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Menopausa: sintomas, diagnóstico e o que tratar

Definição, idade, quando dosar FSH, duração dos fogachos, consequências silenciosas, o que pedir na primeira consulta e o tratamento não hormonal com evidência.

Dr. Leonardo Jacobsen

Por Dr. Leonardo Jacobsen

Ginecologia e ObstetríciaCRM/SC 20930 · RQE 17351

8 nov 202631 min de leitura45 referências

Neste artigo
  1. O que é menopausa e com que idade ela acontece?
  2. Como diagnosticar a menopausa? Precisa dosar FSH?
  3. Quais são os sintomas da menopausa?
  4. Quais são as consequências da menopausa a longo prazo?
  5. O que pedir na primeira consulta da mulher na menopausa?
  6. Como tratar os sintomas sem hormônio?
  7. Quando a terapia hormonal entra na conversa?
  8. Quais são os erros mais comuns?
  9. Quando a conduta muda?
  10. Em resumo

A menopausa se diagnostica pela clínica. Acima dos 45 anos, 12 meses de amenorreia bastam, e o FSH não acrescenta nada [2, 8]. O sintoma mais comum não é o fogacho, e sim a dor articular e muscular [9]; o fogacho dura em mediana 7,4 anos [10]; e as consequências mais graves não doem, porque artéria, gordura visceral e osso mudam em torno da última menstruação, com ou sem queixa. No consultório, essas respostas costumam se perder: o FSH pedido para confirmar o que a clínica já confirmou, a dor articular tratada como ortopédica, o ganho de peso tratado como falta de disciplina.

A menopausa não é doença, mas também não é evento só ginecológico: é a perda da principal fonte de estradiol e progesterona de uma mulher que vai passar perto de metade da vida sem eles.

Imagem ilustrativa: Menopausa
Foto: Daniil Onischenko, no Unsplash

O que é menopausa e com que idade ela acontece?

Menopausa é uma data, não uma fase. É a última menstruação espontânea, reconhecida em retrospecto depois de 12 meses de amenorreia, e reflete o esgotamento folicular do ovário [1, 2]. Pelo STRAW+10, ela separa a transição menopausal (estágios -2 e -1) da pós-menopausa, que se divide em inicial (+1a, +1b e +1c, cerca de cinco a oito anos) e tardia (+2, até o fim da vida) [1]. Climatério é o termo guarda-chuva que cobre todo esse período.

No mundo, a idade típica é de 50 a 51 anos nos países de alta renda. No Brasil, o dado populacional mais recente coloca a mediana em 48 anos. No Estudo Brasileiro da Menopausa, com 1.500 mulheres de 45 a 65 anos, a irregularidade menstrual começou em mediana aos 46 anos, os fogachos aos 47 e a última menstruação aos 48, sem diferença entre classes socioeconômicas [3]. É o número que eu uso com as pacientes, sempre com a ressalva de que é média: há quem pare aos 44 e quem ainda menstrue aos 55.

Tabela 1. Classificação da menopausa pela idade e pela causa, e o que muda na conduta.

Tipo Definição O que muda
Natural Última menstruação espontânea entre 45 e 55 anos Diagnóstico clínico, sem exame
Precoce Natural entre 40 e 44 anos FSH entra para confirmar; risco cardiovascular e ósseo maior
Insuficiência ovariana prematura (IOP) Antes dos 40 anos FSH acima de 25 UI/L com 4 meses de oligo ou amenorreia; reposição ao menos até a idade da menopausa natural
Cirúrgica Ooforectomia bilateral, em qualquer idade Queda abrupta, sintomas mais intensos e risco cardiovascular maior que o da natural
Induzida Quimioterapia, radioterapia pélvica ou supressão medicamentosa A função ovariana pode voltar mesmo depois de 12 meses de amenorreia

Adaptado de Harlow et al., 2012 [1]; Panay et al., 2024 [4]; Jacobsen, 2025 [5].

A idade importa porque o tempo sem estrogênio é o que pesa. Na diretriz conjunta de IOP de 2024, a prevalência estimada da insuficiência ovariana antes dos 40 anos chegou a 3,5%, bem acima do 1% que se ensinava, e foi de 5,4% na América do Sul [4, 36]. E na metanálise de Muka, com 32 estudos e 310.329 mulheres, a menopausa antes dos 45 anos se associou a 50% mais doença coronariana (RR 1,50; IC 95% 1,28 a 1,76) e a 12% mais mortalidade por todas as causas [6]. A menopausa cirúrgica soma risco: numa análise de dados individuais de 10 estudos, ela teve risco cardiovascular 22% maior que a natural [7].

Como diagnosticar a menopausa? Precisa dosar FSH?

Acima dos 45 anos, com 12 meses de amenorreia, o diagnóstico é clínico e o FSH não acrescenta nada. É a recomendação do NICE e da Menopause Society, e é a minha prática [2, 8]. Na transição, o FSH sobe e desce de um ciclo para outro; uma dosagem é uma fotografia de um filme. Um FSH de 80 num mês pode virar 9 no seguinte, com estradiol de 300.

Antes dos 45 anos, o diagnóstico de menopausa só vale depois de afastadas as outras causas de amenorreia secundária: gravidez, amenorreia hipotalâmica funcional, hiperprolactinemia, tumor hipofisário, disfunção tireoidiana e síndrome dos ovários policísticos [5]. E uma regra que ensino no Curso HORMOFEM: FSH persistentemente alto em mulher jovem significa baixa reserva ovariana até prova em contrário, mesmo que ela ainda menstrue, porque o que cai primeiro é a inibina B, não o estradiol.

Duas situações embaralham o diagnóstico, além da menopausa induzida (Tabela 1). A usuária de anticoncepcional combinado ou de progestagênio em dose alta tem FSH suprimido, e a dosagem não deve ser usada para decidir [8]. E cerca de uma em cada dez mulheres ainda menstrua depois de 12 meses de amenorreia; sangramento nessa fase, porém, é tratado como sangramento pós-menopausa até que se prove o contrário [5]. Na histerectomizada em plena transição, com sintomas que flutuam, eu não fico perseguindo o FSH: conduzo pela clínica e, se preciso, bloqueio a flutuação e reponho estradiol por um tempo.

Quais são os sintomas da menopausa?

O sintoma mais prevalente não é o fogacho. Na metanálise de Fang, com 321 estudos e 482.067 mulheres de meia-idade, o primeiro lugar foi do desconforto articular e muscular, em 65,4% delas [9]. Os fogachos foram mais frequentes nos países de baixa renda (65,9%) do que nos de alta renda (49,7%), a América do Sul teve prevalência alta de depressão e de sintomas urogenitais, e a secura vaginal dobrou da pré para a pós-menopausa (21,2% para 44,8%) [9]. Na aula, é o dado que mais surpreende os alunos.

Prevalência combinada de 19 sintomas em mulheres de meia-idade, agrupados em quatro domínios: somático (fogachos, sono, desconforto cardíaco, cefaleia, dor articular e muscular), p

Figura 1. Prevalência combinada de 19 sintomas em mulheres de meia-idade, agrupados em quatro domínios: somático (fogachos, sono, desconforto cardíaco, cefaleia, dor articular e muscular), psicológico (exaustão física e mental, depressão, ansiedade, irritabilidade, oscilação de humor), urogenital (queixa sexual, secura vaginal, queixa urinária) e outros (esquecimento, dificuldade de concentração, formigamento, mudança na pele, pelos faciais, pele seca). Repare que a barra mais longa é a da dor articular e muscular, à frente dos fogachos, e que a exaustão física e mental vem logo atrás.

Reproduzido de Fang Y et al., BMC Public Health, 2024 [9], Figura 2, sob licença CC BY 4.0 (rótulos originais em inglês).

Os sintomas não chegam juntos, e a Figura 2 mostra a ordem em que costumam aparecer, das queixas da transição às doenças que só se revelam décadas depois [5].

Cronologia dos sintomas e consequências da menopausa. Aos 40 e poucos anos dominam os sintomas da flutuação (vasomotores, sono, humor); perto dos 50, os do hipoestrogenismo (síndro

Figura 2. Cronologia dos sintomas e consequências da menopausa. Aos 40 e poucos anos dominam os sintomas da flutuação (vasomotores, sono, humor); perto dos 50, os do hipoestrogenismo (síndrome geniturinária, alterações metabólicas, queixas cognitivas); depois dos 60, as doenças crônicas que se formaram em silêncio.

Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [5]. Ilustração do livro, adaptada de Ruan e Mueck, 2022, na versão da 7ª edição (no prelo).

Fogachos: por quanto tempo eles duram?

No SWAN, os sintomas vasomotores frequentes duraram, em mediana, 7,4 anos, e persistiram por 4,5 anos depois da última menstruação [10]. A duração dependeu do início: passou de 11,8 anos quando os fogachos começaram na pré-menopausa ou na perimenopausa inicial, e foi de 3,4 anos quando começaram já na pós-menopausa [10].

7,4 anos

Duração mediana dos sintomas vasomotores frequentes no SWAN; mais de 11,8 anos quando começam ainda na pré-menopausa ou na perimenopausa inicial [10].

O fogacho não depende do nível de estradiol, que não difere entre sintomáticas e assintomáticas, e sim da queda dele. Sem o freio estrogênico, os neurônios KNDy do hipotálamo (kisspeptina, neurocinina B e dinorfina) se hipertrofiam, a neurocinina B hiperestimula o centro termorregulador e a zona termoneutra se estreita: pequenas elevações da temperatura central passam a disparar vasodilatação e sudorese [5, 11]. Por isso o fogacho começa na perimenopausa, com estradiol às vezes alto, e por isso ele não é sinônimo de hipoestrogenismo. A Figura 3 mostra esse circuito, que é o alvo dos antagonistas da neurocinina.

O circuito do fogacho. No núcleo infundibular, o neurônio KNDy libera kisspeptina (Kiss), que estimula o neurônio de GnRH, e neurocinina B (NKB), que ativa o núcleo pré-óptico medi

Figura 3. O circuito do fogacho. No núcleo infundibular, o neurônio KNDy libera kisspeptina (Kiss), que estimula o neurônio de GnRH, e neurocinina B (NKB), que ativa o núcleo pré-óptico mediano (MnPO), de onde partem os comandos de defesa contra o calor, como a sudorese. Olhe o quadro da direita: sem a retroalimentação negativa do estradiol (E2), o neurônio KNDy se hipertrofia e passa a expressar mais kisspeptina e neurocinina B (genes KISS1 e TAC3). É no receptor NK3 da neurocinina B que age o fezolinetante; o elinzanetante bloqueia também o NK1.

Reproduzido de Menown e Tello, 2021 [43], Figura 1, sob licença CC BY-NC 4.0 (rótulos originais em inglês).

E fogacho não é só desconforto. No SWAN, sintomas vasomotores frequentes no início do seguimento se associaram a mais eventos cardiovasculares, fatais e não fatais (HR 1,51; IC 95% 1,05 a 2,17), e os persistentes ao longo dos anos, a um risco ainda maior (HR 1,77; IC 95% 1,33 a 2,35) [12]. Eu trato a mulher muito sintomática como marcadora de risco, e isso muda a atenção que dou à pressão, aos lípides e à glicemia dela.

Sono, humor e cognição

Os despertares noturnos são queixa de 40% a 60% das mulheres na menopausa, e o sono ruim se associa a piora do humor, da memória e do perfil cardiometabólico [5]. Parte disso é fogacho noturno; parte é independente dele. Na metanálise de Cintron, a terapia hormonal melhorou a qualidade do sono nas mulheres que tinham sintomas vasomotores, mas não nas que não tinham [13]. Na minha prática, botar a paciente para dormir é o primeiro passo: com sono, melhoram humor, fome, energia e adesão a todo o resto.

O humor piora na transição, e o risco não termina na última menstruação. No SWAN, que acompanhou 1.551 mulheres por mais de 20 anos, a chance de sintomas depressivos elevados foi maior na pós-menopausa do que na pré-menopausa (OR 1,49; IC 95% 1,09 a 2,04), com mais risco quando havia depressão prévia, ansiedade, sono ruim, fogachos intensos e pouco apoio social [14]. Discuti a sobreposição com os transtornos pré-menstruais no artigo sobre TDPM, perimenopausa e exacerbação pré-menstrual. A posição europeia (EMAS) gradua a conduta pela gravidade do episódio, com reavaliação em 3 a 4 semanas (Tabela 2) [44].

Tabela 2. Manejo do episódio depressivo na peri e na pós-menopausa, segundo a gravidade.

Gravidade Primeiro passo Tratamento Quem conduz
Leve Aconselhamento, psicoeducação e decisão compartilhada Espera vigilante ou intervenção de baixa intensidade por 2 semanas; se persistir ou piorar, psicoterapia ou farmacoterapia, incluindo a terapia hormonal Médico da atenção primária ou psicoterapeuta
Moderada Aconselhamento, psicoeducação e decisão compartilhada Psicoterapia ou farmacoterapia, incluindo a terapia hormonal Médico da atenção primária ou psicoterapeuta
Grave Aconselhamento, psicoeducação e decisão compartilhada Psicoterapia e farmacoterapia associadas Especialista em saúde mental
Seguimento Monitorização semanal e reavaliação clínica em 3 a 4 semanas Melhora acima de 50%: manter, com consulta a cada 2 a 4 semanas e, a partir do 3º mês, a intervalos maiores. Melhora abaixo de 50%: ajustar, com consulta a cada 1 a 2 semanas e nova reavaliação Especialista em saúde mental quando a resposta é insuficiente

Adaptado de Stute et al., 2020 (posição da EMAS) [44].

A "névoa cerebral" é real e, em boa parte, transitória. No SWAN, as mulheres na perimenopausa deixaram de ganhar desempenho com a repetição dos testes de memória e de velocidade de processamento, como acontecia na pré-menopausa; na pós-menopausa, o aprendizado voltou ao nível anterior [15]. É uma informação que tranquiliza a paciente que acha que está começando uma demência.

Articulações, pele e síndrome geniturinária

Condrócitos, sinóvia e osso subcondral têm receptores de estrogênio, e a dor articular difusa, com rigidez matinal, é das queixas que mais melhoram quando a mulher volta a ter estradiol [5, 9]. A pele perde até 30% do colágeno dérmico nos primeiros cinco anos depois da menopausa, com afinamento, ressecamento e cicatrização mais lenta [5].

A síndrome geniturinária, diferente do fogacho, não melhora com o tempo: progride. Secura, ardor, dispareunia, urgência e infecção urinária de repetição pedem tratamento local, possível na maioria das mulheres com contraindicação à terapia sistêmica, como detalhei no artigo sobre estrogênio vaginal na síndrome geniturinária. A queda de desejo sexual da meia-idade tem causas múltiplas, e a testosterona entra apenas no transtorno do desejo sexual hipoativo bem diagnosticado, como discuti no artigo sobre testosterona em mulheres.

A mulher que não sente nada na menopausa também está perdendo osso, artéria e músculo. O sintoma é o aviso, não a doença.

Dr. Leonardo Jacobsen

Quais são as consequências da menopausa a longo prazo?

As consequências mais graves não doem. Independentemente dos sintomas, a perda estrogênica aumenta o risco de doença cardiovascular, diabetes, cânceres ligados à adiposidade central, perda óssea e fratura por fragilidade [16]. Com frequência, a mulher mais saudável, que treina e come bem, é a que tem menos sintomas, e é justamente a que ouve "você não precisa de nada".

Coração e vasos

A doença cardiovascular é a principal causa de morte da mulher, e a artéria começa a mudar antes da última menstruação. Num estudo com 132 mulheres saudáveis, a dilatação mediada por fluxo da artéria braquial caiu de 9,9% na pré-menopausa para 5,5% na pós-menopausa inicial e 4,7% na tardia, independentemente dos fatores de risco clássicos [17]. No SWAN, a rigidez arterial medida pela velocidade de onda de pulso aumentou 7,5% ao ano no período de um ano em torno da última menstruação, contra 0,9% ao ano antes e nenhuma progressão depois [18]. Por isso a American Heart Association passou a tratar a transição como período de aceleração do risco cardiovascular e janela para a prevenção precoce [37].

A transição menopausal piora a função vascular. Em A, a função endotelial cai a cada estágio, da pré-menopausa à pós-menopausa tardia. Em B, a rigidez arterial acelera justamente n

Figura 4. A transição menopausal piora a função vascular. Em A, a função endotelial cai a cada estágio, da pré-menopausa à pós-menopausa tardia. Em B, a rigidez arterial acelera justamente no ano que cerca a última menstruação (UM), o período mais crítico para a artéria.

Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina [5]. Ilustração da 7ª edição (no prelo), com dados de Moreau et al., 2012 [17], e Samargandy et al., 2020 [18].

O perfil lipídico também muda pela menopausa e não só pela idade: sobem colesterol total, LDL, apoB e triglicerídeos, e o HDL perde função [5]. A pressão segue o mesmo caminho: a prevalência de hipertensão na mulher sai de menos de 10% aos 20 a 34 anos para 56% aos 55 a 64 [5].

Metabolismo, peso e composição corporal

"Nunca tive barriga e agora tenho" é a frase mais ouvida no consultório de menopausa, e ela tem base. No SWAN, com densitometria de corpo inteiro, o ritmo de ganho de gordura dobrou no início da transição e a massa magra passou a cair, até cerca de dois anos depois da última menstruação, sem aceleração proporcional do peso total [19]. A gordura visceral, medida por tomografia, ficou estável até dois anos antes da última menstruação e então subiu 8,2% ao ano até ela e 5,8% ao ano depois, associada a mais espessamento da carótida [20].

Gordura visceral e síndrome metabólica na transição menopausal. Em A, a gordura visceral acelera a partir de dois anos antes da última menstruação (UM). Em B, a chance anual de sín

Figura 5. Gordura visceral e síndrome metabólica na transição menopausal. Em A, a gordura visceral acelera a partir de dois anos antes da última menstruação (UM). Em B, a chance anual de síndrome metabólica sobe 45% na perimenopausa e 24% na pós-menopausa, independentemente do envelhecimento.

Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina [5]. Ilustração da 7ª edição (no prelo), com dados de Samargandy et al., 2021 [20], e Janssen et al., 2008 [21].

No mesmo estudo, a chance de desenvolver síndrome metabólica cresceu 45% a cada ano da perimenopausa (OR 1,45; IC 95% 1,35 a 1,56) e 24% a cada ano da pós-menopausa, já descontado o efeito da idade [21]. O mecanismo é hormonal e comportamental ao mesmo tempo: o estradiol atua nos neurônios POMC do núcleo arqueado como sinal de saciedade e no núcleo ventromedial sobre a termogênese; sem ele, a mulher tem mais fome, gasta menos em repouso, perde músculo e redistribui a gordura do quadril para o abdome [5].

Osso e músculo

A perda óssea mais rápida da vida da mulher acontece em torno da última menstruação. No SWAN, ela começou um ano antes da última menstruação e desacelerou dois anos depois; em dez anos, a coluna perdeu 10,6% da densidade, 7,4 pontos percentuais só nesses três anos, e o colo do fêmur perdeu 9,1% [22]. Uma em cada três mulheres acima de 50 anos terá fratura por fragilidade, e a fratura de quadril leva à morte em cerca de um quinto delas no primeiro ano e à perda de independência em boa parte das que sobrevivem [5]. O músculo acompanha: a massa magra cai cerca de 0,5% ao ano na transição, e osso e músculo se perdem juntos, na osteossarcopenia [5].

O que pedir na primeira consulta da mulher na menopausa?

A consulta de menopausa é a melhor oportunidade para rastrear doença crônica e câncer. O kit prático da Monash, de 2023, organiza a avaliação mínima: padrão de sangramento, contracepção, antecedente pessoal e familiar (trombose, câncer de mama e de endométrio, doença cardiovascular e hepática, osteoporose), tabagismo e álcool; peso, IMC e pressão; citologia e mamografia conforme o rastreamento vigente; perfil lipídico, glicemia, TSH, função renal e hepática, hemograma e, a critério, vitamina D [23]. O risco cardiovascular se estratifica com calculadora (Framingham, a escala americana ou o SCORE2), e o de fratura com o FRAX, com ou sem densitometria [5].

Além do que a diretriz exige, na primeira consulta eu peço ultrassom transvaginal, ultrassom de mamas, ultrassom de tireoide com Doppler e de abdome total, hemoglobina glicada, insulina, vitamina D, B12, ferritina, homocisteína, PCR e perfil hormonal, e repito um painel geral uma vez por ano. É conduta de consultório particular, não recomendação de diretriz: o ultrassom pélvico de rotina na assintomática, por exemplo, não é indicado pelas sociedades, porque aumenta falsos positivos e intervenções [5]. O colega precisa saber qual das duas está aplicando.

Como tratar os sintomas sem hormônio?

Precisa de tratamento não hormonal quem tem contraindicação real à terapia hormonal (câncer de mama, doença cardiovascular estabelecida, trombose, doença hepática grave) e quem não quer usá-la. A maior parte das contraindicações que aparecem no consultório é relativa, não absoluta, e vale separar uma da outra antes de tirar o hormônio da mesa. A terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz dos fogachos: na revisão Cochrane de 24 ensaios, reduziu a frequência semanal em 75% e a gravidade em 87% em relação ao placebo [11, 24]. Nenhuma opção não hormonal chega lá, e é preciso alinhar a expectativa antes de começar. Antes do medicamento, vale saber qual sintoma manda; a revisão de 2026 de Stute e Thurston organiza isso em cinco passos (Tabela 3) [45].

Tabela 3. Algoritmo ASCEND: manejo não hormonal guiado pelo sintoma dominante.

Passo O que fazer
1. Avaliar os sintomas Identificar o grupo dominante (vasomotor, sono, psicológico, urogenital, sexual, musculoesquelético ou misto) com a Menopause Rating Scale II e, se preciso, questionários dirigidos (Insomnia Severity Index, PHQ-2, GAD-7)
2. Estratificar a gravidade Classificar em leve, moderada ou grave e pesar impacto no trabalho, nas relações e no sono, comorbidades, risco cardiovascular e tromboembólico, antecedente de câncer, contraindicações à terapia hormonal e preferência da paciente
3. Considerar alternativas Afastar o que imita a perimenopausa: sangramento uterino anormal, hematúria, perda de peso inexplicada, febre, depressão grave ou de início recente, ideação suicida, déficit neurológico, doença tireoidiana, infecciosa, inflamatória ou neoplásica e distúrbio primário do sono
4. Estabelecer o plano Primeira linha pelo grupo dominante: no fogacho, TCC específica para menopausa, estilo de vida e medicamento não hormonal selecionado, inclusive antagonista da neurocinina; no sono, TCC para insônia e tratamento do que acorda a paciente; no humor, psicoterapia ou psicofármaco; na esfera urogenital, lubrificante, hidratante, fisioterapia pélvica e, se preciso, estrogênio vaginal
5. Reavaliar e decidir Repetir a escala e rever as metas em 6 a 12 semanas; resposta insuficiente pede combinação, revisão do diagnóstico e discussão de todo o leque, inclusive a terapia hormonal

Adaptado de Stute et al., 2026 [45], Figura 1 e texto.

A posição de 2023 da Menopause Society graduou cada opção pelo nível de evidência [11].

Tabela 4. Tratamentos não hormonais dos sintomas vasomotores, nível de evidência e como eu prescrevo.

Opção Recomendação (nível) Ganho além do placebo e cuidados Como eu uso
Terapia cognitivo-comportamental Recomendada (I) Cerca de 15% a 25% além do controle; reduz o incômodo dos fogachos e melhora sono e humor Primeira opção sem medicamento, sobretudo com insônia
Hipnose clínica Recomendada (I) Cerca de 45% a 55% além do controle de atenção; estudos de um único grupo de pesquisa Cinco sessões semanais com prática em casa
Desvenlafaxina Recomendada (I, classe dos IRSN) Cerca de 15% a 25%; náusea, insônia, queda da libido, aumento da pressão 50 mg; após 4 semanas, 100 mg se necessário
Venlafaxina Recomendada (I) Cerca de 10% a 25%; comparável ao estradiol oral 0,5 mg num ensaio; segura com tamoxifeno 37,5 mg, depois 75 mg, até 150 mg
Escitalopram, citalopram, paroxetina Recomendada (I, classe dos ISRS) Cerca de 5% a 35%; paroxetina inibe a CYP2D6: evitar com tamoxifeno 10 mg; 20 mg após 4 semanas se necessário
Gabapentina Recomendada (I) Cerca de 10% a 20% com 300 mg três vezes ao dia; tontura e sonolência no início 300 mg à noite, subindo até 300 mg três vezes ao dia
Fezolinetante Recomendada (I) Cerca de 20% a 25%; antagonista do receptor NK3; monitorar transaminases 45 mg uma vez ao dia, sem titulação
Oxibutinina Recomendada (I a II) Cerca de 30% a 50%; boca seca, dificuldade urinária; evitar acima dos 65 anos 2,5 a 5 mg duas vezes ao dia, ou 15 mg de liberação prolongada
Perda de peso Recomendada (II a III) Benefício maior no início da transição Sempre, quando há excesso de peso
Sertralina, fluoxetina, pregabalina, clonidina Não recomendadas Sem superioridade consistente ao placebo ou efeitos adversos demais Não uso para fogacho
Suplementos, fitoterápicos, soja, equol, canabinoides, acupuntura, ioga, exercício, respiração, resfriamento, evitar gatilhos Não recomendados (I a III) Sem evidência de efeito sobre o fogacho Exercício e dieta entram pela saúde geral, não pelo fogacho

Adaptado de The North American Menopause Society, 2023 [11], e Huang et al., 2025 [38] (ganho aproximado na frequência dos fogachos, sem ponderar tamanho ou qualidade dos ensaios), com as doses da prática do autor.

Terapia cognitivo-comportamental e hipnose

São as duas técnicas sem medicamento com nível I de evidência [11]. No MENOS 2, com 140 mulheres sem câncer de mama, a TCC em grupo e a autoaplicada reduziram o quanto os fogachos eram vividos como problema, com efeito mantido em 26 semanas e ganho em humor e qualidade de vida [25]. No ensaio de Elkins, com 187 mulheres na pós-menopausa, cinco semanas de hipnose clínica reduziram a frequência relatada dos fogachos em 74%, contra 17% no controle de atenção [26]. O que não funciona, segundo a mesma diretriz: respiração compassada, relaxamento e mindfulness para o fogacho especificamente [11].

Antidepressivos

ISRS e IRSN dão melhora leve a moderada, na menopausa natural e na cirúrgica: a redução da frequência variou de 25% a 69% nos ensaios [11]. No ensaio do MsFLASH, a venlafaxina 75 mg reduziu os fogachos em 47,6%, o estradiol oral 0,5 mg em 52,9% e o placebo em 28,6%, sem diferença significativa entre os dois tratamentos ativos [27]. Sertralina e fluoxetina não superaram o placebo de forma consistente e não são recomendadas [11]. O único antidepressivo aprovado nos Estados Unidos para fogacho é o mesilato de paroxetina 7,5 mg, que não existe no Brasil [11].

Na residência eu usava muito a paroxetina; hoje, no consultório, minha primeira escolha é a desvenlafaxina: começo com 50 mg e, se em quatro semanas a resposta não é suficiente e a pressão está controlada, subo para 100 mg. Se não funciona ou não é tolerada, troco por escitalopram ou paroxetina. Duas regras de segurança: na usuária de tamoxifeno, nada de paroxetina nem fluoxetina, que inibem a CYP2D6 e reduzem a conversão em endoxifeno, e a preferência passa a ser venlafaxina ou desvenlafaxina [11]; e a retirada é sempre gradual, para evitar a síndrome de descontinuação.

Gabapentina e oxibutinina

Na metanálise de Shan, com 21 ensaios e 3.519 participantes, a gabapentina reduziu a frequência dos fogachos em relação ao placebo, foi menos eficaz que o estrogênio e não diferiu dos antidepressivos na gravidade; sonolência e tontura foram de três a quatro vezes e meia mais frequentes [28]. Começar com 300 mg à noite é o pulo do gato na mulher com fogacho noturno e insônia, e a dose plena é 300 mg três vezes ao dia, pela meia-vida curta [11]. A pregabalina não é recomendada [11].

A oxibutinina, anticolinérgico da bexiga hiperativa, surpreende pelo tamanho do efeito. Com 15 mg de liberação prolongada, a frequência caiu 9,5 episódios por dia, contra 4,7 no placebo, e 73% das mulheres se disseram "muito melhor" [29]; em 150 mulheres, dois terços delas em tamoxifeno ou inibidor de aromatase, 2,5 e 5 mg duas vezes ao dia também superaram o placebo [30]. O preço é boca seca em metade das usuárias e a associação entre anticolinérgicos de uso prolongado e declínio cognitivo em idosas [11, 29].

Fezolinetante e os antagonistas da neurocinina

O fezolinetante bloqueia o receptor NK3 e atua direto no mecanismo do fogacho. No SKYLIGHT 1, a dose de 45 mg reduziu os fogachos moderados a graves em 2,55 episódios por dia a mais que o placebo em 12 semanas [31], e a metanálise dos ensaios chegou a 2,62 com a mesma dose [39]. No DAYLIGHT, feito só com mulheres que não podiam ou não queriam usar hormônio, a diferença em 24 semanas foi de 1,93 episódio por dia, com melhora do sono [40]. Em 52 semanas, o SKYLIGHT 4 ficou dentro do limite de segurança endometrial da FDA, com um caso de hiperplasia e um de câncer em 599 avaliadas [41]. A Anvisa aprovou o fezolinetante em junho de 2026 para sintomas vasomotores moderados a intensos [32].

Metanálise dos ensaios do fezolinetante: diferença média contra o placebo na frequência diária de fogachos moderados a graves em 12 semanas, com 30 mg (acima) e 45 mg (abaixo). Os

Figura 6. Metanálise dos ensaios do fezolinetante: diferença média contra o placebo na frequência diária de fogachos moderados a graves em 12 semanas, com 30 mg (acima) e 45 mg (abaixo). Os losangos à esquerda da linha do zero favorecem o medicamento. Olhe o tamanho do ganho: cerca de 2 a 2,6 episódios a menos por dia, com heterogeneidade zero entre os estudos.

Reproduzido de Rahman UA et al., Medicine (Baltimore), 2023 [39], Figura 3B, sob licença CC BY 4.0 (rótulos originais em inglês).

O elinzanetante, antagonista duplo dos receptores NK1 e NK3, reduziu a frequência em cerca de três episódios por dia a mais que o placebo nos ensaios OASIS 1 e 2, com melhora do sono [33]. No OASIS 4, com 474 mulheres em terapia endócrina para câncer de mama com receptor hormonal positivo, a vantagem em 12 semanas foi de 3,4 episódios por dia [42], justamente na paciente que mais precisa de alternativa.

Na minha leitura, o fezolinetante é uma boa notícia, mas não substitui a terapia hormonal: ele trata o fogacho e só o fogacho, sem efeito demonstrado sobre osso, músculo, artéria, síndrome geniturinária ou metabolismo [11]. Descontado o placebo, o ganho próprio dele fica em 20% a 25% [38]. Quando li esse número, achei baixo, e ainda não está claro que ele supere os antidepressivos na relação entre benefício e risco [38].

Estilo de vida: a base que a diretriz não "recomenda"

A diretriz não recomenda exercício, ioga ou dieta como tratamento do fogacho, porque os ensaios não mostraram efeito sobre ele [11]. Isso não diminui o papel deles no que mais mata a mulher na pós-menopausa. Para a paciente que não pode usar hormônio, eu desenho uma pirâmide, e não um tripé, porque a pirâmide tem hierarquia: com a base firme, o tratamento se sustenta mesmo que o topo não seja perfeito; sem base, nenhum medicamento sustenta. Na base, sono, treino de força com aeróbico, alimentação de verdade e saúde mental; no meio, os outros hormônios que ainda dá para otimizar (vitamina D, tireoide, insulina); no topo, medicamento e suplemento. Suplemento, para mim, pode entrar como tentativa, com a paciente sabendo que a evidência para o fogacho é fraca. Da pirâmide, só risco estradiol e progesterona. Ela sai do consultório com um plano, e não com um "não há o que fazer".

O fogacho raramente vem sozinho; para os outros domínios, a primeira linha não hormonal está na Tabela 5 [45].

Tabela 5. Primeira linha não hormonal para os sintomas além do fogacho (grau A: deve ser oferecida; B: deve ser considerada; 0: pode ser considerada).

Domínio Intervenção Evidência Grau Nota prática
Sono TCC para insônia Alta A Inclui os comportamentos de sono, com benefício duradouro
Psicológico TCC ou psicoterapia Alta A Isolada nos quadros leves a moderados; associada a psicofármaco nos graves
Psicológico Antidepressivos, ansiolíticos e outros psicofármacos Moderada a alta B Pelas indicações psiquiátricas habituais; considerar o efeito sexual de ISRS e IRSN e a sudorese em dose alta
Cognitivo Tratar sono, humor, fogacho e estresse Baixa a moderada 0/B Avaliação neuropsicológica se grave, progressivo, angustiante ou com piora de condição prévia
Sexual Aconselhamento sexual ou de casal Moderada B Melhor junto com avaliação e tratamento de dor, síndrome geniturinária, humor e fatores psicossociais
Vaginal e vulvovaginal Hidratantes e lubrificantes Moderada B Para secura e dispareunia; a tolerância varia
Urinário Fisioterapia do assoalho pélvico e treinamento vesical Moderada a alta B/A Urgência, frequência, incontinência e disfunção do assoalho pélvico
Transversal Atividade física, treino de força e nutrição adequada Moderada B Sustenta saúde cardiometabólica, musculoesquelética, sono, humor e função
Transversal Intervenções mente e corpo e digitais Baixa a moderada 0/B Podem ajudar no enfrentamento e no acesso; evidência e qualidade variam

Adaptado de Stute et al., 2026 [45], Tabela 2; as linhas dos sintomas vasomotores estão na Tabela 4.

Quando a terapia hormonal entra na conversa?

Indicação, escolha de hormônio, via, dose e seguimento estão no artigo sobre terapia hormonal da menopausa; aqui fica o enquadramento.

As indicações formais são quatro: sintomas vasomotores incômodos, síndrome geniturinária, prevenção da perda óssea e insuficiência ovariana prematura ou menopausa precoce [2]. O balanço entre benefício e risco é mais favorável antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos depois da última menstruação [2]. A terapia hormonal reduz as fraturas totais (RR 0,74), de quadril (RR 0,72) e vertebrais (RR 0,63) [35], e é a primeira linha para preservar o osso na mulher jovem sem contraindicação [2]. Na IOP e na menopausa precoce, a reposição não é opcional: é tratamento até, no mínimo, a idade da menopausa natural [2, 4].

26%

Redução das fraturas totais com terapia hormonal na metanálise de ensaios clínicos randomizados (RR 0,74) [35].

Nenhuma diretriz indica terapia hormonal só para prevenir doença cardiovascular ou demência [2]; na mulher jovem sem sintomas, a indicação formal é a prevenção da perda óssea, com decisão compartilhada. E a terapia hormonal não é a mesma coisa em qualquer dose, via ou molécula.

Quais são os erros mais comuns?

  • Pedir FSH para confirmar menopausa acima dos 45 anos com 12 meses de amenorreia, ou conduzir a transição por um FSH isolado [8].
  • Prometer que o fogacho dura "uns dois anos". A mediana é de 7,4 anos, e um terço das mulheres convive com eles por mais de uma década [10, 11].
  • Concluir que a mulher sem sintomas não precisa de avaliação. É nela que o osso e a artéria mudam sem aviso [16].
  • Usar sertralina, fluoxetina ou fitoterápicos para fogacho, que não superaram o placebo, e paroxetina em quem usa tamoxifeno [11].

Quando a conduta muda?

  • Sangramento depois de 12 meses de amenorreia é sangramento pós-menopausa e precisa de investigação endometrial antes de qualquer tratamento hormonal [5].
  • Menopausa antes dos 45 anos muda o patamar de risco: a reposição deixa de ser escolha de conforto e passa a ser proteção cardiovascular, óssea e cognitiva [4, 6].
  • Suor noturno com perda de peso, febre ou linfonodomegalia sai do raciocínio de menopausa e vai para a investigação de infecção e linfoma; rubor com diarreia ou crises hipertensivas, para carcinoide e feocromocitoma; afaste ainda hipertireoidismo e medicamentos como ISRS, bloqueadores de canal de cálcio e tamoxifeno [5].
  • Depressão maior, ideação suicida ou bipolaridade pedem avaliação psiquiátrica [14].
  • Risco cardiovascular alto ou doença aterosclerótica estabelecida desloca o tratamento dos fogachos para as opções não hormonais e traz o cardiologista para o caso [2].

Em resumo

A menopausa se diagnostica pela clínica; o FSH fica para a mulher mais jovem e para quem não tem a régua menstrual. O que mais pesa corre em silêncio: artéria, gordura visceral e osso mudam em torno da última menstruação. Sem hormônio, há opções com evidência, todas abaixo da terapia hormonal, que segue como o tratamento mais eficaz.

O que muda no consultório

  1. 1Acima dos 45 anos, com 12 meses de amenorreia, não peça FSH para confirmar menopausa.
  2. 2Abaixo dos 40 anos, um FSH acima de 25 UI/L com 4 meses de oligo ou amenorreia fecha IOP.
  3. 3Avise a paciente de que os fogachos podem durar mais de sete anos e trate a muito sintomática como marcadora de risco cardiovascular.
  4. 4Na primeira consulta, calcule o risco cardiovascular e o FRAX, meça cintura e pressão e atualize mamografia, citologia e colonoscopia.
  5. 5Sem hormônio, comece por TCC ou desvenlafaxina 50 mg; com insônia, gabapentina 300 mg à noite.
  6. 6Na usuária de tamoxifeno, prefira venlafaxina ou desvenlafaxina e evite paroxetina e fluoxetina.
  7. 7Antes do fezolinetante, peça TGO, TGP e bilirrubinas e repita nos primeiros meses.

Perguntas frequentes

Com quantos anos a mulher entra na menopausa?

No Brasil, a mediana é de 48 anos, segundo o Estudo Brasileiro da Menopausa; nos países de alta renda, de 50 a 51. A maioria das mulheres para de menstruar entre 45 e 55 anos. Entre 40 e 44 anos fala-se em menopausa precoce, e antes dos 40, em insuficiência ovariana prematura.

Precisa de exame de sangue para confirmar a menopausa?

Não, acima dos 45 anos com 12 meses sem menstruar. O FSH oscila muito na transição e não muda a conduta. Ele é útil entre 40 e 44 anos, antes dos 40, na mulher sem útero e quando é preciso afastar outras causas de amenorreia.

Quanto tempo duram os fogachos da menopausa?

No SWAN, a mediana foi de 7,4 anos, com 4,5 anos depois da última menstruação. Quando começam ainda na pré-menopausa ou no início da transição, passam de 11 anos. Um terço das mulheres convive com eles por mais de uma década.

Dor nas articulações pode ser da menopausa?

Pode, e é o sintoma mais prevalente na meia-idade: 65% das mulheres na metanálise de 321 estudos. Articulações têm receptores de estrogênio, e a dor difusa com rigidez costuma melhorar com a reposição. Dor localizada, com edema ou sinais inflamatórios, pede investigação reumatológica.

A menopausa engorda?

Mais do que o peso, muda a composição corporal. No SWAN, o ganho de gordura dobrou na transição, a massa magra caiu e a gordura visceral passou a subir de 6% a 8% ao ano a partir de dois anos antes da última menstruação. Por isso a cintura diz mais que a balança.

Quais exames pedir para a mulher na menopausa?

O mínimo das diretrizes inclui pressão, peso e IMC, mamografia, citologia, perfil lipídico, glicemia, TSH, função renal e hepática, hemograma e, a critério, vitamina D, além do cálculo do risco cardiovascular e do FRAX. Densitometria e colonoscopia seguem as indicações por idade e risco.

Qual o melhor tratamento não hormonal para os fogachos?

Têm nível I de evidência a TCC, a hipnose clínica, os ISRS e IRSN selecionados, a gabapentina e o fezolinetante; a oxibutinina também é recomendada. Nenhum chega à eficácia da terapia hormonal. A escolha depende de sono, humor, uso de tamoxifeno, pressão e preferência da paciente.

O fezolinetante substitui a terapia hormonal?

Não. Ele age direto no mecanismo do fogacho e foi aprovado pela Anvisa em 2026, mas o ganho além do placebo fica em 20% a 25% e ele trata apenas os sintomas vasomotores, sem efeito demonstrado sobre osso, artéria, metabolismo ou síndrome geniturinária. Exige transaminases antes e durante o uso.

Fitoterápicos e soja funcionam para o calorão?

A diretriz de 2023 da Menopause Society não recomenda suplementos, fitoterápicos, soja, equol nem canabinoides para os sintomas vasomotores, porque não superaram o placebo de forma consistente. Nesses ensaios, o placebo melhora de 20% a 66% das mulheres.

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Como citar este artigo

Jacobsen L. Menopausa: sintomas, diagnóstico e o que tratar. Blog Científico HORMOFEM [Internet]. 2026 nov 8. Disponível em: https://hormofem.com.br/blog/menopausa-sintomas-diagnostico-tratamento/

Dr. Leonardo Jacobsen

Ginecologia e Obstetrícia · CRM/SC 20930 · RQE 17351

Ginecologista, professor e pesquisador em endocrinologia feminina. Fundador da Escola HORMOFEM e autor do livro Terapia Hormonal Feminina.

Conteúdo educativo destinado a profissionais de saúde. Não substitui a avaliação individual nem estabelece conduta para um caso específico.