folículos normais ou altos, TSH e prolactina normais | SOP, se houver hiperandrogenismo clínico ou bioquímico e os critérios forem cumpridos; se não, anovulação idiopática | Aplicar os critérios diagnósticos de SOP |
Adaptado de ASRM, 2024 [32], Figura 2. No fluxograma original, LH, AMH, ultrassom pélvico (espessura endometrial e contagem de folículos antrais) e teste do progestagênio são opcionais.
Se o sangramento é o problema, a investigação muda de eixo, como mostro no artigo sobre sangramento intenso na perimenopausa.
Em resumo
Exame hormonal feminino responde perguntas, não descreve a mulher. A pergunta define o exame, o dia de coleta e o método: FSH, LH e estradiol no início da fase folicular, progesterona 7 dias antes da menstruação, androgênios de manhã e AMH em qualquer dia. FSH não diagnostica perimenopausa, AMH não mede fertilidade, saliva não guia dose, e o estradiol da terapia hormonal se dosa em situações selecionadas, nunca na via oral. Contraceptivo combinado e estrogênio oral mudam quase todos os resultados. No fim, o laudo confirma ou exclui; quem decide é a clínica.
O que muda no consultório
- 1Escreva a pergunta clínica ao lado de cada exame antes de pedir.
- 2Peça FSH, LH, estradiol e androgênios de manhã, do 3º ao 5º dia, e a progesterona 7 dias antes da menstruação esperada.
- 3Na perimenopausa, posicione a paciente pelo ciclo; FSH só quando o ciclo deixa de ser régua.
- 4Prefira espectrometria de massa para testosterona feminina; com imunoensaio, use o número só para excluir excesso.
- 5Em usuária de combinado, não use FSH para menopausa e suspenda o método por 3 meses antes de avaliar androgênios.
- 6Na terapia hormonal, não dose estradiol na via oral; na transdérmica, dose quando a resposta é parcial, falha ou a paciente é assintomática.
Perguntas frequentes
Em que dia do ciclo devo pedir FSH e estradiol?
Do 3º ao 5º dia do ciclo, contando o primeiro dia de sangramento como dia 1. Nessa janela se esperam FSH abaixo de 10 mUI/mL e estradiol entre 20 e 80 pg/mL. Em mulher em amenorreia, o FSH pode ser colhido em qualquer dia.
A progesterona tem de ser colhida no dia 21?
Só num ciclo de 28 dias com ovulação no 14º. O alvo é a fase mesolútea, 6 a 8 dias após a ovulação, o que na prática significa cerca de 7 dias antes da menstruação esperada. Num ciclo de 35 dias, isso cai perto do 28º dia.
FSH alto confirma que a paciente está na perimenopausa?
Não. O FSH começa a subir anos antes da última menstruação e flutua de um ciclo para outro na transição. O estadiamento se faz pelo padrão menstrual: variação persistente de 7 dias entre ciclos na fase inicial e 60 dias de amenorreia na tardia.
Preciso suspender o anticoncepcional para dosar hormônios?
Depende do exame. O combinado suprime FSH, LH e estradiol mesmo na pausa, eleva a SHBG e reduz a testosterona livre; para avaliar androgênios, a diretriz de SOP recomenda suspender por 3 meses ou mais. Prolactina e TSH podem ser dosados em uso do método.
AMH baixo significa que a mulher não vai engravidar?
Não. O AMH prevê a resposta à estimulação ovariana e a reserva, não a chance de gravidez espontânea: num estudo prospectivo, mulheres de 30 a 44 anos com AMH abaixo de 0,7 ng/mL engravidaram tanto quanto as de AMH normal. Ele deve ser lido contra o esperado para a idade e vem subestimado em quem usa contraceptivo.
Imunoensaio ou espectrometria de massa para testosterona?
Espectrometria de massa, sempre que disponível. Os ensaios diretos de testosterona total e livre são pouco confiáveis na faixa feminina. Na falta dela, o imunoensaio serve para excluir valor basal alto e nível suprafisiológico durante o tratamento.
Dosagem hormonal na saliva é confiável?
Não para ajustar dose. A variabilidade do ensaio e do fluxo salivar torna o resultado imprevisível, e as sociedades de menopausa e de endocrinologia não recomendam o método.
Devo dosar estradiol em quem usa terapia hormonal?
Não de rotina, e nunca na via oral, em que a estrona domina a circulação. Na via transdérmica, a dosagem ajuda quando os sintomas persistem, na paciente assintomática, na menopausa antes dos 45 anos e quando a terapia é só para osso.
Qual a faixa normal de testosterona total na mulher?
Depende do método e do laboratório. O Dr. Leonardo Jacobsen usa 20 a 80 ng/dL; com espectrometria de massa, a faixa descrita em mulheres de 20 a 80 anos foi de cerca de 10 a 57 ng/dL. Em tratamento, uma revisão de 2026 recomenda, em geral, não passar de 90 a 100 ng/dL. O valor não diagnostica desejo sexual baixo.
Referências
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Como citar este artigo
Jacobsen L. Exames hormonais femininos: o que pedir, quando colher e como interpretar. Blog Científico HORMOFEM [Internet]. 2026 nov 8. Disponível em: https://hormofem.com.br/blog/exames-hormonais-femininos/

Dr. Leonardo Jacobsen
Ginecologia e Obstetrícia · CRM/SC 20930 · RQE 17351
Ginecologista, professor e pesquisador em endocrinologia feminina. Fundador da Escola HORMOFEM e autor do livro Terapia Hormonal Feminina.
Conteúdo educativo destinado a profissionais de saúde. Não substitui a avaliação individual nem estabelece conduta para um caso específico.
