O TDAH não começa na perimenopausa, mas é muitas vezes nela que aparece. Na mulher, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade tende a ser desatento e mascarado por anos de compensação, e a flutuação e a queda do estradiol, que modula a dopamina do córtex pré-frontal, podem amplificar o que já existia. Desatenção, esquecimento e desorganização na quarta década podem ser perimenopausa, TDPM, depressão ou um TDAH nunca nomeado. Os quatro quadros cabem na mesma queixa, e a conduta de um pode não servir para o outro.
Este artigo mostra como separar esses quadros, com a pergunta que decide (isso existia na escola?), o rastreio que cabe no consultório e o papel do ginecologista ao lado do psiquiatra. O tema é recente e a evidência é pequena, por isso o texto separa o tempo todo o que é dado do que é hipótese.

O que é TDAH e por que a mulher adulta passa despercebida?
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, com padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade que começa na infância e, em boa parte dos casos, segue na vida adulta [1]. Na metanálise global de Song e colaboradores, a prevalência ajustada de TDAH persistente no adulto, com início na infância, foi de 2,58%, e a de TDAH sintomático, independentemente do início, de 6,76% [2]. No adulto, o diagnóstico exige que os sintomas existam desde antes dos 12 anos, causem prejuízo em mais de um contexto e não se expliquem melhor por outro transtorno [1].
Na menina e na mulher, o quadro costuma ser outro. O consenso britânico sobre mulheres com TDAH descreve apresentação mais desatenta e internalizada, com menos hiperatividade visível, estratégias de compensação que mascaram os sintomas, mais ansiedade, depressão e transtornos alimentares, e viés de encaminhamento que faz a escola e a família enxergarem menos o problema [3]. Na revisão de Kok e colaboradores, as meninas receberam menos prescrições de medicamentos para TDAH do que os meninos em todos os estudos, diferença que, na vida adulta, deixa de aparecer na maioria deles [4]. O atraso tem número: num registro de Estocolmo com 85.330 pessoas com TDAH, as mulheres receberam o diagnóstico ou o primeiro medicamento cerca de quatro anos depois dos homens (23,5 contra 19,6 anos, em média) e chegaram a ele com mais comorbidade psiquiátrica e mais uso de serviços de saúde [36].
O preço do diagnóstico tardio é alto. O grupo europeu de estudo do TDAH feminino aponta que as mulheres sem diagnóstico ficam mais vulneráveis à TDPM, à depressão pós-parto e ao risco cardiovascular na perimenopausa, e que as transições hormonais pioram sintomas e humor, sem tratamentos adaptados a elas [5]. Parte das mulheres que chegam ao ginecologista pela TPM, pelo pós-parto ou pela menopausa carrega um TDAH nunca investigado.
Como o estrogênio conversa com a dopamina?
No sistema nervoso central, o estradiol é excitatório: estimula o glutamato e a síntese de dopamina e serotonina. É o que ensino na aula de predominância estrogênica, e é o motivo pelo qual a mulher, na fase folicular tardia, com estradiol alto, costuma estar mais ativa, comunicativa, com mais concentração e memória [6]. A progesterona, pelo receptor GABA-A, tem ação predominantemente inibitória e calmante [6, 7].
O livro detalha o lado dopaminérgico: o estradiol aumenta a síntese de dopamina, reduz sua degradação e recaptação e aumenta a expressão dos receptores dopaminérgicos, com impacto especial no córtex pré-frontal, onde sustenta a memória de trabalho e reduz comportamentos impulsivos [6, 7]. Os receptores de estrogênio estão justamente nas regiões dopaminérgicas ligadas à cognição, o que dá base anatômica a essa interação [8]. É o mesmo circuito em que se apoiam a hipótese dopaminérgica do TDAH e o mecanismo dos estimulantes [9].

Figura 1. Sinalização do estradiol (A) e da progesterona e seus metabólitos (B) nas células neurais. O estradiol aumenta a excitabilidade e a plasticidade neuronal por vias de membrana e nucleares; a progesterona e a alopregnanolona agem no receptor GABA-A. É por essas vias que os dois hormônios modulam dopamina, glutamato e GABA no córtex pré-frontal.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [6]. Ilustração do livro (Figura 5.19 da 7ª edição, no prelo), adaptada de Del Río et al., 2018 [7].
Mas a relação não é linear. Jacobs e D'Esposito mostraram, em mulheres jovens, que o efeito do estradiol endógeno sobre a memória de trabalho muda de direção conforme a dopamina de base, estimada pelo genótipo e pela atividade da COMT: quem tinha menos dopamina pré-frontal melhorou com estradiol alto, e quem tinha mais piorou [10]. É a curva em U invertido da dopamina: pouca e muita prejudicam, e o ponto ótimo fica no meio.
Do lado da progesterona, a hipótese mais citada é que a alopregnanolona iniba a liberação de dopamina no córtex pré-frontal, o que reduziria o efeito dos estimulantes na fase lútea. O dado é pré-clínico, e nenhum estudo demonstrou efeito direto das flutuações hormonais sobre a farmacocinética dos estimulantes [11].
Os sintomas do TDAH mudam ao longo do ciclo?
A queixa é comum. Num levantamento australiano com 600 mulheres com diagnóstico de TDAH, 88,6% das que estavam na pré-menopausa e sem tratamento hormonal relataram variação dos sintomas ao longo do ciclo, e a maioria apontou piora na fase lútea [12]. É percepção retrospectiva, sem medida ao longo do ciclo.
Das mulheres com TDAH na pré-menopausa e sem tratamento hormonal relataram variação dos sintomas ao longo do ciclo, a maioria com piora na fase lútea (autorrelato, n = 600) [12].
Os estudos com medida diária são poucos. O mais citado acompanhou 32 mulheres jovens, de ciclo regular, por 35 dias, com saliva colhida toda manhã e checklist de sintomas de TDAH toda noite: estradiol mais baixo, com progesterona ou testosterona mais altas, previu mais sintomas no dia seguinte, sobretudo nas mulheres com impulsividade traço elevada [13]. As análises por fase mostraram aumento dos sintomas no início da fase folicular e no início da fase lútea, logo depois da ovulação [13].

Figura 2. O ciclo menstrual fisiológico. Repare nas duas quedas do estradiol: a abrupta, logo depois do pico pré-ovulatório, e a do fim da fase lútea, junto com a progesterona. São os dois pontos em que a teoria de Eng e colaboradores situa a piora dos sintomas de TDAH: impulsividade depois da ovulação e desatenção no período perimenstrual.
Fonte: Jacobsen L. Hormofem: terapia hormonal feminina. 4ª ed. São Paulo: Ed. do Autor; 2025. ISBN 978-65-01-71472-1 [6]. Ilustração do livro (Figura 3.1 da 7ª edição, no prelo). Teoria das quedas de estrogênio: Eng et al., 2024 [14].
A partir desses dados, Eng e colaboradores propuseram que o risco aumenta nas quedas rápidas de estrogênio: no período periovulatório, com mais impulsividade e busca de risco, e no perimenstrual, com mais afeto negativo e desatenção [14]. É uma teoria, e os autores a apresentam assim. A revisão narrativa de Wynchank e colaboradores reuniu 29 estudos e mostrou um contraste: em mulheres sem diagnóstico, a atenção parecia até melhor na fase lútea média; em mulheres com TDAH (quatro estudos) ou com SPM e TDPM (seis estudos), atenção, função executiva e impulsividade pioraram na fase lútea média e no pré-menstrual [9]. Os autores chamam os achados de preliminares e às vezes contraditórios, por causa de amostras pequenas e métodos heterogêneos [9].
As revisões sistemáticas confirmam o tamanho da lacuna. A de Camara e colaboradores encontrou apenas quatro estudos e informações contraditórias [15]; a de Osianlis e colaboradores, onze, em geral pequenos e muito diferentes entre si, e nenhum na menopausa [16]. Em 2014, Haimov-Kochman e Berger já notavam que a pesquisa em TDAH tratava o ciclo como ruído, ou estudava só homens [17].
O padrão-ouro, para TDPM e para exacerbação pré-menstrual, é o registro diário por dois ciclos, e a Figura 3 mostra como fazê-lo [43].

Figura 3. Como registrar os sintomas ao longo do ciclo. Repare em três linhas: o registro é diário, por pelo menos dois ciclos, com instrumento validado como o DRSP; a ovulação se estima contando 14 dias para trás a partir do último dia do ciclo, porque o dia 14 só corresponde à ovulação no ciclo de 28 dias; e não existe fase basal universal, a fase de menos sintomas precisa ser descoberta em cada mulher.
Reproduzido de Lambert ER et al., Br J Clin Psychol, 2026, Tabela 3 [43]. Acesso aberto, licença CC BY 4.0.
Qual a relação entre TDAH e TDPM?
Aqui os números impressionam e pedem leitura cuidadosa. Numa série holandesa de 209 mulheres com TDAH, de 18 a 71 anos, os sintomas de TDPM, de depressão pós-parto e do climatério foram mais frequentes do que na população geral [19]; a prevalência de sintomas de TDPM foi de 45,5% [9, 19]. O instrumento foi uma entrevista retrospectiva, e a metanálise de Reilly mostrou o quanto isso pesa: a prevalência da TDPM foi de 7,7% com diagnóstico provisório e de 3,2% quando confirmada prospectivamente [18]. O sinal é real, mas o número exato não é.
Estudos mais recentes repetem o sinal com outro método. No Reino Unido, entre 715 mulheres de 18 a 34 anos, o rastreio positivo para TDPM provisória foi de 31,4% nas que relatavam diagnóstico de TDAH e de 41,1% nas que pontuavam para TDAH no ASRS, contra 9,8% no grupo sem TDAH; o risco foi maior quando o TDAH vinha com depressão ou ansiedade (risco relativo 4,53) [37]. Na Holanda, entre mulheres de 20 a 40 anos sem anticoncepcional hormonal, quanto mais traços de desatenção e impulsividade, mais sintomas pré-menstruais, e os autores lembram que essas estimativas valem o que vale a estratégia de recrutamento [21].
O sinal aparece também no sentido inverso. Em Taiwan, entre 58 mulheres com TDPM e 50 controles, o TDAH foi mais frequente no grupo com TDPM [20]. E um detalhe que pesa no diferencial: mesmo as mulheres com TDPM sem TDAH pioraram a memória do dia a dia, a atenção e a impulsividade da fase pré-ovulatória para a lútea tardia [20]. A TDPM, sozinha, já produz queixa cognitiva cíclica.
O ciclo não cria o TDAH. Ele funciona como lupa de aumento sobre um cérebro que já era assim.
Na prática, três situações se sobrepõem, e cada uma tem conduta própria:
- TDPM comórbida: a mulher tem TDAH o mês inteiro e, além disso, sintomas afetivos marcados na semana pré-menstrual, que somem na semana pós-menstrual. O tratamento da TDPM segue o de sempre [22], com o ISRS na frente: na revisão Cochrane de 2024, com 34 ensaios, ele reduziu os sintomas com certeza moderada, e o uso contínuo funcionou melhor do que o de fase lútea [38].
- Exacerbação pré-menstrual do TDAH: os sintomas de desatenção, desorganização e impulsividade existem o ciclo todo e pioram antes da menstruação. Na exacerbação pré-menstrual dos transtornos de humor, Kuehner e Nayman lembram que os tratamentos eficazes na TDPM funcionam menos [23]; no TDAH, isso ainda não foi estudado.
- TDAH sem padrão cíclico: a percepção de piora não se confirma no diário.
No diário, esses desenhos se separam com nitidez (Figura 4) [43].

Figura 4. Três padrões de sintoma no registro diário de um ciclo e meio (28 dias, ovulação no dia 15, gravidade de 1 a 6). (a) TDPM: o sintoma sobe depois da ovulação, culmina no pré-menstrual e some quando a menstruação começa. (b) Exacerbação perimenstrual de um transtorno de base, aqui a depressão: o sintoma existe o mês todo e piora em torno da menstruação. (c) Exacerbação ovulatória de impulsividade e agressividade, no mesmo período em que a teoria de Eng situa a impulsividade do TDAH [14]. No TDAH, o equivalente do painel (b) seria a desatenção de base com piora pré-menstrual, ainda não demonstrada em estudo controlado.
Reproduzido de Lambert ER et al., Br J Clin Psychol, 2026, Figura 3 [43]. Acesso aberto, licença CC BY 4.0.
É o raciocínio que ensino para qualquer sintoma cíclico: nem toda piora pré-menstrual se resolve com bloqueio, porque às vezes o que se vê é a lupa sobre uma condição prévia. O diagnóstico de TDPM continua exigindo dois ciclos de registro diário prospectivo, de preferência com o DRSP, e a semana pós-menstrual é o dado que decide [22]. Os detalhes de como ler esse diário, e de como ele se borra na transição, estão no artigo sobre TDPM, perimenopausa e exacerbação pré-menstrual e no pilar de SPM e TDPM.
Por que a perimenopausa piora os sintomas e revela o diagnóstico tardio?
Na aula de menopausa, mostro como explico à paciente que o estradiol sustenta glutamato, dopamina e serotonina, os neurotransmissores ligados à memória, à atenção, ao foco e à concentração, e que, quando o estradiol cai, o esquecimento aparece [6]. No livro, a névoa mental da menopausa inclui dificuldade de concentração, distração fácil, perda da linha de raciocínio e também sintomas semelhantes aos do TDAH [6, 24]. Para a mulher que já vivia no limite da compensação, essa é a gota que transborda.

Figura 5. Esquema dos níveis de hormônios sexuais (estrogênio e progesterona) ao longo da vida da mulher, sem valores reais. Da esquerda para a direita: subida oscilante na puberdade (puberty), flutuação cíclica na menacme, pico na gestação (pregnancy), queda abrupta no pós-parto (postpartum) e na amamentação (breastfeeding), oscilações amplas na perimenopausa (perimenopause) e nível baixo e estável na pós-menopausa (postmenopause). Repare que as janelas de maior instabilidade são as mesmas em que as mulheres com TDAH relatam mais piora.
Reproduzido de Osianlis E et al., J Atten Disord, 2025, Figura 1 [16]. Acesso aberto, licença CC BY 4.0.
No levantamento australiano, 97,5% das mulheres com TDAH perceberam piora dos sintomas na menopausa, e 70,4% no pós-parto; ainda assim, a escala de sintomas aplicada no momento da pesquisa teve gravidade semelhante em todas as fases da vida reprodutiva [12]. O que a paciente percebe e o que a escala capta num corte nem sempre coincidem. O dado populacional mais robusto vem da Islândia: na coorte SAGA, 535 mulheres que relataram diagnóstico de TDAH tiveram escore total de sintomas perimenopáusicos maior do que 4.857 mulheres sem TDAH (18,0 contra 13,0), com a maior diferença já entre 35 e 39 anos [25].
Das mulheres com TDAH tinham sintomas perimenopáusicos graves, contra 30,1% das demais (razão de prevalência 1,80; coorte islandesa) [25].

Figura 6. Prevalência de sintomas perimenopáusicos graves (Menopause Rating Scale) em mulheres com e sem TDAH na coorte islandesa SAGA, no total e nos domínios psicológico, somático e urogenital, com as razões de prevalência ajustadas por idade (azul) e por idade, escolaridade, estado civil, consumo excessivo de álcool e tabagismo (vermelho). O excesso persiste em todos os domínios mesmo no modelo mais ajustado.
Reproduzido de Jakobsdóttir Smári U et al., Eur Psychiatry, 2025, Figura 2 [25]. Acesso aberto, licença CC BY 4.0.
Há outro filtro importante. Num inquérito com 1.971 mulheres de 35 a 65 anos, Page e colaboradores encontraram mais queixas de função executiva na perimenopausa e na pós-menopausa cirúrgica; na pós-menopausa natural, a diferença desapareceu quando a análise foi ajustada para dificuldade de dormir, ansiedade e depressão [27]. Parte da queixa cognitiva da transição passa pelo sono e pelo humor, e é isso que precisa ser tratado antes de qualquer outra conclusão.
A Sociedade Britânica de Menopausa resumiu esse raciocínio num roteiro, útil antes de pensar em TDAH ou em demência, rara antes dos 65 anos [44].
Tabela 1. Roteiro da Sociedade Britânica de Menopausa para a queixa cognitiva da transição: o que avaliar, o que tratar e quando encaminhar.
| Etapa | O que fazer |
|---|---|
| História | Idade de início, duração e natureza da queixa (súbita ou insidiosa, flutuante ou progressiva); contexto (mudança dos ciclos, terapia hormonal, outros sintomas da menopausa); impacto no trabalho; história familiar de doença neurodegenerativa; álcool, tabagismo e outras substâncias |
| Exames | Hemograma, função tireoidiana, vitamina B12, folato, vitamina D, hemoglobina glicada, função hepática e renal e marcadores inflamatórios; avaliar os fatores de risco vascular |
| Outros sintomas da transição | Menopause Rating Scale ou escala de Greene; humor (pode-se usar a escala Meno-D); sono (apneia, sono fragmentado, insônia) e sintomas vasomotores |
| Tratar o que é modificável | Humor, sono e sintomas vasomotores, considerando terapia hormonal e psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental ou outra); revisar medicamentos; tireoide e B12; controle do diabetes; risco vascular; atividade física, hidratação e manejo do estresse |
| Orientar | Explicar a relação entre menopausa e cognição; lembrar que a grande maioria não desenvolverá demência; discutir adaptações no trabalho |
| Encaminhar | Sinais neurológicos, convulsões ou progressão rápida; declínio súbito e importante ou risco à segurança; história familiar de demência antes dos 65 anos; sintomas progressivos ou com interferência importante no trabalho, nas relações ou na qualidade de vida |
Adaptado de Abernethy K et al., Post Reprod Health, 2026 [44].
Na prática, a pergunta é a mesma que abre o meu algoritmo: como estão os ciclos? Na perimenopausa inicial, com ciclos presentes e flutuação ampla, a piora tende a ser oscilante e ainda cíclica; na tardia, com amenorreia de 60 dias ou mais e hipoestrogenismo, entram os fogachos noturnos, a insônia e a névoa mental mais contínua. O raciocínio completo das duas fases está no pilar de perimenopausa.
Como diferenciar TDAH, névoa mental da perimenopausa e TDPM?
A pergunta que separa os quadros não é "desde quando piorou", e sim "isso existia na escola?". O TDAH tem história de vida: desorganização, procrastinação, desempenho escolar abaixo do potencial, sensação crônica de sobrecarga, muitas vezes ansiedade e depressão desde a adolescência, e não raro um filho com o mesmo diagnóstico [3, 11]. A névoa mental começa na transição e anda junto com sono ruim, fogachos e humor [24, 27]. A TDPM tem semana pós-menstrual limpa [22].
Tabela 2. Pistas para diferenciar as queixas cognitivas e de humor da mulher na quarta e na quinta década.
| TDAH | Névoa mental da perimenopausa | TDPM | Depressão | |
|---|---|---|---|---|
| Início | Infância, antes dos 12 anos | Transição menopausal | Qualquer fase da vida reprodutiva, em ciclos ovulatórios | Qualquer idade; risco maior na transição |
| Padrão no tempo | Contínuo, pode piorar no pré-menstrual e na transição | Flutuante, acompanha sono e fogachos | Só na fase lútea, some na semana pós-menstrual | Contínuo, semanas seguidas |
| Queixa típica | Desatenção, desorganização, impulsividade | Esquecer palavras e compromissos, perder o fio | Irritabilidade, labilidade, humor deprimido | Anedonia, humor deprimido, culpa |
| Instrumento de rastreio | ASRS de seis itens | Escala de sintomas da menopausa e avaliação do sono | DRSP por dois ciclos | PHQ-9 |
| Quem confirma | Psiquiatra, com entrevista estruturada | Ginecologista | Ginecologista ou psiquiatra | Psiquiatra ou médico assistente |
Fontes da tabela: [1, 11, 22, 24, 28, 29].
O rastreio cabe no consultório. A versão de seis itens do ASRS, a escala de autorrelato da Organização Mundial da Saúde atualizada para o DSM-5, foi validada como instrumento curto de triagem [28]. Para o humor na transição, a diretriz de depressão perimenopáusica recomenda escalas gerais como o PHQ-9 [29]. Rastreio positivo de TDAH não é diagnóstico: o diagnóstico do adulto exige entrevista estruturada, como a DIVA-5, história desde a infância, informação de terceiros quando possível e exclusão de outros transtornos [1, 11].
Os especialistas holandeses propõem ler os sintomas à luz da fase do ciclo, porque, na experiência deles, o risco é subdiagnosticar o TDAH na fase folicular e subtratá-lo na fase lútea [26]. O roteiro deles, por fase da vida, cabe numa tabela.
Tabela 3. Roteiro de avaliação da mulher com TDAH por fase hormonal, segundo especialistas holandeses (opinião de especialista).
| Momento | O que fazer | Para quê | Opções citadas pelos autores |
|---|---|---|---|
| Antes da primeira consulta | Calendário de sintomas pré-menstruais por 2 meses | Identificar TDPM comórbida | Etapa de diagnóstico |
| Primeira avaliação | Anotar o primeiro dia da última menstruação e o dia do ciclo | Ler os sintomas na fase em que a mulher está | Etapa de diagnóstico |
| Primeira avaliação | Entrevista para comorbidades (TDPM, depressão, ansiedade, sono, alimentação) | Diagnosticar comorbidades, lembrando que todas pioram no pré-menstrual | Etapa de diagnóstico |
| Seguimento na menacme | Calendário ou aplicativo, escala de TDAH e de depressão | Acompanhar a flutuação dos sintomas com o ciclo | ISRS (cíclico ou contínuo, preferido), aumento do estimulante na fase lútea, combinado oral sem pausa |
| Pós-parto | Escala de Edimburgo | Rastrear depressão pós-parto | Psicoterapia, ISRS |
| Perimenopausa e menopausa | Escala de Greene ou Menopause Rating Scale | Medir sintomas da transição e decidir sobre terapia hormonal | Psicoeducação, terapia hormonal, antidepressivo |
| Todas as fases | Nota de 0 a 10 para o sono | Vigiar o sono no pré-menstrual, no pós-parto e na transição | Higiene do sono, tratar distúrbio do sono |
Adaptado de Wynchank D et al., Eur Psychiatry, 2025, Tabela 1 [26]. Acesso aberto, licença CC BY 4.0.
Os estimulantes funcionam diferente ao longo do ciclo?
O dado mais antigo vem de voluntárias saudáveis, não de mulheres com TDAH. Justice e de Wit deram dextroanfetamina 15 mg a 16 mulheres na fase folicular e na lútea média: os efeitos subjetivos foram maiores na fase folicular, e, nessa fase, quanto maior o estradiol, maior a sensação de energia e eficiência intelectual; na fase lútea, com progesterona alta, essa relação desapareceu [30]. Um segundo estudo do grupo confirmou o padrão: mais estradiol e menos progesterona, mais efeito subjetivo da anfetamina [31].
Na clínica, a primeira descrição sistemática é uma série de casos. De Jong e colaboradores aumentaram a dose do estimulante em 30% a 50% na semana pré-menstrual em nove mulheres com TDAH e piora pré-menstrual, seis delas com TDPM, e acompanharam por 6 a 24 meses: todas relataram melhora da desatenção, da irritabilidade e da energia, com poucos efeitos adversos, e todas mantiveram o esquema [32]. Os autores são claros: o resultado é preliminar, a conduta precisa ser individualizada e o ajuste na fase lútea ainda precisa ser testado em estudo controlado [32].
Nos 14 estudos de eficácia revisados por Kok, todos mostraram alguma diferença entre os sexos [4]. Na perimenopausa, a lacuna é ainda maior: não existe ensaio randomizado de estimulante ou não estimulante em mulheres com TDAH na transição, e a prática se apoia em consenso, extrapolação de adultas jovens e estudos observacionais pequenos [11]. Na meia-idade, a recomendação é monitorar pressão arterial, frequência cardíaca e peso, porque o risco cardiovascular sobe com a idade [11]. Na metanálise em rede de 102 ensaios, metilfenidato, anfetaminas, lisdexanfetamina e atomoxetina elevaram discretamente a pressão e o pulso no adulto, e os autores pedem esse controle com qualquer medicamento para TDAH, não só com estimulante [40].
Anticoncepcional e terapia hormonal ajudam no TDAH?
A resposta curta é que não sabemos, porque ninguém testou. O que existe são dados indiretos, e eles apontam para cautela, não para entusiasmo.
Anticoncepcional
O maior estudo sobre o tema é um registro sueco com 29.767 meninas e mulheres de 15 a 24 anos com TDAH e 763.146 sem. O TDAH, por si, triplicou o risco de depressão, independentemente do anticoncepcional (razão de risco ajustada 3,69) [33]. As usuárias de anticoncepcional oral combinado com TDAH tiveram risco cinco vezes maior do que as mulheres sem TDAH e sem esse método (5,19), e as usuárias de pílula só de progestagênio com TDAH, risco semelhante (5,00); com métodos não orais, o aumento foi moderado e parecido nos dois grupos [33]. Os autores lembram que essas jovens têm risco maior de gravidez na adolescência e recomendam discutir os métodos de longa duração no aconselhamento [33].
Para a mulher com TDAH e TDPM, os especialistas holandeses listam o combinado oral sem pausa entre as opções, ao lado do ISRS e do aumento do estimulante na fase lútea, com base na experiência clínica [26]. É coerente com o que defendo para a TDPM em geral: se a flutuação é o gatilho, a pausa de sete dias é ela própria uma flutuação, e o regime contínuo faz mais sentido. No algoritmo de perimenopausa que ensino, a transição inicial com sintoma cíclico pede bloqueio da ovulação, e eu o faço, em geral, com progestagênio isolado em dose anovulatória. Na mulher com TDAH, não há estudo comparando os métodos de bloqueio, e qualquer um deles pede a mesma regra que uso na TDPM: observar o humor nos meses de uso.
Terapia hormonal da menopausa
A terapia hormonal não foi estudada em mulheres com TDAH [11]. Na população geral, o livro resume os dados como mistos: os grandes ensaios mostram efeito neutro sobre a cognição quando a terapia começa no início da pós-menopausa, com possível benefício quando iniciada cedo e prejuízo do estrogênio conjugado com medroxiprogesterona acima dos 65 anos [6]. Na metanálise de Andy e colaboradores, a terapia hormonal não teve efeito global sobre os domínios cognitivos; o estrogênio iniciado na meia-idade, perto da menopausa, associou-se a melhora da memória verbal, e o estrogênio com progestagênio, em mulheres idosas, a queda no miniexame do estado mental [39]. O caminho plausível é indireto: tratar fogachos e insônia tira de cena dois grandes amplificadores da disfunção executiva [24, 27], e a terapia hormonal melhora a qualidade do sono relatada pela paciente, embora não a medida na polissonografia [41]. A indicação continua sendo a de sempre, pelos sintomas da menopausa e pelo perfil de risco, como discuto no pilar de terapia hormonal da menopausa.
Quando a insônia persiste, a metanálise de Bruyneel (24 ensaios na transição e na pós-menopausa) põe a terapia cognitivo-comportamental para insônia e outras medidas não farmacológicas na primeira linha [45].
Tabela 4. Efeito dos tratamentos da insônia crônica na perimenopausa e na pós-menopausa, em diferença média padronizada (valor negativo indica melhora).
| Tratamento | Exemplos testados | Qualidade do sono (PSQI) | Gravidade da insônia (ISI) | Tempo total de sono |
|---|---|---|---|---|
| Não farmacológico | Terapia cognitivo-comportamental para insônia, restrição de sono, acupuntura, ioga, massagem, programas multimodais | −2,37 (IC 95% −3,48 a −1,25); 5 estudos | −1,74 (IC 95% −2,44 a −1,04); 3 estudos | Sem efeito; 1 estudo |
| Farmacológico | Estradiol isolado ou com progestagênio, ISRS, venlafaxina, eszopiclona, zolpidem, suvorexanto, valeriana | −0,73 (IC 95% −1,36 a −0,11); 6 estudos | Sem efeito significativo (−0,61; IC 95% −1,43 a 0,22); 2 estudos | Sem efeito; 4 estudos |
Adaptado de Bruyneel M et al., Sleep Med, 2026, Figuras 4 e 5 [45]. Acesso aberto, licença CC BY 4.0.
E o estimulante para a névoa mental?
Dois ensaios cruzados pequenos testaram lisdexanfetamina em mulheres sem TDAH com queixa executiva nova na menopausa: 32 perimenopáusicas e pós-menopáusicas recentes com 40 a 60 mg por quatro semanas [34] e 69 mulheres depois de salpingo-ooforectomia redutora de risco [35]. Houve melhora das escalas de função executiva e de algumas medidas objetivas, com aumento da pressão sistólica e da frequência cardíaca no primeiro estudo [34, 35]. São dados de pesquisa, não indicação, e o tema é da psiquiatria.
Tabela 5. O que existe de evidência para cada intervenção no TDAH ao longo do ciclo e da transição.
| Intervenção | O que existe | Força da evidência | Quem conduz |
|---|---|---|---|
| Aumento do estimulante na semana pré-menstrual | Série de 9 casos, sem grupo controle | Muito baixa | Psiquiatra |
| Anticoncepcional combinado contínuo | Opinião de especialistas; dado indireto da TDPM | Muito baixa no TDAH | Ginecologista |
| Anticoncepcional oral em jovens com TDAH | Registro populacional: mais depressão | Observacional | Ginecologista, com vigilância do humor |
| ISRS na TDPM comórbida | Revisão Cochrane de 34 ensaios na TDPM, nenhum no TDAH | Moderada (na TDPM) | Ginecologista ou psiquiatra |
| Terapia hormonal da menopausa | Nenhum estudo em TDAH; sem efeito global na cognição na metanálise | Ausente no TDAH | Ginecologista |
| Lisdexanfetamina na queixa executiva da menopausa sem TDAH | Dois ensaios cruzados pequenos | Baixa | Psiquiatra |
Fontes da tabela: [11, 22, 26, 32, 33, 34, 35, 38, 39].
Qual é o papel do ginecologista?
O ginecologista é, muitas vezes, o primeiro médico a ouvir essa queixa, porque ela chega disfarçada de TPM, de pós-parto ou de menopausa [5]. O papel dele tem quatro partes:
- Reconhecer. Desconfiar do TDAH quando a queixa cognitiva tem história de vida, quando a TDPM não responde como esperado ou quando a depressão é resistente.
- Rastrear e registrar. ASRS, PHQ-9, avaliação do sono e diário de dois ciclos, que serve ao diagnóstico ginecológico e ao psiquiatra [26, 28].
- Tratar o que é hormonal. TDPM, sintomas vasomotores, sono, contracepção e terapia hormonal da menopausa são do ginecologista e não esperam o diagnóstico psiquiátrico.
- Trabalhar junto com o psiquiatra. O diagnóstico de TDAH e a prescrição e o ajuste de estimulante ficam com quem acompanha o transtorno. O diário do ciclo, compartilhado, é o que permite discutir se a piora é cíclica, se é da transição ou se é o TDAH de sempre.
Não cabe ao ginecologista diagnosticar TDAH por escala nem prescrever estimulante fora da sua competência. Cabe a ele não deixar a queixa sem nome, e não atribuir tudo aos hormônios.
Quando a conduta muda?
- Ideação suicida. Na metanálise de Yan, a TDPM mais do que dobrou a chance de ideação suicida (OR 2,34) e de tentativa (OR 2,13) [42]. Em qualquer mulher com TDPM ou depressão, o rastreio positivo pede avaliação imediata em saúde mental, antes de qualquer ajuste hormonal [22].
- Depressão maior em curso. No registro sueco, o risco de depressão nas jovens com TDAH foi mais de três vezes o das demais [33]. Sintoma o mês inteiro não é pré-menstrual, e o tratamento começa pelo transtorno de base [29].
- Suspeita de bipolaridade. Oscilação de humor intensa, impulsividade e insônia sem cansaço mudam o diferencial; antidepressivo e mudança hormonal se decidem com o psiquiatra [29].
- Hipertensão ou doença cardiovascular em usuária de estimulante. O risco sobe com a idade e com o próprio TDAH, e a avaliação cardiovascular passa a ser conjunta, também na hora de decidir a terapia hormonal [11].
- Queixa cognitiva nova, progressiva ou com sinal focal. Não é TDAH nem névoa mental até prova em contrário, e a investigação neurológica vem primeiro [24].
O que as diretrizes dizem e onde a evidência acaba
Não existe diretriz sobre TDAH e ciclo hormonal. O consenso britânico sobre mulheres reconhece que a fase do ciclo pode influenciar a resposta ao tratamento, mas não faz recomendação farmacológica diferente para a mulher [3, 32]; o consenso europeu do adulto pede mais pesquisa sobre as diferenças entre os sexos [1]. A diretriz do ACOG para os transtornos pré-menstruais não traz recomendação específica para a mulher com TDAH, e o ponto de contato é a regra geral de afastar outros transtornos antes do diagnóstico de TDPM [22].
O que sabemos: o TDAH é subdiagnosticado e diagnosticado tarde na mulher [3, 36]; estrogênio e dopamina interagem no córtex pré-frontal [8, 10]; a maioria das mulheres com TDAH relata piora na fase lútea e na menopausa [12]; e elas têm mais sintomas perimenopáusicos graves [25]. O que não sabemos: se a variação cíclica é clinicamente relevante na média das pacientes, qual é a prevalência real de TDPM confirmada no TDAH, se o ajuste do estimulante funciona em estudo controlado e se anticoncepcional ou terapia hormonal mudam o curso do TDAH [9, 11, 16]. Diante dessa lacuna, o diário de dois ciclos e a conversa com o psiquiatra valem mais do que qualquer protocolo.
Em resumo
O TDAH da mulher adulta é desatento, mascarado e diagnosticado tarde, e o consultório ginecológico é uma das portas por onde ele aparece. A piora no ciclo e na transição é frequente, mas vem de estudos pequenos e autorrelato, e a TDPM comórbida se confirma no registro prospectivo. O ginecologista reconhece, rastreia, trata o que é hormonal e divide o caso com o psiquiatra.
O que muda no consultório
- 1Na queixa de desatenção, desorganização ou névoa mental, pergunte se isso existia na infância e na adolescência.
- 2Use o ASRS de seis itens como rastreio e encaminhe o positivo ao psiquiatra para o diagnóstico.
- 3Peça dois ciclos de diário prospectivo com sintomas de TDAH e de humor antes de atribuir a piora ao ciclo.
- 4Separe TDPM comórbida de exacerbação pré-menstrual do TDAH: a semana pós-menstrual limpa é o que decide.
- 5Trate sono, sintomas vasomotores, depressão e ansiedade antes de concluir que a queixa cognitiva é TDAH.
- 6Ajuste de estimulante é conduta do psiquiatra; o seu papel é mandar o diário do ciclo para orientar essa decisão.
- 7Na usuária de anticoncepcional oral com TDAH, pergunte pelo humor a cada consulta e ofereça métodos de longa duração.
Perguntas frequentes
O TDAH piora antes da menstruação?
Muitas mulheres relatam piora da desatenção, da irritabilidade e do efeito do medicamento na semana pré-menstrual. Estudos pequenos com medida diária sustentam alguma variação ao longo do ciclo, mas o dado ainda é preliminar. O diário prospectivo de dois ciclos mostra se o padrão existe naquela paciente.
Qual a relação entre TDAH e TDPM?
Os estudos mostram sintomas de TDPM mais frequentes em mulheres com TDAH e TDAH mais frequente em mulheres com TDPM. As prevalências altas vêm, em geral, de questionário ou entrevista retrospectiva, que superestimam a TDPM. A confirmação exige registro prospectivo, como em qualquer mulher.
A perimenopausa pode causar TDAH?
Não. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, com sintomas desde a infância. A perimenopausa pode piorar os sintomas e, por isso, revelar um TDAH que passou despercebido por décadas, além de produzir queixas cognitivas próprias, a névoa mental.
Como diferenciar TDAH de névoa mental da perimenopausa?
Pela história. No TDAH, desatenção e desorganização acompanham a mulher desde a escola; na névoa mental, a queixa começa na transição, em geral junto com insônia, fogachos, ansiedade ou depressão. Na dúvida, o rastreio positivo vai para avaliação psiquiátrica.
Devo aumentar o estimulante na semana pré-menstrual?
Essa decisão é do psiquiatra que acompanha o TDAH. O aumento pré-menstrual foi descrito em série de nove pacientes, com boa resposta, mas não há ensaio clínico nem recomendação de diretriz. O ginecologista contribui com o diário do ciclo, que mostra quando a piora acontece.
Anticoncepcional ajuda ou piora o TDAH?
Não há ensaio que avalie anticoncepcional como tratamento do TDAH. Um grande registro sueco mostrou risco de depressão mais alto em jovens com TDAH, e um pouco mais alto ainda com anticoncepcionais orais. A escolha considera humor, adesão e risco de gravidez não planejada, que é maior nessa população.
Terapia hormonal da menopausa melhora o TDAH?
Não foi estudada em mulheres com TDAH. Na população geral, o efeito sobre a cognição é neutro na média, com possível benefício quando iniciada cedo. Ela trata fogachos e melhora o sono, o que pode aliviar a queixa cognitiva de forma indireta, e a indicação segue os critérios habituais.
Ginecologista pode diagnosticar TDAH?
O papel do ginecologista é suspeitar, rastrear e encaminhar. O diagnóstico do adulto exige entrevista estruturada, história desde a infância e exclusão de outros transtornos, e o tratamento farmacológico é conduzido pelo psiquiatra.
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Como citar este artigo
Jacobsen L. TDAH e hormônios: ciclo menstrual, TDPM e perimenopausa. Blog Científico HORMOFEM [Internet]. 2026 nov 8. Disponível em: https://hormofem.com.br/blog/tdah-hormonios-ciclo-tdpm-perimenopausa/

Dr. Leonardo Jacobsen
Ginecologia e Obstetrícia · CRM/SC 20930 · RQE 17351
Ginecologista, professor e pesquisador em endocrinologia feminina. Fundador da Escola HORMOFEM e autor do livro Terapia Hormonal Feminina.
Conteúdo educativo destinado a profissionais de saúde. Não substitui a avaliação individual nem estabelece conduta para um caso específico.
