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Suplementos na saúde da mulher: o que tem evidência e o que não tem

Creatina, vitamina D, cálcio, ferro, magnésio, ômega 3, inositol e fitoterápicos: o que os estudos sustentam na mulher, com dose só onde há lastro.

Dr. Leonardo Jacobsen

Por Dr. Leonardo Jacobsen

Ginecologia e ObstetríciaCRM/SC 20930 · RQE 17351

8 nov 202628 min de leitura57 referências

Neste artigo
  1. Como ler a evidência de um suplemento?
  2. Creatina: o que tem evidência na saúde da mulher?
  3. Vitamina D: quando dosar e por que megadose não é melhor
  4. Cálcio: dieta ou suplemento?
  5. Ferro: ferritina, sangramento e dias alternados
  6. Magnésio: sono, enxaqueca e SPM
  7. Ômega 3: o que sobrou depois dos grandes ensaios?
  8. Mio-inositol na SOP
  9. Coenzima Q10 e antioxidantes na fertilidade
  10. Vitamina B6 e Vitex na SPM
  11. Fitoestrogênios, isoflavonas e cimicífuga: funcionam no fogacho?
  12. Colágeno, melatonina e ashwagandha
  13. DIM e o "detox de estrogênio": o que a pesquisa mostra?
  14. Probióticos: vagina e trato urinário
  15. Tabela-resumo: o que tem e o que não tem evidência
  16. Quais são os erros mais comuns com suplementos?
  17. Onde a evidência acaba?
  18. Quando a conduta muda?
  19. Em resumo

Poucos suplementos têm a evidência que o rótulo promete, e esses poucos merecem lugar na prescrição. A creatina monoidratada com treino de força aumenta massa magra e força na pós-menopausa, e o ferro na deficiência confirmada é tratamento; já a vitamina D acima da ingestão recomendada não protege a mulher saudável abaixo dos 75 anos, e cimicífuga, colágeno e DIM não se sustentam nos estudos independentes. Responder "pode tomar, mal não faz" ou "suplemento não serve para nada" erra pelo mesmo motivo: trata como coisa única produtos com níveis de evidência completamente diferentes.

Este artigo faz o que a bula do suplemento não faz. Para cada um, separa o que tem ensaio clínico em mulheres, o que tem só racional fisiológico e o que não tem nada, com a dose apenas quando a literatura a sustenta. Sem marca, sem fórmula manipulada, sem venda.

Imagem ilustrativa: Suplementos
Foto: laura adai, no Unsplash

Como ler a evidência de um suplemento?

Suplemento não precisa provar eficácia para ser vendido. A diretriz de terapia não hormonal da Menopause Society resume o problema: faltam ensaios randomizados, a regulação de pureza e segurança é fraca e os produtos chegam ao consumidor por marketing direto [1]. Três armadilhas se repetem.

A primeira é o produto não conter o que diz o rótulo. Em suplementos de melatonina analisados no Canadá, o conteúdo real variou de 83% abaixo a 478% acima do declarado, e 26% deles continham serotonina [2]. A segunda é o financiamento. Na metanálise de Myung com 23 ensaios de colágeno para a pele, o benefício apareceu só nos estudos pagos pela indústria; nos independentes e nos de alta qualidade, o efeito sumiu [3]. A terceira é o desfecho substituto: mudar um metabólito na urina não é o mesmo que mudar sintoma, densidade óssea ou risco de câncer.

Pilares do tratamento pelo método HORMOFEM. A base (sono, manejo do estresse, alimentação, exercício, saúde intestinal e hepática) sustenta tudo; o equilíbrio hormonal vem em segui

Figura 1. Pilares do tratamento pelo método HORMOFEM. A base (sono, manejo do estresse, alimentação, exercício, saúde intestinal e hepática) sustenta tudo; o equilíbrio hormonal vem em seguida; estratégias e suplementos ficam no topo, ajustados ao objetivo e à fase da vida.

Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. p. 85. ISBN 978-65-01-71472-1 [4].

É assim que ensino na Escola HORMOFEM: suplemento é o que se adiciona à base e aos hormônios, e que ajuda, mas jamais substitui uma coisa nem outra.

Suplemento bom é o que responde a uma pergunta clínica; o resto é custo, risco e falsa sensação de cuidado.

Dr. Leonardo Jacobsen

Creatina: o que tem evidência na saúde da mulher?

A creatina é o suplemento mais estudado desta lista [5]. É sintetizada no fígado e nos rins a partir de arginina, glicina e metionina, vem da carne e do peixe e se concentra no músculo e no cérebro, onde a fosfocreatina regenera ATP nos momentos de maior demanda [5]. As mulheres sintetizam cerca de 20% menos creatina e ingerem, em média, 30% a 40% menos pela dieta [6]. É por isso que dedico uma aula inteira da pós-graduação a ela: na minha prática, a creatina entra para a maioria das pacientes, e a mulher que come pouca proteína ou é vegetariana é a que tem mais a ganhar.

Modelo teórico dos efeitos da creatina em cada fase da vida da mulher (idade fértil, gestação, transição menopausal e pós-menopausa) e esquemas de suplementação propostos pelas aut

Figura 2. Modelo teórico dos efeitos da creatina em cada fase da vida da mulher (idade fértil, gestação, transição menopausal e pós-menopausa) e esquemas de suplementação propostos pelas autoras. Leia como mapa de hipóteses: na gestação os dados são quase todos de modelos animais, e não há estudo publicado em mulheres na perimenopausa [6].

Reproduzido de Smith-Ryan AE et al., J Int Soc Sports Nutr, 2025 [6]. Artigo de acesso aberto sob licença CC BY 4.0.

Músculo: o benefício mais consistente

A creatina funciona no músculo quando há treino de força. Na metanálise de Chilibeck com 22 ensaios em adultos de 57 a 70 anos, a creatina durante o treino resistido acrescentou 1,37 kg de massa magra em relação ao placebo, com mais força no supino e no leg press [7]. Em mulheres na pós-menopausa, a metanálise de 2026 de Naddafha reuniu sete ensaios (608 mulheres, idade média de 62 anos): ganho de 0,37 kg de massa magra e de 7,5 kg no leg press [8]. O detalhe que importa está no subgrupo: o benefício apareceu com 5 g/dia ou mais associados ao treino; com 3 g/dia ou menos, sem treino, não houve efeito mensurável [8]. O ensaio brasileiro de Gualano, com 60 idosas vulneráveis acompanhadas por 24 semanas, mostra o mesmo desenho em quatro braços: a creatina sozinha não mudou nada; com musculação, aumentou a massa magra apendicular (+1,31%) e a força no supino mais do que o treino com placebo, sem mudar a massa óssea [50].

0,37 kg

Ganho de massa magra com creatina em mulheres na pós-menopausa, em sete ensaios; o efeito dependeu de 5 g/dia ou mais com treino de força [8].

Osso: onde a evidência ainda não chegou

A creatina não aumentou a densidade mineral óssea nos ensaios em mulheres. O maior deles randomizou 237 mulheres na pós-menopausa para creatina (0,14 g/kg/dia) ou placebo durante dois anos de musculação e caminhada: a densidade do colo do fêmur, do quadril e da coluna não mudou; melhoraram parâmetros geométricos do fêmur e a velocidade de marcha [9]. A metanálise de Naddafha confirmou densidade inalterada no conjunto (Figura 3) [8]. A hipótese que defendo em aula, a de que músculo mais forte protege o osso por menos quedas, é razoável, mas não tem ensaio de fratura. Creatina não substitui tratamento de osteoporose.

Efeito da creatina sobre a densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa (diferença média da variação, em g/cm²). Cada quadrado é um ensaio; RT indica treino resistido. Olhe

Figura 3. Efeito da creatina sobre a densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa (diferença média da variação, em g/cm²). Cada quadrado é um ensaio; RT indica treino resistido. Olhe o losango da estimativa combinada: ele cruza a linha do zero. Só um ensaio (Chilibeck 2015) teve ganho isolado; o maior e mais longo, de dois anos (Chilibeck 2023), ficou praticamente sobre o zero.

Reproduzido de Naddafha S et al., J Int Soc Sports Nutr, 2026 [8], figura 4. Artigo de acesso aberto sob licença CC BY 4.0.

Cognição e humor: sinal promissor, estudos pequenos

Na revisão sistemática de Avgerinos (seis ensaios, 281 pessoas saudáveis), a creatina melhorou memória de curto prazo e raciocínio, com resultados conflitantes nos demais domínios cognitivos, e os autores sugerem benefício maior em idosos e em pessoas sob estresse [10]. A metanálise mais recente, de Xu (16 ensaios, 492 adultos), encontrou melhora pequena da memória (diferença padronizada de 0,31, certeza moderada) e de atenção e velocidade de processamento, sem efeito na função cognitiva global nem na executiva; o benefício foi maior nas mulheres [51]. É o cenário que descrevo em aula, da privação de sono do pós-parto ao estresse: plausível, mas com efeito pequeno.

Gráfico de floresta da creatina sobre a memória (Cre, creatina; Con, controle). O losango final (0,31) fica à direita do zero, a favor da creatina. Repare que cada linha é um teste

Figura 4. Gráfico de floresta da creatina sobre a memória (Cre, creatina; Con, controle). O losango final (0,31) fica à direita do zero, a favor da creatina. Repare que cada linha é um teste, não um estudo: vários testes do mesmo ensaio entram somados num modelo de efeito fixo, o que aumenta a precisão aparente; quase todas as linhas isoladas cruzam o zero.

Reproduzido de Xu C et al., Front Nutr, 2024 [51], figura 8. Artigo de acesso aberto sob licença CC BY 4.0.

Para o humor, o ensaio mais citado é o de Lyoo: 52 mulheres com depressão maior em uso de escitalopram receberam creatina 5 g/dia ou placebo, e a melhora na escala de Hamilton foi maior com creatina já na segunda semana, mantida até a oitava [11]. Na população americana do NHANES, o quartil de maior ingestão dietética de creatina teve prevalência de depressão de 6,0 por 100 pessoas, contra 10,2 no menor quartil, associação mais forte nas mulheres; é dado observacional, não prova de causa [12].

Um limite que o colega precisa conhecer: não existe ensaio publicado de creatina em mulheres na perimenopausa [6]. Os benefícios atribuídos a essa fase, inclusive para névoa mental e fadiga, são extrapolados de estudos em outras populações.

Dose, forma e segurança

A forma é a creatina monoidratada, a usada em praticamente todos os ensaios; as versões "tecnológicas" não mostraram superioridade [14]. A posição da International Society of Sports Nutrition (ISSN) descreve dois caminhos: carregamento de 0,3 g/kg/dia (cerca de 20 g/dia, divididos em quatro tomadas) por cinco a sete dias, seguido de 3 a 5 g/dia; ou 3 g/dia por 28 dias, que eleva o estoque de forma mais lenta [5]. O livro HORMOFEM recomenda 3 a 5 g/dia para a saúde musculoesquelética na pós-menopausa [4, 15]. Eu prescrevo 5 g/dia contínuos. O estoque leva de quatro a seis semanas para voltar ao basal quando a paciente interrompe [5], e quem toma em dias salteados não chega a saturar; por isso oriento deixar o pote à vista, para tomar todo dia sem depender de refeição ou de treino.

Na segurança, a metanálise de 29 estudos com mulheres não encontrou mortes, eventos graves nem diferença em eventos adversos totais (Figura 5), sintomas gastrointestinais, ganho de peso ou função renal e hepática [16], e a metanálise da pós-menopausa também não mudou os índices renais [8]. Na aula, respondo às três dúvidas que mais ouço no consultório: não cai o cabelo [14], não prejudica o rim [16] e não engorda [14]. O ganho de peso, quando ocorre, é água intracelular e massa magra, não gordura nem edema [14]. A creatinina sérica pode subir sem lesão renal, porque é produto da degradação da creatina; o colega precisa saber disso antes de pedir ultrassom de rins [14]. A ISSN descreve até 30 g/dia por cinco anos sem efeito adverso relevante em pessoas saudáveis [5]. O risco real é a pureza do produto: há lotes de síntese mal controlada com contaminantes e metais pesados [14], e por isso vale escolher creatina monoidratada pura de fabricante com controle de qualidade verificado.

Eventos adversos com creatina monoidratada (CrM) contra placebo em mulheres, separados por esquema de dose: só manutenção, carregamento seguido de manutenção e só carregamento. Olh

Figura 5. Eventos adversos com creatina monoidratada (CrM) contra placebo em mulheres, separados por esquema de dose: só manutenção, carregamento seguido de manutenção e só carregamento. Olhe o losango do total: risco relativo de 1,24 (IC 95% 0,51 a 2,98), sobre a linha do 1. Repare também quantos ensaios não tiveram evento em nenhum braço ("Not estimable") e como os intervalos são largos: são estudos pequenos, que não excluem efeito adverso raro.

Reproduzido de de Guingand DL et al., Nutrients, 2020 [16], figura 4. Artigo de acesso aberto sob licença CC BY 4.0.

Na gestação, há racional fisiológico e dados animais, mas ainda não há ensaio clínico em gestantes [6]. Não é conduta de diretriz.

Vitamina D: quando dosar e por que megadose não é melhor

A diretriz de 2024 da Endocrine Society mudou o jogo. Para adultos saudáveis com menos de 75 anos, sugere não suplementar acima da ingestão diária recomendada e não dosar 25(OH)D de rotina, porque não há ensaio que sustente o rastreamento nem um alvo de 25(OH)D definido para prevenção de doença [17]. A suplementação empírica fica para quem tem 75 anos ou mais, para gestantes e para quem tem pré-diabetes de alto risco, e, acima dos 50 anos, a diretriz prefere a dose diária à dose intermitente alta [17]. Essas recomendações não se aplicam a quem tem indicação estabelecida de tratamento ou de dosagem [17]. O consenso internacional de 2024 lista os grupos de risco, entre eles usuárias de espironolactona e acetato de ciproterona (Figura 6) [56].

Populações com risco de deficiência de vitamina D segundo o consenso internacional de 2024: idosos, pessoas restritas ao domicílio, pouca exposição solar, pele escura, doença crôni

Figura 6. Populações com risco de deficiência de vitamina D segundo o consenso internacional de 2024: idosos, pessoas restritas ao domicílio, pouca exposição solar, pele escura, doença crônica, obesidade, cirurgia bariátrica e medicamentos que aceleram o catabolismo da vitamina D. É nesses grupos que a dosagem de 25(OH)D pode ter indicação, não na mulher saudável sem fator de risco. Repare no fim da lista: espironolactona e acetato de ciproterona, usados para acne, hirsutismo e SOP.

Adaptado de Giustina A et al., Endocr Rev, 2024 [56], tabela 1. Artigo de acesso aberto sob licença CC BY 4.0.

Os ensaios explicam a prudência. No VITAL, 2.000 UI/dia por cerca de cinco anos não reduziram fraturas totais, não vertebrais nem de quadril em mais de 25 mil adultos não selecionados por deficiência (HR 0,98) [18]. Megadose pode fazer mal. Em 2.256 mulheres com 70 anos ou mais, 500.000 UI uma vez por ano aumentaram quedas em 15% e fraturas em 26% [19]. E em 311 adultos saudáveis, três anos de 4.000 ou 10.000 UI/dia reduziram a densidade volumétrica do rádio em comparação com 400 UI/dia [20].

26%

Aumento de fraturas com 500.000 UI de vitamina D uma vez por ano em mulheres com 70 anos ou mais, contra placebo [19].

O livro HORMOFEM traz 800 a 1.000 UI/dia como meta para a saúde musculoesquelética na pós-menopausa, lembrando que os valores variam entre autores [4, 15]. Na prática, a vitamina D entra na base do cuidado ósseo, com cálcio e exercício, e o tratamento da osteoporose segue o risco de fratura, não o nível de 25(OH)D (Figura 7).

Opções de tratamento de acordo com o risco de fratura. Cálcio e vitamina D adequados e exercício estão nos três degraus; o que muda com o risco é o medicamento: terapia hormonal ou

Figura 7. Opções de tratamento de acordo com o risco de fratura. Cálcio e vitamina D adequados e exercício estão nos três degraus; o que muda com o risco é o medicamento: terapia hormonal ou SERM no baixo risco, bifosfonato ou outro antirreabsortivo no alto, anabólico seguido de antirreabsortivo no muito alto.

Adaptado de: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [4], figura 5.18 da 7ª edição (no prelo), adaptada de Kanis et al., 2020.

Cálcio: dieta ou suplemento?

Cálcio vem primeiro da comida. Na revisão sistemática de Bolland, a ingestão de cálcio pela dieta não se associou a fratura, e a evidência de que o suplemento previne fratura foi fraca e inconsistente: nos ensaios de menor risco de viés (44.505 participantes), não houve efeito em nenhum sítio [21]. Do lado do risco, a metanálise de 2010 encontrou mais infarto com suplemento de cálcio sem vitamina D (HR 1,31) [22]; a revisão atualizada de 2016 não encontrou associação com doença cardiovascular quando a ingestão total fica abaixo do limite superior de 2.000 a 2.500 mg/dia [23]. O meio-termo prudente é completar com suplemento só o que a dieta não alcança, sem passar do teto.

Na SPM, o cálcio é o suplemento com melhor lastro. No ensaio de Thys-Jacobs, 1.200 mg/dia por três ciclos reduziram o escore de sintomas em 48%, contra 30% com placebo [24], e o ACOG sugere 1.000 a 1.200 mg/dia, com recomendação condicional e evidência de baixa qualidade [25]. O raciocínio completo está no artigo sobre SPM e TDPM.

Ferro: ferritina, sangramento e dias alternados

A deficiência de ferro é a carência nutricional mais comum do mundo, e existe sem anemia: ferritina abaixo de 30 ng/mL já define deficiência em quem não tem inflamação, mesmo com hemoglobina normal [26]. Na inflamação, a ferritina sobe como proteína de fase aguda, e a saturação de transferrina abaixo de 20% ajuda a confirmar [26]. Na mulher que menstrua, a causa mais comum é o sangramento menstrual aumentado [26], e repor sem tratar o sangramento é encher um balde furado; a investigação está no artigo sobre sangramento intenso na perimenopausa.

A via oral é a primeira linha, e a fisiologia da hepcidina mudou a forma de prescrever. Doses a partir de 60 mg de ferro elementar elevam a hepcidina por cerca de 24 horas e reduzem em 35% a 45% a absorção da dose seguinte [27]. Em mulheres com estoque baixo, a dose única em dias alternados absorveu mais ferro do que a dose diária (21,8% contra 16,3% de absorção fracionada), e dividir a dose no mesmo dia só aumentou a hepcidina [28]. O ensaio duplo-cego de 2023, com 150 mulheres com ferritina até 30 ng/mL e a mesma dose total, levou a pergunta para o desfecho clínico: a ferritina final foi igual, mas a dose diária teve 56% mais efeitos gastrointestinais nos dias de tomada, e aos seis meses a deficiência persistia em 11,4% contra 3,0% no grupo de dias alternados [52]. A diretriz europeia de hematologia de 2024 aceita começar com dose diária única e passar para dias alternados se houver intolerância, e não recomenda associar vitamina C, que não melhorou a resposta nem os efeitos adversos em ensaio randomizado [53].

Na minha prática, uso o bisglicinato com 60 mg de ferro elementar em dose única, e passo para a via endovenosa sem demora quando a paciente não tolera, o que é comum com ferro oral. Multivitamínico com 15 ou 20 mg de ferro não é tratamento de deficiência. As diretrizes revisadas por Mansour convergem nesse desenho, via oral primeiro, endovenosa quando ela falha ou não basta (Figura 8) [57].

Quando as diretrizes preferem ferro oral e quando preferem endovenoso, na revisão de 22 diretrizes sobre deficiência de ferro em mulheres com sangramento menstrual aumentado. Em ci

Figura 8. Quando as diretrizes preferem ferro oral e quando preferem endovenoso, na revisão de 22 diretrizes sobre deficiência de ferro em mulheres com sangramento menstrual aumentado. Em cima, a via oral: anemia não grave, anemia ou deficiência confirmadas e risco alto de deficiência. Embaixo, a via endovenosa: hemoglobina até 9 g/dL, antes e depois de cirurgia, má adesão ou intolerância e falha da via oral. ID, deficiência de ferro; IDA, anemia ferropriva. A revisão teve apoio de fabricante de ferro endovenoso, o que vale lembrar ao ler a metade de baixo.

Reproduzido de Mansour D et al., Adv Ther, 2021 [57], figura 3. Artigo de acesso aberto sob licença CC BY-NC 4.0.

Magnésio: sono, enxaqueca e SPM

O magnésio é barato e seguro na função renal normal, e é por isso que a evidência fraca não costuma incomodar. Para insônia em idosos, a metanálise de Mah reuniu só três ensaios (151 pessoas): o tempo para adormecer caiu 17 minutos, com evidência de qualidade baixa a muito baixa [29]. Na enxaqueca, a diretriz da American Academy of Neurology e da American Headache Society classifica o magnésio como provavelmente eficaz na prevenção (nível B) [30]. Na SPM, os resultados são mistos [31]. Eu uso magnésio como coadjuvante do sono na paciente que não pode usar hormônio, sabendo que o efeito é modesto. Não há ensaio comparando as formas de sal na mulher, e diarreia é o efeito adverso mais comum.

Ômega 3: o que sobrou depois dos grandes ensaios?

Menos do que o marketing sugere. Para fogacho, a Menopause Society não recomenda ômega 3 [1]. Na prevenção cardiovascular primária, o VITAL não reduziu eventos cardiovasculares maiores (HR 0,92) nem câncer com 1 g/dia [32]. E há um sinal de risco: nos ensaios de desfecho cardiovascular, o ômega 3 marinho aumentou a fibrilação atrial em 25%, mais com doses acima de 1 g/dia [33]. Na prevenção da enxaqueca, os dados são conflitantes [30]. Comer peixe continua sendo boa recomendação; a cápsula, como prevenção em mulher saudável, não tem lastro.

Mio-inositol na SOP

O inositol tem menos evidência do que fama. A metanálise que embasou a diretriz internacional de 2023 concluiu que a evidência é limitada e inconclusiva [34]; a diretriz admite o uso por preferência da paciente, reconhece benefício clínico limitado e não recomenda nenhuma dose nem combinação, como mostra o recorte da Figura 9 [35]. Eu não uso de rotina; reservo o mio-inositol como adjuvante para quem vai tentar engravidar ou não tolera metformina. O tratamento por fenótipo está no artigo sobre síndrome dos ovários policísticos.

Recomendações sobre inositol na diretriz internacional de SOP de 2023. Olhe a coluna da direita: as duas recomendações baseadas em evidência (EBR) são condicionais, com certeza mui

Figura 9. Recomendações sobre inositol na diretriz internacional de SOP de 2023. Olhe a coluna da direita: as duas recomendações baseadas em evidência (EBR) são condicionais, com certeza muito baixa (⊕◯◯◯); as demais são pontos de prática (PP), sem busca de evidência. A 4.7.2 prefere a metformina para hirsutismo e adiposidade central, e a 4.7.4 diz que nenhum tipo, dose ou combinação pode ser recomendado.

Reproduzido de Teede HJ et al., J Clin Endocrinol Metab, 2023 [35], tabela 4. Artigo de acesso aberto sob licença CC BY-NC 4.0.

Coenzima Q10 e antioxidantes na fertilidade

A coenzima Q10 é cofator da cadeia respiratória mitocondrial, e poucos tecidos gastam tanta energia quanto o ovário para ovular; como mostro em aula, o racional é bom e os níveis caem com a idade. Na metanálise de Florou, cinco ensaios com 449 mulheres em reprodução assistida mostraram mais gravidez clínica com coenzima Q10 (28,8% contra 14,1%), efeito mantido na má resposta ovariana e na SOP, mas sem diferença em nascido vivo nem em aborto [54]. Para os antioxidantes em geral, a revisão Cochrane (63 ensaios, 7.760 mulheres) classificou a evidência de nascido vivo como de qualidade muito baixa; só 27 dos 63 ensaios declararam financiamento, e sete dos estudos incluídos já foram retratados [55]. Na minha prática, uso a coenzima Q10 na mulher que está tentando engravidar ou vai para fertilização in vitro, sabendo que gravidez clínica não é bebê em casa.

Vitamina B6 e Vitex na SPM

A vitamina B6 tem evidência mais frágil do que a reputação. Na revisão de Wyatt, a chance de melhora global foi maior que no placebo (OR 2,32), mas a maioria dos ensaios era de baixa qualidade, e o benefício provável se limita a doses de até 100 mg/dia; acima disso, há risco de neuropatia periférica [36]. O Vitex agnus-castus tem o dado mais consistente entre os fitoterápicos na SPM: com extratos bem caracterizados, três ensaios (520 mulheres) mostraram chance 2,57 vezes maior de remissão [37]. Mas a variação entre preparações impede definir dose, e o ACOG não faz recomendação sobre nenhum dos dois [25]. Nenhum deles trata TDPM sozinho.

Fitoestrogênios, isoflavonas e cimicífuga: funcionam no fogacho?

Aqui a literatura e a diretriz parecem se contradizer, e não se contradizem. A metanálise de Taku (17 ensaios) mostrou que isoflavonas de soja, com mediana de 54 mg/dia, reduziram a frequência dos fogachos em 20,6% em relação ao placebo, com heterogeneidade alta [38]. Na metanálise de Franco, os fitoestrogênios reduziram em média 1,3 fogacho por dia, e 74% dos ensaios tinham alto risco de viés em três ou mais domínios [39]. Efeito pequeno, estudos ruins, produtos sem padrão: é por isso que a Menopause Society não recomenda soja, extratos de soja nem equol para sintomas vasomotores [1]. Na minha aula, resumo assim: alguns estudos mostram benefício, outros não; pode valer a tentativa na mulher que não quer ou não pode usar hormônio, mas não entra em diretriz.

A cimicífuga (black cohosh) não passa nem nesse filtro. Na revisão Cochrane com 16 ensaios e 2.027 mulheres, não houve diferença em relação ao placebo na frequência dos fogachos nem nos escores de sintomas, e a terapia hormonal foi superior [40]. A farmacopeia americana revisou 30 relatos de lesão hepática, classificou a relação como possível e passou a exigir aviso de cautela no rótulo [41].

Colágeno, melatonina e ashwagandha

Colágeno para a pele não se sustenta quando se tira o dinheiro da indústria: nos ensaios independentes e nos de alta qualidade, não houve efeito sobre hidratação, elasticidade ou rugas [3]. Pode ser fonte de proteína; não é tratamento de envelhecimento cutâneo.

A melatonina reduz o tempo para adormecer em cerca de 7 minutos e aumenta o sono total em 8 minutos, efeito pequeno, mas sem perda com o uso continuado [42]. A Academia Americana de Medicina do Sono sugere não usá-la como tratamento da insônia crônica do adulto [43].

A ashwagandha reduziu ansiedade e estresse em 12 ensaios, com certeza de evidência baixa e heterogeneidade alta [44]. Em contrapartida, há série de casos de lesão hepática colestática com icterícia prolongada [45]. Pode entrar como coadjuvante do estresse e do sono, com orientação de suspender diante de prurido ou icterícia.

DIM e o "detox de estrogênio": o que a pesquisa mostra?

O DIM muda metabólitos na urina, e só. No ensaio randomizado de 12 meses, em mulheres com câncer de mama em uso de tamoxifeno, o DIM aumentou a razão urinária 2/16-hidroxiestrona e a SHBG, sem mudar a densidade mamária, e reduziu o endoxifeno e outros metabólitos ativos do tamoxifeno [46]. Em usuárias de adesivo de estradiol, o DIM alterou seis de dez metabólitos urinários, e os próprios autores levantam a hipótese de que isso reduza o efeito da terapia hormonal [47]. Não há ensaio que mostre melhora de sintoma, de risco de câncer ou de qualquer desfecho clínico. A ideia de "detox" que baixa o estrogênio não tem sustentação, como discuto no artigo sobre predominância estrogênica.

Probióticos: vagina e trato urinário

Para prevenir infecção urinária recorrente, a revisão Cochrane não encontrou redução com probióticos (RR 0,82, sem significância) [48]. Para tratar vaginose bacteriana, a evidência não permite recomendar nem contraindicar, embora algumas combinações com o tratamento convencional pareçam promissoras [49]. Probiótico não substitui o tratamento da vaginose nem a profilaxia da cistite recorrente.

Tabela-resumo: o que tem e o que não tem evidência

Tabela 1. Suplementos na saúde da mulher: indicação, nível de evidência e segurança.

Suplemento Para quê Evidência Segurança
Creatina monoidratada Massa magra e força, com treino de força Moderada (metanálises de ECR) Segura em mulheres saudáveis; creatinina sobe sem lesão renal; cautela no transtorno bipolar
Creatina monoidratada Densidade óssea Sem efeito nos ECR Não substitui tratamento de osteoporose
Creatina monoidratada Humor e cognição Baixa (ECR pequenos) Adjuvante, nunca no lugar do antidepressivo
Vitamina D Osso e prevenção de doença Sem benefício acima da ingestão recomendada em menores de 75 anos Megadose intermitente aumentou quedas e fraturas
Cálcio Osso Fraca e inconsistente para fratura Preferir a dieta; não passar de 2.000 a 2.500 mg/dia no total
Cálcio SPM Baixa, recomendação condicional do ACOG Mesmo teto
Ferro Deficiência de ferro confirmada Alta (é tratamento) Dias alternados e dose única absorvem melhor
Magnésio Sono, enxaqueca, SPM Baixa no sono; nível B na enxaqueca; mista na SPM Diarreia; cuidado na doença renal
Ômega 3 Fogacho e prevenção cardiovascular Sem benefício Mais fibrilação atrial, sobretudo acima de 1 g/dia
Mio-inositol SOP Limitada e inconclusiva Bem tolerado
Coenzima Q10 Fertilidade (reprodução assistida) Baixa: mais gravidez clínica, sem diferença em nascido vivo Bem tolerada
Vitamina B6 SPM Baixa Neuropatia acima de 100 mg/dia
Vitex agnus-castus SPM Moderada com extratos padronizados Preparações variam muito
Isoflavonas de soja Fogacho Efeito pequeno, estudos heterogêneos; não recomendada Bem tolerada
Cimicífuga Fogacho Sem diferença do placebo Relatos de lesão hepática
Colágeno Pele Sem efeito nos estudos independentes Bem tolerado
Melatonina Insônia Efeito pequeno; desaconselhada na insônia crônica Conteúdo do produto varia
Ashwagandha Estresse e ansiedade Baixa Lesão hepática colestática
DIM "Detox" de estrogênio Nenhuma em desfecho clínico Reduz metabólitos ativos do tamoxifeno
Probióticos Vaginose e infecção urinária Insuficiente Bem tolerados

Fontes da tabela: as citadas em cada seção do texto.

Quais são os erros mais comuns com suplementos?

  • Somar produtos sem pergunta clínica. Cada cápsula sem indicação é custo, interação possível e, muitas vezes, desculpa para adiar o que funciona: treino de força, sono e o hormônio indicado.
  • Tratar o número em vez da paciente. Corrigir a 25(OH)D da mulher saudável, sem indicação, é o contrário do que a diretriz de 2024 sugere [17].
  • Achar que mais dose é mais efeito. Na vitamina D, a dose anual alta aumentou quedas e fraturas [19]; no ferro, dividir a dose no mesmo dia aumentou a hepcidina sem aumentar a absorção [28].
  • Esperar efeito muscular de creatina em dose baixa e sem treino. Foi exatamente o subgrupo que não mostrou benefício nos ensaios da pós-menopausa [8].
  • Ler metabólito urinário como benefício clínico. É o caso do DIM, que muda a urina e não muda desfecho [46].
  • Esquecer que suplemento interage e tem toxicidade. DIM com tamoxifeno, cimicífuga e ashwagandha com o fígado [46, 41, 45].

Onde a evidência acaba?

Falta quase tudo o que o consultório gostaria de saber. Não há ensaio de creatina em mulheres na perimenopausa [6], nem ensaio com desfecho de fratura, nem estudo que defina a dose para efeitos cerebrais. Para a vitamina D, não existe alvo de 25(OH)D definido para prevenção de doença [17]. Para as isoflavonas, os ensaios variam em dose, forma química e duração, e a heterogeneidade é alta [38]. Para quase todos os fitoterápicos, os produtos não são padronizados e os estudos independentes da indústria são poucos [1, 3]. Até que esses ensaios existam, a regra é a da pirâmide: base primeiro, hormônio quando indicado e suplemento só quando responde a uma pergunta clínica, com prazo para reavaliar.

Quando a conduta muda?

  • Câncer de mama em tratamento. Antes de qualquer suplemento, pergunte pelo tamoxifeno: o DIM interage [46], e fitoestrogênio se decide com o oncologista.
  • Transtorno bipolar. Creatina pode precipitar virada para hipomania [13]; entra só junto com o psiquiatra.
  • Doença hepática ou icterícia. Suspenda cimicífuga e ashwagandha [41, 45].
  • Doença renal crônica. Sob creatina, a creatinina perde valor como marcador da função renal [14]; creatina e magnésio, nesse caso, se decidem com o nefrologista.
  • Osteoporose ou risco alto de fratura. Cálcio e vitamina D são base, não tratamento; o medicamento segue o risco [4].
  • Deficiência de ferro sem causa aparente. Na mulher sem sangramento aumentado, investigue perda digestiva e má absorção antes de repor [26].

Em resumo

Suplemento é o topo da pirâmide e só faz sentido quando responde a uma pergunta clínica. A creatina, com treino de força, é o que tem melhor evidência para músculo e força na pós-menopausa, sem efeito demonstrado no osso e com dados ainda pequenos para humor e cognição. Vitamina D acima da ingestão recomendada não protege a mulher saudável abaixo dos 75 anos, e megadose pode fazer mal. Cálcio vem da dieta primeiro; ferro, na deficiência confirmada, é tratamento e não suplemento. Magnésio, Vitex, B6 e isoflavonas têm efeitos modestos; cimicífuga, colágeno, ômega 3 em prevenção e DIM não têm a evidência que o mercado promete. Não existe kit de suplementos para a mulher; existe raciocínio clínico aplicado à pergunta que ela traz.

O que muda no consultório

  1. 1Pergunte por todos os suplementos em toda consulta, sobretudo em quem usa tamoxifeno ou terapia hormonal.
  2. 2Prescreva creatina monoidratada 3 a 5 g/dia contínua, associada a treino de força, e avise que a creatinina pode subir sem lesão renal.
  3. 3Não dose vitamina D de rotina na mulher saudável e evite megadoses intermitentes.
  4. 4Complete o cálcio da dieta só até a meta e nunca acima do teto.
  5. 5Na deficiência de ferro, trate o sangramento, prescreva dose única em dias alternados e reavalie a ferritina em três meses.
  6. 6Suspenda cimicífuga e ashwagandha diante de prurido, icterícia ou alteração hepática.
  7. 7Em transtorno bipolar, creatina só junto com o psiquiatra.

Perguntas frequentes

Creatina é segura para mulheres?

Nos estudos com mulheres saudáveis, a creatina monoidratada não aumentou eventos adversos, ganho de gordura nem alterações renais ou hepáticas. O ganho de peso, quando ocorre, é água intracelular e massa magra. A creatinina sérica pode subir sem que haja lesão renal.

Qual a dose de creatina para mulheres na menopausa?

De 3 a 5 g/dia de creatina monoidratada, todos os dias. Na metanálise de mulheres na pós-menopausa, o benefício em massa magra e força apareceu com 5 g/dia ou mais associados ao treino de força; doses de 1 a 3 g/dia sem treino não mostraram efeito.

Creatina melhora a densidade óssea?

Não nos ensaios disponíveis. O maior deles, de dois anos em mulheres na pós-menopausa, não mudou a densidade do fêmur nem da coluna, embora tenha melhorado parâmetros geométricos do fêmur. Creatina não substitui tratamento de osteoporose.

Preciso dosar vitamina D em toda paciente?

Não. A diretriz de 2024 da Endocrine Society sugere não dosar 25(OH)D de rotina na população geral, porque não há ensaio que sustente o rastreamento nem um alvo definido para prevenção. A dosagem fica para quem tem indicação estabelecida.

Megadose de vitamina D é perigosa?

Pode ser. Em mulheres com 70 anos ou mais, 500.000 UI uma vez por ano aumentaram quedas e fraturas, e 4.000 a 10.000 UI/dia por três anos reduziram a densidade óssea volumétrica do rádio em adultos saudáveis.

Suplemento de cálcio aumenta o risco de infarto?

Uma metanálise de 2010 encontrou mais infarto com suplemento de cálcio sem vitamina D, e uma revisão de 2016 não achou associação com doença cardiovascular quando a ingestão total fica dentro do limite superior. A conduta prudente é priorizar a dieta e completar só o que falta.

Como repor ferro por via oral?

Em dose única, calculada em ferro elementar, de preferência em dias alternados, porque a hepcidina sobe por cerca de 24 horas depois de cada dose e reduz a absorção da seguinte. A causa do sangramento precisa ser tratada ao mesmo tempo, e a ferritina se reavalia em três meses.

Isoflavona ou cimicífuga funcionam para o fogacho?

As isoflavonas de soja reduziram a frequência dos fogachos em cerca de 20% em metanálise, com estudos heterogêneos, e a Menopause Society não as recomenda. A cimicífuga não foi diferente do placebo na revisão Cochrane e tem relatos de lesão hepática.

Coenzima Q10 ajuda a engravidar?

Em mulheres em reprodução assistida, a metanálise de cinco ensaios mostrou mais gravidez clínica com coenzima Q10 (28,8% contra 14,1%), mas sem diferença em nascido vivo nem em aborto. Para os antioxidantes em geral, a revisão Cochrane classifica a evidência de nascido vivo como de qualidade muito baixa.

DIM ajuda a eliminar o excesso de estrogênio?

Não há evidência de benefício clínico. O DIM muda metabólitos na urina, mas não mostrou melhorar sintoma nem desfecho, reduziu os metabólitos ativos do tamoxifeno em ensaio randomizado e pode alterar o perfil estrogênico de quem usa adesivo de estradiol.

Referências

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Como citar este artigo

Jacobsen L. Suplementos na saúde da mulher: o que tem evidência e o que não tem. Blog Científico HORMOFEM [Internet]. 2026 nov 8. Disponível em: https://hormofem.com.br/blog/suplementos-saude-da-mulher-evidencia/

Dr. Leonardo Jacobsen

Ginecologia e Obstetrícia · CRM/SC 20930 · RQE 17351

Ginecologista, professor e pesquisador em endocrinologia feminina. Fundador da Escola HORMOFEM e autor do livro Terapia Hormonal Feminina.

Conteúdo educativo destinado a profissionais de saúde. Não substitui a avaliação individual nem estabelece conduta para um caso específico.